Centro de Estudos Nipo-Brasileiros conclui pesquisa sobre associações nikkeis

Após dois anos e meio, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (CENB) apresentou, no final de novembro, na Japan House São Paulo, o resultado da pesquisa “A situação atual das comunidades japonesas no Brasil – Um país de sociedade multicultural”. “Pode-se considerar que existam pelo menos 437 associações nipo-brasileiras no país”, afirmou a representante do CENB, Tamiko Hosokawa. Ela revelou em números as condições das associações nipo-brasileiras locais, fonte de orgulho dos descendentes de japoneses e que sobreviveram mesmo com a troca de gerações. A pesquisa investigou a fundo a comunidade nipo-brasileira, estudo que não era feito desde o censo realizado durante as comemorações dos 80 anos de imigração japonesa no Brasil, há trinta anos.
Até então, sabia-se superficialmente que havia cerca de 400 associações nipo-brasileiras locais, mas com o movimento decasségui e consequente esvaziamento, o número de membros sofreu redução expressiva. O presente estudo fornece uma imagem real dessa situação.
Na investigação anterior, o número de associações era de 531 e dessas, 450 foram visitadas; como resultado, informações promissoras foram obtidas de 437 delas. Contrataram 16 pesquisadores que visitaram os locais em dois anos e meio, fazendo 142 perguntas. “Como eram muitas perguntas, levávamos cerca de três a quatro horas em cada associação”. Inseriram essas informações em um banco de dados e analisaram rigorosamente cortes por vários ângulos.

Futuro – Sobre o funcionamento das associações, 5% responderam “muito ativamente”, 10% “ativo” e 43% “normal”, totalizando 60% (cerca de 250 associações) em funcionamento.
Por outro lado, 33% responderam “temos alguns problemas e não sabemos como será no futuro” e 9% “temos muitos problemas e estamos encaminhando para o fechamento da associação”, totalizando 42% (cerca de 180 associações) em situação instável. Associações que estão prestes a fechar suas portas contabilizam 9% (cerca de 40 associações), questão que não pode ser ignorada.
O estado de São Paulo concentra 255 associações (58%) das 436 existentes no país. Apenas na capital paulista, há 44 (10%). Em segundo lugar fica o Paraná, com 77 (18%), em terceiro, Mato Grosso do Sul com 23 (5%), em quarto o estado do Rio de Janeiro com 19, seguido por Minas Gerais com 12, Bahia com 10, Santa Catarina com 9 e Pará com 6. Sobre a geração de presidentes, 15% são compostos por isseis, 61% por nisseis, 33% por sanseis e 2% por não descendentes. A faixa etária foi de 65% para mais de 60 anos e 6% para mais de 80 anos. A faixa de jovens presidentes, entre 40 a 59 anos, foi de 33%.
A maioria das associações, 66%, possuem menos de 99 famílias como membros. Aquelas que possuem entre 100 a 299 famílias associadas constam como 26%, e poucas são de grande porte, com mais de 300 famílias associadas, mas existe 9 delas com mais de 500 famílias. Aquelas que admitiram possuir associados não descendentes foi de 61%, enquanto 39% possuem apenas associados nikkeis. Observando a diretoria das associações, 99% são de nikkeis.

Resultado foi apresentado no final do ano passado na Japan House São Paulo - NIKKEY SHIMBUN
Resultado foi apresentado no final do ano passado na Japan House São Paulo – NIKKEY SHIMBUN

“Sangue japonês” – Segundo o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, 90% das associações possuem um kaikan (sede da associação) e 62% realizaram reformas ou obras de expansão nos últimos cinco anos. A área somada desses terrenos alcança 190,2 milhões de metros quadrados, maior do que a cidade de São Caetano (153,3 milhões de metros quadrados). A área construída é de 550 mil metros quadrados, uma média de 1.568 metros quadrados. Em um cálculo simples, 31 metros vezes 50 metros é igual a 1.550 metros quadrados, por isso a maioria dos kaikans são grandes. “Como consequência, em localidades do interior, é comum que seja a única instalação cultural da cidade”, disse.
A língua usada nas reuniões das associações foi esmagadoramente a língua portuguesa, com 80%. A minoria, que utiliza a língua japonesa, foi 7%, enquanto as que usam as duas línguas, 13%. As associações que possuem escola de língua japonesa contabilizam 139, enquanto 193 já tiveram uma. É nítido e cruel o fato de que a língua japonesa está desaparecendo. Ainda, em 70% das associações havia um departamento de senhoras (fujinbu), mas em 78% delas não havia um departamento de jovens (seinenbu). Os números criam preocupação em relação ao futuro.
Para a pergunta “Você tem orgulho de ter sangue japonês?”, a porcentagem de pessoas que responderam “sim” foi de 97% entre os isseis, 96% entre os nisseis, 98% entre os sanseis e 98% entre os yonseis, com uma média de 97%, mostrando que “a maioria tem orgulho, independentemente da geração”.
Sobre a anuidade da associação, 56 delas (14%) é gratuita, 122 (30%) cobram de 1 a 120 reais, enquanto a maioria, 203 (50%) cobra de 121 a 600 reais. Ainda, 27 (6%) cobram mais de 601 reais.

Consciência nikkei – Sobre a pergunta “Você se considera parte da comunidade nipo-brasileira?”, aqueles que responderam “sim” correspondem a 93 % entre os isseis, 78% entre os nisseis, 72% entre os sanseis e 86% entre os yonseis, com média de 77%. Em comparação com a diminuição de pertencimento entre os nisseis e sanseis, foi interessante ver que entre os yonseis essa consciência aumentou.
Sobre o motivo da alta consciência nikkei ser mantida, a apresentadora concluiu: “Graças à atuação de vários kaikans locais, o valor do orgulho de ser descendente de japoneses foi amplamente difundido. Isso ocorreu graças a tolerância de um país como o Brasil. Devemos ser gratos”.
Yasushi Noguchi, cônsul-geral do Japão em São Paulo, cumprimentou: “Sob a forte diretriz do primeiro-ministro Abe e do governo japonês, temos a intenção de fortalecer a relação e a cooperação com as associações nipo-brasileiras”.
Perguntada sobre como estimular a atuação da colônia, Tamie Hosokawa respondeu: “É preciso presidentes com senso de liderança”, “Há muitas regiões sem uma federação de associações, isolando-as. Também é preciso uma rede de contatos entre as associações de todo o país, usando a internet”.
O relatório final está previsto para ser publicado, se possível, ainda este ano, nos sites do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros e do Nikkeyweb.

FONTE : JORNAL NIPPAK

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