Com 40 anos, Museu Histórico será modernizado com apoio de empresas japonesas

Inaugurado em 18 de junho de 1978, por conta da comemoração do 70º aniversário da imigração japonesa no Brasil, com as presenças dos então príncipe Akihito e princesa Michiko (hoje imperador e imperatriz), além do presidente à época Ernesto Geisel, o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB) deixou as marcas do tempo transparecerem em algumas das peças de seu acervo e parte de sua estrutura.
Localizado no bairro da Liberdade, em São Paulo, completa neste ano quatro décadas desde sua fundação. O espaço ocupa três pisos (além da biblioteca do 3º andar) no alto do prédio do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social), seu mantenedor. Assim, um projeto de modernização foi elaborado por uma equipe de especialistas, nos 110 anos de imigração japonesa no Brasil. No dia 13 de junho, uma reunião foi realizada com empresas de origem japonesa interessadas em apoiar as obras que deverão ser feitas para melhoria do local.
Em junho, Museu Histórico reuniu empresários para apresentar projeto de melhorias (Jiro Mochizuki)Foi o segundo encontro e estiveram presentes cerca de 35 presidentes e representantes das companhias. A comissão espera que a maioria delas possa contribuir com o projeto, incentivando a preservação do legado dos japoneses no Brasil. Como contrapartida, terão benefícios como destaque no painel de patrocinadores, na entrada do museu, de forma permanente e fotos de sua trajetória expostas e dentro de um contexto histórico.
“A história da imigração japonesa será contada inclusive com a vinda das empresas japonesas no Brasil, que participaram desde o fim da Segunda Guerra Mundial no engrandecimento deste país, juntamente com os imigrantes. Utilizaremos muitas imagens e também objetos históricos”, indica a vice-presidente da Comissão de Administração do Museu, Lídia Yamashita.

Em 2015, MHIJB recebeu a visita de Suas Altezas Imperiais, os príncipes Akishino e a princesa Kiko (divulgação)
Em 2015, MHIJB recebeu a visita de Suas Altezas Imperiais, os príncipes Akishino e a princesa Kiko (divulgação)

Estudos de reforma – As análises vinham sendo feitas há um ano por um grupo curatorial coordenado pelo professor doutor Shozo Motoyama mais três professores historiadores e alguns estudiosos no assunto da imigração japonesa. O projeto foi montado com todo o detalhamento dos problemas e custos financeiros pela empresa Mina Montagens.
Cinco são os pontos de atenção levantados com problemas: aparelhos de ar condicionado obsoletos, de mais de 30 anos; instalações elétricas e de segurança necessitando de revisão; vazamento de chuva na cobertura do 9º andar; ataque de cupins nas instalações de madeira por trás das paredes expositoras; recentes vandalismos que destruíram objetos expostos, por falta de câmera de segurança e vigilância.
Parte das obras já teve início em abril, numa primeira etapa, com término previsto para 20 de julho (entrega do 8º piso). Com isso, o Museu funcionará de forma parcial dos dias 2 a 13 de julho (apenas o 7º andar estará aberto, sem cobrança de ingresso), para pintura das escadarias dos 8º e 9º andares. “A segunda etapa, do último andar, só deverá começar quando tivermos recursos suficientes para executar toda a reforma. E por isso ainda não há data definida”, explica Lídia.
Uma das razões em se executar a reforma do museu, além de conservar o patrimônio, é trazer as novas gerações para visitação. “Queremos despertar nos jovens o interesse pela história e a forma mais atraente seria utilizando recursos modernos de tecnologia digital, de multimídia”, afirma a diretora. “A proposta é fazer uma nova instalação, utilizando esses meios, com os quais poderemos contar muito mais sobre os fatos vividos pelos imigrantes japoneses no Brasil.”
A estimativa de custo total da modernização do Museu foi calculada em R$ 8,5 milhões, incluindo obras civis de infraestrutura, projeto multimídia e serviços complementares. A contribuição foi dividida por cotas (a menor é de R$ 50 mil), designando várias categorias de patrocínio. Mas pessoas físicas ou entidades também podem ajudar com valores menores (patrocinador amigo) num prazo até o final do ano, a princípio. Mais informações podem ser obtidas por contato no e-mail museu@bunkyo.org.br ou pelos telefones 11-3209-5465 ou 3208-1755 (ramal 117).
(Cíntia Yamashiro)

Você já conhece o Museu?

Visitantes podem conhecer um pouco mais a história da imigração (divulgação)
Visitantes podem conhecer um pouco mais a história da imigração (divulgação)

Se ainda não, saiba o que cada andar apresenta:

3º andar: Biblioteca e acervo com mais de 5 mil objetos, 28 mil documentos escritos (diários, livros, jornais, revistas) e cerca de 10 mil fotos
7º andar: Expõe documentos e objetos do início da imigração ao Brasil, entre os quais maquetes de navios, a cabana do imigrante e a agricultura
8º andar: Mostra a diversificação de atividades em pequenas indústrias e comércios até a 2ª Guerra e início da fase do pós-guerra
9º andar: Conta os 50 anos do pós-guerra, mudanças da comunidade nikkei, quando os imigrantes decidem ficar no país e vinda de empresas japonesas
Funcionamento da exposição: terça a domingo, das 13h30 às 17h
Ingresso: R$ 12 (meia, R$ 6)

FONTE : JORNAL NIPPAK

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