Bolha de isolamento da Vila Olímpica já foi “furada”, diz especialista

A bolha de isolamento que os organizadores da Olimpíada planejaram na Vila Olímpica para controlar a Covid-19 já foi furada, e há o risco de que as infecções se espalhem mais amplamente dentro dela, afirmou um proeminente especialista de saúde pública na terça-feira (20).

Autoridades dos Jogos relataram no domingo o primeiro caso de coronavírus entre competidores na Vila Olímpica de Tóquio, onde 11.000 atletas devem se hospedar. Houve mais de 70 casos detectados entre os credenciados para os Jogos desde 1º de julho, disseram os organizadores na terça-feira.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, afirmou semana passada que os testes e os protocolos de quarentena significariam risco “zero” de que participantes dos Jogos infectassem moradores do Japão.
Kenji Shibuya, ex-diretor do Instituto de Saúde da População no King’s College, de Londres, disse que essas declarações servem apenas para confundir e irritar pessoas, pois as condições são “totalmente opostas”.

“É óbvio que o sistema de bolha já está meio quebrado”, disse Shibuya, que em abril foi co-autor de um comentário no British Medical Journal dizendo que a Olimpíada deveria ser “reconsiderada” devido à inabilidade do Japão de conter os casos de coronavírus.

“Minha principal preocupação é, claro, que haverá um foco de infecções na vila ou em algumas das acomodações e interações com a população local.”

Testes insuficientes na fronteira da bolha e a impossibilidade de controlar o movimento das pessoas significam que os Jogos podem exacerbar a disseminação da variante Delta do vírus, disse.

Relatos contínuos de casos que não foram detectados no aeroporto e vídeos mostrando interações entre atletas, funcionários e jornalistas aumentam as preocupações de que transmissões por via aérea ocorrerão na vila e nos locais de competição, acrescentou.

JORNALISTAS DECEPCIONADOS

Repórteres estrangeiros cobrindo a Olimpíada de Tóquio ficaram surpresos ao descobrir que o que pensavam que era uma chance de fazer reportagens fora da “bolha” da imprensa foi na verdade um passeio turístico socialmente distanciado.

Com a esperança de cobrir a Tóquio além dos Jogos na segunda-feira, foram transportados por apressados organizadores de um ponto turístico vazio para outro durante duas horas.

Repórteres estrangeiros, praticamente confinados pelas regras de Covid-19 a seus hotéis e instalações olímpicas, já se irritaram com medidas como rastreamento por GPS e proibição de entrevistar pessoas comuns.

Alguns veículos japoneses, por outro lado, têm vigiado visitantes para ver se eles quebram a quarentena.

Com a cerimônia de abertura na sexta-feira, organizadores dizem que as limitações são uma maneira justa para o Japão enfrentar a disseminação da pandemia. Veículos estrangeiros protestaram que elas restringem a sua liberdade de imprensa, segundo a agência de notícias Kyodo.

Mikai Asai, da Diretoria de Turismo do Japão, afirmou que a ideia era dar aos confinados repórteres um tempo livre para explorar a capital com segurança.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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