Miltinho Palmeirense questiona a não participação dos ACDs nos Jogos Regionais em Marília

Entre os dias 3 e 14 de julho aconteceu em Marília a 62.ª edição dos Jogos Regionais. O evento contou com delegações de várias cidades, inclusive de Garça e entre as muitas modalidades disputadas, duas (Atletismo e Natação) foram destinadas a Atletas Com Deficiência (ACDs). No ano passado, durante os Jogos Regionais na cidade de Osvaldo Cruz, entre os 60 municípios do Estado de São Paulo que participaram das disputas, estava também a delegação garcense e, entre as quase seis mil pessoas (5.519 pessoas, entre atletas, dirigentes e organizadores) envolvidas estavam 0ito atletas com deficiência de Garça. Eles foram responsáveis pela conquista de 12 medalhas. No entanto, neste ano, apesar de alguns nomes constarem na lista de convocados, nenhum ACD da cidade participou do evento. A exclusão é motivo de questionamento por parte de Milton Cezar Costa Fabrício, mais conhecido como Miltinho Palmeirense que, acionou a Ouvidoria Municipal e a Estadual com o objetivo de esclarecer por qual motivo não houve a convocação.

“Eu gostaria de saber porque nesse ano a SEJEL (Secretaria Municipal de Juventude, Esportes e Lazer) não levou para os jogos atletas com deficiência. Numa conversa informal, mas na presença de algumas pessoas, me foi dito que houve ordens por conta da Secretaria de Administração para cortar gastos”, disse Miltinho.

A explicação, ainda que informal, só veio ao encontro do que o garcense acredita estar acontecendo: perseguição.

“Esta é uma perseguição contra minha pessoa. Ouvi que foi evitado colocar meu nome em razão do desentendimento que tive com uma secretária no ano passado. Isso é um absurdo. Eu erro bastante. Erro muito, mas não gostar de mim é uma coisa e prejudicar atletas é outra. Isso não pode acontecer”, frisou ele.

Miltinho salientou que em 2017quem representou Garça em Osvaldo Cruz foram os ACDs e eles, por sua vez, receberam todo o apoio da Secretaria de Esporte através do então secretário José Luiz Fernandes Tech. A equipe, como frisou o garcense, recebeu todo o suporte necessário, como ônibus, cama, televisão, pessoas para ajudar os cadeirantes, entre outros.

“Se no ano passado pode ajudar, porque nesse ano não? Foi divulgado num blog que a Sejel não tem obrigação de procurar os atletas. Eu já fui cinco vezes nos jogos e faz parte da Sejel sim, fazer esse contato”, argumentou Miltinho.

Outro ponto que foi motivo de questionamento por parte do garcense são os nomes que constavam na lista dos atletas que supostamente deveriam ir para os jogos.

Quatro nomes de atletas com deficiência estavam na referida lista, dentre os quais, segundo Miltinho, três nem foram contatados pela Secretaria.

“Lá tinha os nomes do Alan, do Fábio, César Augusto e Aparecido da Costa. Estes três últimos nem foram contatados e o Allan veio me procurar esses dias, porque estava esperando. Quando ele se deu conta os jogos já tinham acabado. Essa lista foi uma maquiagem e pensaram que eu ia ficar quieto. Porque meu nome não está na lista?”, indagou ele.

Mostrando indignação Miltinho frisou que não tem nada de graça e que os atletas com deficiência tinham o direito de participar dos jogos.

“Eu pago imposto como todo mundo, não tenho nada de graça”, disse ele.

“Quero ver o posicionamento da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência”

Juntamente com o atleta Allan Leite Torres, Miltinho fez uma reclamação na Ouvidoria Municipal e outra na ouvidoria da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e disse que aguarda a resposta que pode definir os próximos passos, como uma representação no Ministério Público.

Em seu questionamento ele coloca que a SEJEL alegou falta de verbas para levar os ACDs, e lembrou o feito de 2017. Ele colocou ainda que Alan fez contato por diversas vezes com a SEJEL, tendo recebido por resposta que a Secretaria não tem obrigação de visar nenhum atleta.

No documento assinado por Miltinho Palmeirense e pelo atleta Alan Leite Torres é questionado a inclusão social e o fato de ter havido condições financeiras para levar os atletas que não possuem deficiência. O fato, afirmam eles, fez com que dos os ACDs se sentisse excluídos.

Miltinho ressaltou ainda o desempenho de atletas garcenses como Cilso (falecido recentemente).

Administração se manifesta sobre o assunto

No último dia 16, a equipe do Garça On Line entrou em contato com a assessoria da Administração para abordar a questão, que mandou resposta na tarde de ontem, conforme segue.

“Tendo em vista o teor do Atendimento Ouvidoria Nº29/2018, de autoria dos Senhores Milton Cezar Costa Fabrício e Alan Leite Torres, cabe-nos informar:

É com muita estranheza que recebemos tais questionamentos sobre o assunto, já que todo o procedimento referente a participação em Jogos Regionais é de conhecimento de ambos e foi tratado diretamente com os mesmos, primeiramente com o Sr. Alan, o único que demostrou interesse em participar dos Jogos Regionais de 2018 e, no dia 06/07/2018, com o Sr. Milton, através de contato por aplicativo de bate papo (doc. Anexos), oportunidade em que todas as dúvidas foram sanadas, inclusive que o único atleta que demostrou interesse em participar estava inscrito e só necessitava passar pela avaliação funcional marcada para o dia 09/07, segunda feira, ás 10 horas, em Marília.

Sobre os fatos narrados referentes ao ano de 2017, realmente os para-atletas participantes ganharam 12 medalhas, sendo 06 de ouro, 05 de prata e 01 de bronze e estiveram presentes na cerimônia de abertura dos Jogos em Osvaldo Cruz.

O reclamante, Sr. Milton, participou de fato como atleta nos Jogos Regionais em Dracena (2012) e Osvaldo Cruz (2017). O fato do mesmo não constar na relação nominal deste ano decorreu da ausência de manifestação deste quanto à sua vontade em participar do evento, que deveria ser expressada antes do término das inscrições, encerradas em 15/06/2018.

Faz-se mister esclarecer que, quando do encerramento das atividades da Associação dos Deficientes de Garça, o Sr. Milton expressou claramente, a minha pessoa, via telefone seu desejo de não participar de mais nada que envolvesse os deficientes desta urbe, afirmando que naquele momento estava entregando as chaves do Centro Esportivo e Social, solicitando que o material da Prefeitura lá existente fosse conferido.

No que diz respeito ao Sr. Alan Leite Torres, ele foi o único que manifestou interesse em participar dos Jogos Regionais de 2018, em Marília, através de contato também via aplicativo de mensagem. Nesta oportunidade, foi informado que o trâmite para participação na referida competição não tinha sofrido alteração e que o calendário dos prazos de inscrição de atletas e confirmação de modalidades era o mesmo dos anos anteriores, esclarecendo que apenas o período de realização das provas é que sofre alteração, entre a primeira e a segunda quinzena do mês de julho. Sobre a informação de que os “atletas” não foram avisados que estavam inscritos, esclareço que a Sejel não possui contato com nenhum deles, já que eles eram associados a extinta ADG, que era a responsável pelo contato com a Secretaria, com o intuito de participarem dos Jogos Regionais. A Sejel, infelizmente, não possuí nenhuma equipe de treinamento para atletas ACD (atleta com deficiência) e não tem nenhum profissional com especialização nessa área em seu quadro de funcionários, impossibilitando dessa maneira o treinamento de desportistas com essas características.

Os Jogos Regionais são disputados em 26 modalidades distintas, sendo que a Sejel disputa regularmente Basquete masculino, Futsal masculino e feminino e Futebol masculino, que são modalidades oferecidas pela Secretaria. Existem outras modalidades que frequentemente participam dos Jogos, como Bocha, Ciclismo, Tênis masculino, Tênis de Mesa masculino e feminino, Vôlei, Vôlei de Praia, etc., mas que não são desenvolvidos como atividade permanente pela Secretaria, até porque não há estrutura humana e física de montar equipes de treinamentos em todas essas modalidades. Nestes casos, a Sejel é procurada por praticantes dessas modalidades que demonstram o interesse em participar dos Jogos representando o município. Apenas após essa manifestação é que a Secretaria de Esportes faz um planejamento de todos os requisitos necessários para tal finalidade e em caso positivo de conseguirmos executar todo o processo necessário para que a equipe de determinada modalidade participe, efetuamos a inscrição da modalidade e acertamos os detalhes de sua participação no evento. De maneira alguma isso acontece ao contrário, ou seja, jamais a Sejel “procura” ou “corre atrás” de alguma modalidade para representar o município nos Jogos Regionais, pois sabemos de toda a responsabilidade que isso envolve. Temos praticantes e atletas de muitas modalidades na cidade: Judô, Malha, Capoeira, Natação, entre outras, que fazem parte da programação oficial dos Jogos e nem por isso há a participação dos mesmos.

No questionamento da inclusão social, salientamos mais uma vez que o Sr. Alan Leite Torres foi o único atleta com deficiência que expressou o desejo de participar dos Jogos Regionais, razão pela qual apenas ele teve sua inscrição realizada por esta secretaria. Confirmamos a participação da cidade na modalidade e passamos a programação para o mesmo no dia 05/07, mas por algum motivo desconhecido, não houve mais nenhum contato de nenhuma forma por parte dele. No dia 06/07, no período da manhã, quem nos procurou foi o Sr. Milton Cezar Costa Fabrício nos questionando sobre a participação ou não dos ACD nos Jogos Regionais deste ano, o qual teve todas suas indagações respondidas. Caso não houvesse a inclusão social a qual ambos se referem, a Sejel não teria confirmado a participação da modalidade nos jogos, que obrigatoriamente foi feita no dia 15/06/18, data limite para confirmação de todas as modalidades em que a cidade se faria representar. Informamos que a cidade é obrigada a recolher uma taxa no valor de R$50,00 (Cinquenta Reais) por cada modalidade inscrita nos Jogos.

Fica claro que em momento algum o foco das indagações e dúvidas por parte dos reclamantes foi o de resolver e acertar a logística de participação do Sr. Alan nos Jogos Regionais, mas sim criar factoides e responsabilizar a Sejel por um fato que jamais aconteceu. Se houvesse realmente a intenção do Sr. Alan em participar da competição o mesmo teria sido convicto em confirmar, já no dia 05/07, que participaria, já que naquela oportunidade trocou mensagens de texto com este subscritos. No entanto, as mensagens eram claras no sentido que que tinha desistido de participar ao dizer “deixa pro ano que vem viu, tem que ter preparo né treinar antes”, ou “tem como ir não, ninguém nos avisou, ainda tem que fazer os exames lá” (Doc. Anexos). Esclareço que já tinha ocorrido contato preliminar com o responsável pelo Departamento de Transporte do município, que já tinha disponibilizado transporte para levar o atleta Alan tanto para avaliação funcional, que aconteceria no dia 09/07, quanto para a competição que seria realizada no dia subsequente; no entanto, as mensagens demonstraram que o atleta tinha desistido de competir.

De momento são essas as informações que a Sejel tem a apresentar. Oportunamente, manifesto minha consideração e apreço, dispondo-me a quaisquer outros esclarecimentos.”

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