ASSOCIAÇÃO NO NOVA MARILIA MANTEM PROJETOS SOCIAIS, APESAR DA CRISE.

Por Célia Ribeiro

Em quase três décadas, um dos mais importantes projetos de geração de renda da zona sul, a Lavanderia Comunitária do Núcleo Habitacional Nova Marília, passou por poucas e boas. Foram inúmeros desafios desde sua criação pela saudosa Irmã Dilma que sonhou em ver as mulheres ganharem o sustento de suas famílias com dignidade. No entanto, a pandemia do Covid-19 foi um golpe quase fatal que obrigou a paralisação dos trabalhos por duas semanas e, depois, provocou uma queda de 50 por cento nas atividades.

Segundo a líder comunitária e presidente da Associação do Núcleo Nova Marília, Laudite Ferreira Gaia Vieira, das seis mulheres que participavam do projeto só restam três. “Quem tem mais de 60 anos não pode ficar aqui. Eu, mesma, só venho de quarta-feira para ajudar a fazer o pão. As outras estão em casa”, explicou.

Em média, descontados os custos, elas recebiam um salário mínimo e uma cesta básica, por mês. Atualmente, o valor nem chega a isso porque dos 500 quilos semanais de roupa lavada e passada, o movimento caiu para 250 a 280 quilos. Nos bons tempos, a lavanderia chegou a registrar 700 quilos por semana.

Segundo Laudite Ferreira, “acompanhamos o horário de atendimento definido pela Prefeitura. Elas chegam às 10h e vão embora às 16h, no máximo às 17h. Atendemos com meia porta aberta”. Quem chega é atendido na entrada onde as roupas são pesadas e preenchidos os formulários de controle e, de acordo com a líder comunitária, “todo mundo está protegido com máscaras. Para algumas roupas elas usam luvas também”.

Afastadas por estarem na faixa de risco para o Covid-19, as outras três mulheres ficaram sem fonte de renda. “Estão sobrevivendo como Deus sabe”, assinalou a líder comunitária, acrescentando que as que permaneceram no projeto ganham menos de um salário mínimo e não têm mais a cesta básica de outrora.

O horário reduzido complicou a rotina do trabalho. Afinal, quando iniciam a lavagem das roupas, as trabalhadoras precisam seguir todas as etapas até a fase de passar a ferro. Além disso, houve uma queda no número de clientes. De acordo com Laudite Vieira, “nesta quarentena tem muita gente em casa, onde estão lavando as suas roupas. A gente não vê mais muitos clientes que vinham toda semana. Eles desapareceram”.

Ela observou que diante do crescimento dos casos do novo coronavírus em Marília, “muita gente está evitando sair de casa e vir aqui para trazer e buscar as roupas. E isso também afetou o nosso serviço”.

MARMITAS

Católica fervorosa, a líder comunitária afirmou que de um jeito ou de outro, muitas famílias estão com dificuldade e que é preciso olhar, também, para quem não tem nada. Por isso, a cozinha da lavanderia comunitária está sendo utilizada por um grupo de voluntários para a produção de 100 marmitas, semanalmente. Elas são doadas aos moradores em situação de rua toda quarta-feira à noite.

Perguntada sobre essa ação solidária, Laudite Vieira disse que “não é fácil deixar nossos irmãos de rua sem comida numa época como essa”. Ela contou que arroz, feijão, massas, legumes, verduras e carnes são doados pela comunidade: “Nós pedimos verduras no Ceagesp e também para nossos amigos nos ajudarem. Graças a Deus, estamos conseguimos fazer 100 marmitas, e às vezes, até mais, toda quarta-feira”, assinalou.

Além da comida quentinha e bem temperada, os voluntários entregam máscaras para as pessoas em situação de rua “para que também estejam protegidos. Nós pedimos e algumas pessoas estão fazendo máscaras para doarmos junto com as marmitas”, finalizou.

Quem quiser colaborar com essa ação, iniciada há três meses, pode entrar em contato pelo telefone (14) 34176928. A lavanderia Comunitária está localizada à Rua Nair Rosilio Gutierrez, 65, em frente à Paróquia de Santa Rita, no Núcleo Nova Marília.

Foto: Reportagem publicada na edição de 21.06.2020 do Jornal da Manhã

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