Grupo Internacional de Contato sobre a Venezuela inicia reunião no Uruguai

Altos representantes de países europeus e latino-americanos abriram nesta quinta-feira em Montevidéu a primeira reunião do Grupo Internacional de Contato sobre a Venezuela, que busca uma saída para a crescente crise nesse país.

Liderada pela alta representante da União Europeia (UE) para Assuntos Exteriores e Políticos de Segurança, Federica Mogherini; e pelo presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, a reunião acontece na Torre Executiva, principal centro administrativo do Uruguai, e se prevê que dure cerca de três horas, após o que deve haver uma entrevista coletiva.

Estão presentes neste encontro, que tem caráter ministerial, representantes da UE, França, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido, Bolívia, Costa Rica, Equador, México e Uruguai.

O grupo de contato foi estabelecido no dia 31 de janeiro com o objetivo de criar as condições para que surja um processo que permita realizar eleições livres, transparentes e críveis na Venezuela, país imerso em uma grave crise política, econômica e social.

A tensão aumentou desde o dia 23 de janeiro, quando o chefe do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino do país ao considerar o mandato de Nicolás Maduro ilegítimo após ser reeleito em um pleito presidencial que a oposição considera “fraudulento”.

Esta ação agravou a crise política na Venezuela, dado que boa parte da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e vários países europeus e latino-americanos, deu apoio a Guaidó e pressiona para que eleições sejam convocadas.

A UE considerou “essencial” a existência de uma representação “equilibrada” no grupo de contato, que tem uma autonomia de trabalho limitada a 90 dias.

Dos atuais 13 países-membros, só quatro (Bolívia, Itália, México e Uruguai) não reconheceram formalmente Guaidó como presidente interino da Venezuela.

Os governos de México e Uruguai, com o apoio da Comunidade do Caribe (Caricom), anunciaram ontem que proporão ao grupo de contato uma iniciativa para conseguir a paz na Venezuela que consta de quatro períodos com foco em diálogo imediato, negociação, compromissos e implementação.

Esta iniciativa, denominada Mecanismo de Montevidéu, prevê que, se o chavismo e a oposição aceitarem dialogar sob estas bases, seriam convidados a titular da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), Rebeca Grynspan, o ex-chanceler do Uruguai Enrique Iglesias e o ex-secretário de Relações Exteriores do México Bernardo Sepúlveda para acompanhar o processo.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, expressou na terça-feira sua confiança quanto a reunião em Montevidéu “ter sucesso” e defendeu um “diálogo necessário” no qual “todas as partes” se posicionem, enquanto tachou de “erro de caráter diplomático, político, moral” o fato de a maioria dos países da UE terem reconhecido Guaidó, que por sua vez reiterou que só participará de diálogos políticos se Maduro deixar o poder.

“Que fique claro que nós não vamos participar de nenhum elemento que não leve concretamente” ao fim “a usurpação” de Maduro, ao governo de transição e eleições livres, disse o opositor a jornalistas.

O chavismo e a oposição abriram uma mesa de negociações no final de 2017, que não obteve resultados até o início de 2018 quando ambas as partes se acusaram de romper os primeiros acordos alcançados.

FONTE : EFE BRASIL

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