Bolsonaro é o primeiro presidente brasileiro a admitir a Operação Condor

A repentina referência de Bolsonaro à embuçada Operação Condor, sem que fosse perguntado sobre ela, não é um ato de contrição, muito menos uma tardia e compungida frase de remorso diante do terrorismo de Estado que assombrou o Cone Sul há cinco décadas. A citação em tom de elogio parece mais o escorregão habitual de quem tem a língua sem controle e um desapego incondicional à inteligência. Na verdade, o nostálgico capitão agora lembra da Condor pelo que ela tem de pior. Em março de 2014, quando era apenas um deputado do baixo clero no sétimo e derradeiro mandato de sua estéril carreira parlamentar (só dois projetos de lei e uma única emenda constitucional aprovados em 27 anos como deputado), ainda sem aparecer como um improvável e ameaçador presidente dali a quatro anos, Bolsonaro já clamava por uma nova “Mercosul do Terror”, instigando uma ressuscitada conexão militar de repressão entre os vizinhos do Cone Sul: “Chegará o momento em que um novo 31 de março, ou uma nova Operação Condor, não serão suficientes para impedir o Brasil e a América Latina de serem lançados nos braços do comunismo”, suspirava.

FONTE : CONGRESSO EM FOCO (UOL)

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