Audiência no Senado debate desmatamento e mudanças climáticas

A Comissão Mista de Mudanças Climáticas, composta por deputados e senadores, organizou nesta terça (26/6) a audiência pública “Combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado: situação atual e propostas para o atingimento da NDC”. O debate foi coordenado pelo senador Jorge Viana (PT-AC) e contou com a participação de representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e WWF-Brasil.

De acordo com André Nahur, coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, a grave situação das mudanças climáticas demanda ações urgentes em diversas áreas. “Estamos chegando a pontos de inflexão em vários aspectos das mudanças climáticas. São quatro anos consecutivos de picos de temperatura, níveis alarmantes de desmatamento na Amazônia, quase 20%, o que ameaça serviços ambientais básicos para toda a sociedade”, observou.

Ainda segundo Nahur, é necessário que haja uma integração de políticas públicas no sentido de promover a economia verde. “Sabemos que ações de comando e controle não são suficientes. Enquanto não conseguirmos promover uma economia que valorize a floresta em pé como ativo ambiental para a economia nacional, conectada com setores do agronegócio, infraestrutura e energia, não vamos conseguir mudar isso”, analisou.

Para o representante do WWF-Brasil, dados como o aumento de garimpos ilegais na Amazônia demonstram que, enquanto sociedade, não temos conseguido promover alternativas economicamente viáveis para a população. “É urgente que seja feita uma transição justa para uma economia de baixo carbono, dentro de um planejamento de longo prazo, que considere os ciclos socioambientais”.

O senador Jorge Viana destacou a necessidade de se aplicar o Código Florestal, e lamentou o fato de que o prazo para registro das propriedades rurais no Cadadastro Ambiental Rural (CAR) tenha sido prorrogado pela quarta vez. “Quando se propõe mudar o prazo, abre-se espaço para novas mudanças na lei. É preciso fazer a vinculação entre o CAR e o acesso ao crédito e a benefícios”, destacou o senador.

Jorge Viana defendeu, ainda, a aprovação de leis específicas para os biomas brasileiros. Atualmente, tramitam nas duas casas projetos de lei para os biomas Pantanal, Cerrado e Caatinga. “Há especificidades que precisam ser levadas em conta na legislação”, justificou o parlamentar.

FONTE : WWF BRASIL

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