ONGs condenam troca de comando do zoológico de Brasília

A nomeação da nova presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília foi criticada nesta segunda-feira (7) pelo Fórum das ONGs Ambientalistas do DF e Entorno. A entidade lançou uma carta aberta ao governador Ibaneis Rocha (MDB), questionando a nomeação de Eleuteria Guerra Pacheco Mendes para o cargo. Ela é técnica em economia doméstica com especialização na área de desenvolvimento rural sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), e até então trabalhava na Emater do Distrito Federal.

Segundo o documento, assinado pela Secretária-Executivo do Fórum, Mônica Veríssimo, “não há indicativo que (a nova presidente) tenha experiência com gestão de Zoológico ou pelo menos formação na área de medicina veterinária ou algo correlato”.

A principal crítica das ONGs é que o governo não manteve o processo de seleção adotado em 2016, após denúncia de interferências políticas do PDT dentro do zoológico, na gestão do governador Rodrigo Rollemberg. Profissionais de todo país puderam se candidatar, e tinham que ter experiência comprovada na área de gestão de zoológicos. O selecionado foi Gerson Norberto, médico veterinário com larga experiência em zoológicos nacionais e internacionais, com treinamento no Smithsonian Institution, nos Estados Unidos e no Jersey Wild Life Trust, na Inglaterra.

Desde então, o zoológico de Brasília assumiu a coordenação nacional de diversos programas de preservação de espécies, como do tamanduá-bandeira e do cachorro vinagre. A instituição também voltou a ser referência mundial no programa de reprodução da ariranha, que estava parado há dez anos. Além disso, a Fundação Jardim Zoológico de Brasília firmou parcerias com oito países.

Gerson Norberto afirma que o novo governador tem autonomia para demiti-lo e escolher um novo gestor, mas questiona o modo de seleção: “Sabíamos que a transição iria acontecer, mas o que assusta é que não leve em consideração os aspectos técnicos. Temos mais de 60 projetos em andamento. E colocam uma pessoa com formação de economia doméstica para cuidar de um zoológico?”.

Zoológico ficou sete dias sem veterinário

Como é de praxe a cada troca de governo, no dia 1° de janeiro a nova administração demitiu todos os cargos de confiança da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, o que corresponde a toda a equipe técnica da instituição. Durante sete dias o zoológico ficou sem veterinário, a cargo apenas dos terceirizados (tratadores e supervisores dos tratadores) e dos concursados, que fazem apenas o trabalho administrativo.

No Diário Oficial desta terça-feira (8), o governo renomeou cinco técnicos: um veterinário, três biólogos e uma zootecnista. A equipe original era composta por 18 profissionais. A maior preocupação agora é com a recomposição desta equipe: “Esperamos que pelo menos o governo tenha sensibilidade para manter a equipe técnica”, afirma Norberto.

O zoológico de Brasília é referência mundial em manejo de animais do cerrado, trabalhando com espécies ameaçadas como o lobo-guará, tamanduá-bandeira e cachorro-vinagre. É a única instituição que trabalha com a menor jararaca do mundo, a cuatiarinha, e também a única que trabalha com o tatu-bola da caatinga. Dos 13 cachorros-vinagre que ainda existem no Brasil, dois estão em Brasília. O zoológico também abriga a única fêmea de tatu-canastra do país.

Além dos cerca de mil animais que vivem permanentemente no local, o zoológico abriga cerca de 200 animais resgatados de atropelamentos ou de traficantes, que sempre que possível são recuperados e devolvidos à natureza.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do governo do Estado, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. Em resposta ao jornal Metrópole, no entanto, Ibaneis Rocha afirmou que recebeu a carta aberta das ONGs, mas manterá a mudança nomeação: “Respeito todas as manifestações, mas acredito no modelo que quero implantar para a administração do Zoológico”, disse ao Metrópole.

FONTE : OECO.ORG.BR

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