Caçambas desaparecem e empresários denunciam novo golpe no município

Uma nova modalidade de golpe e furto tem vitimado donos de locadoras de caçambas em Bauru. De acordo com a Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados (Asten), ao menos sete empresários relatam que, após alugarem as caçambas, tiveram o equipamento levado. Os crimes ocorreram nos últimos dias no Tangarás, Jardim Helena, Núcleo Gasparini e Jardim Manchester e, no mínimo, nove caçambas já desapareceram. O grupo criminoso até pinta o dispositivo antes de levá-lo embora.

De acordo com relatos das vítimas, um homem liga para as empresas solicitando o aluguel das caçambas, porque precisa demolir a construção de um terreno que comprou. Então, durante o período de locação, que é de sete dias, o equipamento desaparece. 

O alerta começou quando um dos empresários descobriu ter sido vítima do crime e decidiu avisar em um grupo de caçambeiros a situação que havia passado. Lá, os proprietários de várias outras empresas haviam alugado seus equipamentos para um homem que contou a mesma história e, por isso, decidiram verificar a situação dessas caçambas.

GRUPO ESPECIALIZADO

Conforme conta Paulo Ogata, proprietário de um desses estabelecimentos e que perdeu duas caçambas, as vítimas acreditam que o crime tenha sido cometido por um grupo especializado. “Para transportar uma caçamba, é necessário um equipamento específico, porque é um material pesado. Ou usaram um caminhão poliguindaste ou algum tipo de guincho”, analisa. O equipamento vazio pesa em torno de 300 quilos.

“Em algumas empresas diferentes, aconteceu até de ser informado o mesmo endereço. Ele também apresentou o mesmo discurso”, descreve. “Como cada caçamba pode ficar até sete dias em uma obra, acabamos não percebendo a tempo”, conta Paulo.

Conforme o JC apurou com os empresários, foram relatados nove furtos, gerando um prejuízo total que pode chegar a R$ 36 mil.

Luciana Mistroni Ramos, proprietária de outra empresa, também teve duas caçambas furtadas. Ela conta que o modo de operação não levantou quaisquer suspeitas. “O modo que ele pediu e conversou foi como qualquer cliente. Inclusive, tinha uma pessoa no endereço esperando a caçamba chegar. Então, o motorista nem suspeitou. Simplesmente entregou a caçamba”, descreve.

Apenas uma ação das sete foi testemunhada. “Um vizinho contou a um dos empresários que, assim que a caçamba foi colocada no chão e o motorista foi embora, eles pintaram o nome da empresa e a colocaram em cima de um caminhão. Depois, levaram embora”, relata Luciana. “Essa pessoa até questionou a situação, mas os homens disseram que a pintura tinha sido solicitada pela empresa proprietária”.

‘Nunca havia acontecido algo assim’

Segundo o presidente da Asten, Eusébio Giraldes de Carvalho Junior, a associação foi informada da situação e pediu que as vítimas registrassem o boletim de ocorrência (BO). “A gente foi pego de surpresa, porque isso nunca havia acontecido. Para nós, em Bauru, é novidade”, relata. “Até entrei em contato com o nosso departamento jurídico para avaliar de que forma podemos proceder em relação à isso”, finaliza Eusébio.

Ao JC, um dos empresários afirmou que formalizou a denúncia pela Delegacia Eletrônica nesta quarta-feira (9) e os outros disseram que também o fariam nos próximos dias.

Por conta disso, a Polícia Civil informou que todos os casos serão investigados assim que os boletins de ocorrência forem registrados. O órgão adiantou, contudo, que fez um levantamento em seu banco de dados e não encontrou crimes semelhantes, o que realmente indica que este é uma modalidade nova na cidade.

FONTE : JC NET

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