May eleva o tom em suas críticas a Corbyn antes de moção de censura

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, elevou nesta quarta-feira o tom de suas críticas ao líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, a quem chamou de “traidor” em relação a “tudo o que” sua própria legenda defendeu historicamente, antes da votação da moção de censura, que deve acontecer nas próximas horas.

A premiê garantiu que o que Corbyn fez ao Partido Trabalhista, que atualmente lidera a oposição britânica com 256 deputados, é uma “tragédia nacional” e acrescentou que o que faria ao Reino Unido, caso se transforme em seu governante, seria uma “calamidade”.

“Este é o líder do partido de Attlee – ex-primeiro-ministro de 1945 a 1951 – que pediu o desmantelamento da Otan, o líder do partido de Bevan – ministro com Attlee – que diz que o Reino Unido deveria se desarmar unilateralmente e cruzar os dedos para que outros sigam seu exemplo”, disse May.

“O líder do partido que ajudou a chegar ao acordo de Belfast, que convidou os terroristas do IRA ao parlamento semanas depois que seus comparsas tinham assassinado um membro desta casa”, acrescentou a premiê.

Por isso, a liderança de Corbyn foi “uma traição em relação a tudo o que o partido defendeu”, opinou May.

“Uma traição para a grande maioria de seus deputados e uma traição para milhões de eleitores trabalhistas decentes e patrióticos”, frisou a primeira-ministra conservadora.

Com essas declarações, May elevou o tom das réplicas para Corbyn no debate da moção de censura proposta por ele e que a Câmara dos Comuns votará hoje às 19h GMT (17h em Brasília).

O líder trabalhista decidiu iniciar esse processo para tentar liquidar o governo conservador, depois que ontem à noite May perdeu por ampla margem (230 votos) a votação em Westminster sobre o seu acordo do Brexit.

Com a moção, Corbyn quer provocar a convocação de eleições gerais antecipadas para tentar se tornar o novo primeiro-ministro, caso May não obtenha o apoio de pelo menos metade dos deputados da Câmara.

No entanto, não parece que a moção prosperará, depois que os aliados de May na Câmara dos Comuns, os dez deputados do Partido Democrático Unionista (DUP) da Irlanda do Norte, indicaram que darão seu voto de confiança à dirigente, apesar de terem votado ontem contra o acordo do Brexit.

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