Sapateiro. Uma profissão em extinção

Com mais de 40 anos de profissão, o sapateiro José Maria da Silva hoje é a única referência na cidade de Pompeia e um dos poucos que ainda resistem na região no conserto de sapatos masculinos e femininos. Poucos ainda vivem da profissão em nossa região e não há outros profissionais no mercado.

O popular Zé Maria trabalha em Pompeia há 33 anos, mas começou na cidade natal, Oriente, onde trabalhou por outros 11 anos, sendo quatro como aprendiz. Ele começou na profissão aos 12 anos, quando a família ainda morava em um sítio em Oriente, mas relutou.

“Não gostava muito da profissão no início. Eu era muito novo e preferia jogar bola com a garotada no campo de futebol da cidade. Meu pai me mandava para a sapataria para aprender, mas eu ‘fugi’ umas cinco vezes. E sempre meus pais me faziam voltar”, revela Zé Maria.

Aos 58 anos de idade, ele virou a principal referência nas cidades de Pompeia, Oriente, Quintana, Herculândia e outros grandes centros da região como Marília e Tupã. “Até pessoas que moram em São Paulo e têm parentes aqui na cidade trazem sapatos para eu arrumar. Em Marília você acha outros sapateiros, mas me procuram aqui”, contou.

O público feminino representa, segundo ele, cerca de 80% dos clientes. “Homem tem menos sapatos que mulher, né? Homem tem dois pares, quando tem três pares já é difícil achar (quem tenha). Agora mulher tem bem mais sapatos”, disse ele.

Ao longo desse período, o sapateiro afirma que é bom ser reconhecido pela comunidade e diz que em breve deverá reduzir sua carga de trabalho. Ele pretende voltar para Oriente, para passar mais tempo ao lado do filho de 14 anos. Viúvo há seis meses, Zé Maria quer se dedicar mais à família.

“Eu esperava que meu filho herdasse a minha profissão, mas ele não gosta e prefere seguir outro caminho, pelos computadores”, afirmou.

Em relação aos novos produtos nessa área, ele diz que tem muita diferença do tempo quando começou. Antigamente todo sapato era feito pelos sapateiros. Ele e seu mestre chegavam a fabricar 12 botas e sapatões por dia.

“E tudo era feito na mão, até o solado. Você tinha de cortar borracha de pneu para o solado e salto. Hoje em dia vem tudo prontinho, solado, palmilha, o corte do sapato já vem pronto. Ficou mais fácil hoje em dia”.

Entre as dificuldades da profissão, ele diz sentir dores nas costas, por conta das várias horas trabalhando na mesma posição, e também o forte cheiro da cola usada nos consertos. Coisas que fazem Zé Maria pensar em reduzir o ritmo no trabalho.

O sapateiro afirma ainda que todo ano realiza, em média, cerca de 150 doações de pares de sapatos que são esquecidos pelos clientes na loja.

FONTE : PORTAL NC

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