AMIGURUMI: Método trazido do Japão ajuda na reeducação de presos em São Paulo

O projeto Ponto Firme levou uma nova técnica de crochê aos reeducandos da Penitenciária “Desembargador Adriano Marrey”, de Guarulhos: o Amigurumi – ou bichinhos de pelúcia de crochê (“ami”=“tricô” ou “malha” e “nuigurumi”=“bichos de pelúcia”) – método trazido do Japão que ensina a criar bonecos de crochê com agulhas e fios diferenciados.
“Queremos trazer para nossos alunos capacitação em todas as áreas do crochê”, explica o estilista e idealizador do Ponto Firme, Gustavo Silvestre, que desde 2015 ensina crochê a um grupo de presos da penitenciária.
Segundo Silvestre, o Amigurumi trouxe uma nova cara para o crochê. “Os bonecos são personagens divertidos que ajudaram a popularizar o crochê entre crianças e jovens”, explica. E acrescenta: “É uma forma de desmistificar aquela história de que o crochê é só para pessoas mais velhas”. As peças produzidas, como camisas, calças, saias e vestidos, já ganharam as passarelas de duas edições da São Paulo Fashion Week (SPFW). A nova técnica ensinada no projeto irá aperfeiçoar os trabalhos dos reeducandos.

Método diferenciado – De acordo com a professora Márcia Rezende, os alunos aprendem um método diferenciado que aumenta a concentração, estimula a criatividade e melhora a coordenação motora. Paralelamente a isso, a instrutora destaca que fazer crochê previne doenças como a depressão e a ansiedade. “Eles também podem ser multiplicadores da atividade em suas comunidades”, garante a professora.

Tradição oriental – Para o reeducando L.F., aluno do Projeto Ponto Firme, o Amigurumi é uma novidade. Ele já sabia fazer tapetes antes de entrar no projeto. Depois que começou a participar das aulas, aprendeu a fazer roupas e peças mais sofisticadas. Agora, produz também bonecos. “É muito interessante. Você segue as dicas da revista e dá para fazer presentes para quem a gente gosta”, conta.
Segundo a tradição oriental, as peças são feitas para presentear amigos ou pessoas queridas. De acordo com o organizador do projeto, a ideia é seguir o costume e doar os bonecos criados pelos reeducandos para alguma instituição infantil.
Entre os bonecos produzidos pelos reeducandos estão gatos, cachorros, ovelhas, ursos e fadas, dentre outros. Todo o material, como linhas, agulhas e revistas de receitas são doados pela Círculo, empresa parceira que ajuda no projeto.

FONTE : JORNAL NIPPAK

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *