Cancelamento de voos também afeta brasileiros no Japão

As restrições aéreas impostas por vários países e a falta de passageiros devido à pandemia de coronavírus têm gerado cancelamentos de voos e muito transtorno às pessoas que pretendiam viajar ou que já tinham comprado uma passagem.

As agências de viagens que atendem brasileiros no Japão têm feito o possível para resolver o problema, mas elas dependem das determinações das companhias aéreas, que costumam fazer cancelamentos de última hora e mudam as regras frequentemente.
Na agência Air Ticket Center, em Tóquio, Alice Matsuoka disse que tem feito de tudo para transferir passageiros de voos cancelados para outras datas.

“Uma família iria embarcar hoje para o Brasil só com passagem de ida. Essas pessoas se desfizeram de tudo para voltar. Estavam preocupadas.

Mas conseguimos transferir a data da partida para quarta-feira (25), pela Turkish Airlines, via Istambul. E o mais interessante é que é uma das poucas companhias que cada pessoa pode levar duas malas de até 32 quilos”, relata.

Mas muitos passageiros estão tensos e um deles chegou a dizer que iria processar a companhia aérea pelo cancelamento de um voo. Sobre isso, Alice explica: “Existem companhias aéreas que estão aceitando cancelamento por parte de passageiros, sem cobrar a multa por cancelamento”.

Em geral, segundo Alice, se a companhia aérea cancela o voo, ela tem que devolver o valor da passagem integral aos passageiros. Mas se o passageiro cancela, sabendo que o voo partirá, a multa será cobrada. “E no caso, se o país de destino está proibindo a entrada de passageiros, a companhia aérea não poderá voar nem cobrar a multa. Felizmente temos conseguido colocar os passageiros em outros voos”, afirma.

Patricia Goshomoto, consultora de vendas da Nichiyu Internacional, disse que as companhias aéreas estão avisando as mudanças nos voos com pouca antecedência. “Por exemplo, tivemos uma mudança de rota de um voo dois dias antes da viagem”, diz. “Buscamos informar os clientes da melhor forma possível, conforme a aproximação da data de viagem. Vale lembrar que as decisões são de cada país. O Brasil, por exemplo, fechou temporariamente a entrada para estrangeiros e não para brasileiros.”

“A cada dia as regras estão sendo alteradas”“Os passageiros têm que entender que neste momento tudo está sujeito a alteração, seja para melhor ou para pior. Por enquanto está sendo para pior”, disse Nelson Shuto, da Tunibra. Segundo ele, nem a companhia aérea nem a agência de viagem não têm como dizer como as coisas serão daqui em diante. “A cada dia as regras estão sendo alteradas. Pode ser que chegue ao extremo de nenhuma companhia aérea operar”, alerta.

Arnaldo Shiowaki, diretor da Alfainter, também destacou esse problema. “Cada companhia aérea está adotando uma política diferente e esse regulamento tem mudado diariamente. Ou seja, a situação de um cliente de um dia atrás pode ser diferente de outro de hoje”, disse. 

Os voos não são cancelados por culpa da companhia aérea e muito menos pelas agências de viagens, segundo Yuji Ota, da Unitour de Nagoia (Aichi). “O fato é que poucos japoneses estão viajando, por receio”, explica. 

Para os passageiros que estão planejando viajar em abril, a Unitour tem recomendado que deixem para mais tarde. “Ficando todos cientes de que ainda assim poderá haver cancelamentos”, disse. 

A operadora Rosane Machado, da Aerotour, explica que as agências de viagens estão no meio do fogo cerrado, tendo que orientar da melhor maneira os passageiros inconformados com o cancelamento de seus voos.

“Entendo o lado do passageiro, que planejou sua viagem. Entendo o lado da companhia aérea, que não tem como voar, quando vários países estão restringindo a entrada de passageiros de voos internacionais. Mas tem o nosso lado também”, explica. 

Antes da pandemia do coronavírus, as companhias aéreas davam uma tolerância para o passageiro embarcar quando um voo era cancelado.

Hoje elas estão emitindo um voucher, que é um comprovante do serviço já pago, o qual poderá ser usado em diferentes períodos, dependendo de cada companhia aérea.

Aí surge outro problema. Esse período pode ser de um ano ou antes disso. “O voucher é emitido no valor pago da passagem e é intransferível. Além disso, esse setor tem a alta e a baixa temporada, que faz com que os preços das passagens variem. Dependendo de quando a pessoa for viajar, ela terá que pagar a diferença”, explica Rosane.

Situação sem precedentes“Vemos que a cada dia, os passageiros têm menos opções de voos”, afirma Angela Kamata, da Nambei Travel. “Estou há 12 anos trabalhando no setor e nunca vi nada parecido. Estamos tentando acalmar os clientes ao máximo.”

Nesse momento, Angela aconselha a viajar somente em caso de extrema necessidade. “Nessa atual situação, muitas vezes é melhor que o passageiro fique aqui. O dinheiro será devolvido ou ele pode remarcar a viagem para outra época.”

Yoshie Ishikawa, da Gema International, explica que a situação dos voos tem mudado diariamente. “Buscamos informar todos aos nossos clientes, como imigração, quarentena e de como está a situação aqui no Japão, verificamos a situação de cada um. Também estamos com muitos passageiros com embarque no Brasil.”

Cecilia Tanaka, da Brasil Turismo, disse que já não é possível encontrar mais vagas para o mês de março. “Por exemplo, pela Europa não tem mais voos, então, o problema não é somente no Brasil.”

“A situação está totalmente imprevisível. As mudanças estão sendo muito rápidas”, afirmou.

Sandra Obara, da agência São Paulo, de Nagoia (Aichi), disse que o maior problema está sendo informar aos passageiros e aguardar por uma decisão deles sobre um cancelamento com reembolso integral ou alteração de data de voo. “Uma vez alterada a data, ela só poderá ser modificada novamente mediante confirmação de pagamento de multa pela alteração e/ou cancelamento”, explica.

Muitos passageiros estão optando por esperar que a decisão do cancelamento venha da companhia aérea para que possam receber o valor integral da passagem. “Mesmo assim, alguns passageiros, que são a minoria, não querem esperar e acabam por ter um reembolso parcial do valor pago”, afirma. O valor da multa de cancelamento depende de cada companhia área, já que tem uma tabela com regras.

Os que estão cancelando suas passagens agora precisam escolher uma nova data, caso contrário não é possível fazer alteração do dia do voo. “E esclarecemos ainda que no caso de alteração de datas, estas devem ser feitas até o mês de dezembro deste ano”, explica Sandra, citando que, com todas as orientações os passageiros até agora têm entendido a situação.

“Está difícil prever como será o retorno”Era para ser uma viagem em família, com data certa para terminar. Mas durante o passeio por Tóquio, o produtor de projetos de arte e cultura, Jo Takahashi , ficou sabendo das medidas restritivas adotadas por vários países e, por consequência, do cancelamento de diversos voos.

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