Com apenas 15 anos, Jorginho já estreava pelo profissional do MAC

Ídolo do Palmeiras na década de 80, Jorge Antônio Putinatti é considerado por muitos a maior revelação da história do Marília Atlético Clube (MAC). O que talvez poucos saibam é que Jorginho estreou pelo profissional do Alviceleste com apenas 15 anos – a nove dias de completar 16 (23 de agosto) – sendo possivelmente o jogador mais jovem a vestir a camisa do time principal em seus 78 anos de fundação.

De acordo com o extinto jornal Correio de Marília, o primeiro jogo profissional do meia-atacante pelo MAC aconteceu no dia 14 de agosto de 1975, no estádio Antônio Storti, em Taquaritinga, contra a e equipe da casa, válido por um amistoso. O Marília venceu por 2 a 1 e a ‘grande’ revelação maqueana entrou no segundo tempo, no lugar do atacante Roberto, autor de um dos gols da partida (o outro foi anotado por Wilsinho).

O responsável por promover Jorge Putinatti ao time principal foi o técnico deste confronto era Antônio Maria Pupo Gimenez, o “Cocó”, que comandou o clube neste período.

“Confesso que não me lembrava quando havia sido minha estreia no profissional. Lembro que foi em 1975. Nesse ano entrava de vez em quando nos jogos, o que era normal, porque eu só tinha 15 anos e na época tinha muita gente boa. Sempre que o ‘seo’ Pupo (Gimenez) podia ele me levava para o profissional. Nos treinos, o juvenil também jogava bastante contra o time principal”, lembrou Jorginho, em entrevista à reportagem JM.

A escalação maqueana na estreia do garoto de apenas 15 anos teve: Julinho; Carlos Roberto, Antônio Carlos, Tinho e Marcelo; Toninho II e Nivaldo; Toninho I (Baiano), Wilsinho, Roberto (Jorginho) e Ferreira (Larri). Técnico: Pupo Gimenez “Cocó”.

De acordo com informações dos jornais da cidade, Jorge Antônio Putinatti realizou 95 partidas pelo profissional do MAC entre 1975 e 1979. Contudo, esse número pode chegar a 107, pois 12 fichas técnicas desse período não possuem escalação.

1º gol e profissional em definitivo – Também segundo os jornais, Jorginho marcou 23 gols com a camisa maqueana (número pode ser maior por conta das fichas incompletas) e o primeiro anotado pelo clube de sua cidade natal, ocorreu justamente no clássico contra o maior rival: o Noroeste, no estádio Bento de Abreu, pela 10ª rodada do Torneio José Ermírio de Moraes.

Na vitória por 3 a 1, no dia 8 de outubro de 1975, Putinati foi titular e balançou as redes aos quatro minutos do segundo tempo. Os outros dois foram assinalados pelo atacante Roberto.

A escalação dessa partida teve: Neuri; Marcelo, Antônio Carlos, Tinho e Valdemir; Carlos Roberto e Nivaldo; Jorginho, Wilsinho, Roberto e Ferreira (Benê). Técnico: Pupo Gimenez “Cocó”. A promessa maqueana, já com 16 anos completados, disse não se lembrar desse jogo, mas se recordou da partida em que acabou efetivado no profissional maqueano e nunca mais voltou a jogar no time de base.

A efetivação no profissional do MAC ocorreu em sua 59ª partida (com 18 anos de idade), no dia 28 de maio de 1978, pelo Torneio Incentivo. Em um jogo no estádio Lancha Filho, em Franca, diante da Francana, Jorginho marcou os três gols da vitória por 3 a 1, sendo todos no segundo tempo (aos 18, 28 e 34 minutos).

“Estava em Londrina-PR com o juvenil – time se preparava para a Taça São Paulo Junior de 1979 – e foram me buscar para esse jogo em Franca. Marquei os três gols do jogo depois disso nunca mais voltei ao juvenil, estava sempre com a equipe profissional”.

Os três gols contra a Francana foi a única vez que Jorge Putinatti marcou três gols em uma só partida pelo Marília. A escalação maqueana do duelo em Franca teve: Zecão; Marcelo, Rubão (Renatão), Clodoaldo e Zeca; Zé Rubens (Chain) e Ademir Mineiro; Edinho, Jorginho, Gilson e Ferreira. Técnico: Norberto Lopes.

Auge e despedida – Foi no Paulistão de 1978 que Jorginho alcançou seu auge pelo Marília. Já com 19 anos, ele foi um dos protagonistas, ao lado de Serginho e Ferreira, da equipe que não passou da 1ª fase, mas que venceu o Palmeiras no Palestra Itália (2 a 0) e que ganhou do Corinthians no Pacaembu (3 a 2), marcando o terceiro gol de pênalti, aos 23 minutos do segundo tempo. Nesta edição, o meia-atacante disputou 26 jogos e fez cinco gols.

No entanto, para Jorge Putinatti, o jogo mais inesquecível pelo Alviceleste foi no Paulistão de 1979, em uma das suas últimas partidas pelo clube, antes de se transferir para o Palmeiras. A partida citada foi o 4 a 4 diante da Ponte Preta, no Abreuzão, no dia 24 de fevereiro.

Na ocasião, o Marília vencia por 4 a 2 até os 36 minutos do segundo tempo, com Jorginho tendo marcado duas vezes (38 do 1º tempo e aos 28 do 2º de pênalti), mas Osvaldo (aos 37) e Wilsinho (aos 45) empataram para o time campineiro.

A última partida de Jorginho pelo Alviceleste foi no Paulistão de 1979 (28 de março), no Bento de Abreu, na vitória de 1 a 0 sobre o Comercial. Após o estadual, o lateral-esquerdo Reinaldo, os pontas Jair e Luís Sílvio; e Jorge Putinatti foram para o Palmeiras. “No começo fui emprestado. O Jair, o Luís Sílvio e o Reinaldo foram vendidos, mas eu não. Talvez na época o Pedro Pavão (presidente) queria mais dinheiro pelo meu passe”.

Como parte do acordo na negociação, o Palmeiras veio disputar um amistoso no Abreuzão com time misto, no dia 10 de junho de 1979. Reinaldo, Luís Sílvio, Jair e Jorginho foram titulares pelo Verdão, mas o MAC ganhou por 2 a 0, com gols de Ferreira e Pedro Rodrigues.

Quase voltou para o MAC – Jorge Antônio Putinatti lembrou que no começo não teve muitas oportunidades no Palmeiras e que quase voltou para o Marília. “Muitas vezes não ficava nem no banco. Cheguei a dizer para minha mãe que eu iria voltar, porque no MAC eu sabia que jogaria. Com 19 anos eu queria era jogar, mas felizmente minha mãe pediu para eu ter calma e acabei ficando”, lembrou.

Um dos motivos para Jorginho demorar na adaptação no Verdão foi seu posicionamento.

“Cheguei para jogar de centroavante. Eu vestia a camisa 9 no Marília, mas nunca fui um centroavante. Jogava no ataque, mas nunca de costas para o gol e dentro da área. Tinha liberdade para me movimentar na frente. Foi somente quando o Telê Santana chegou, que ele me colocou de ponta-direita, mas fechando muitas vezes por dentro, pois nunca fui um ponta driblador, que ia para o um contra um com o adversário. Minha característica era mais de passador”.

Sem oportunidades no MAC – Jorginho encerrou a carreira de atleta em 1990, no Nagoya Grampus Eight, do Japão. O ex-jogador revelou que nunca recebeu um convite para trabalhar no MAC. “Teve uma vez que o Hely Bíscaro (ex-presidente) me chamou para ser técnico, mas eu tinha acabado de voltar do Japão depois de sete anos, estava me readaptando ao Brasil e pedi um tempo a ele, mas logo depois já não era mais o presidente”.

O ex-jogador disse não saber explicar o motivo de nunca ter sido chamado por nenhuma das diretorias até os dias de hoje. “Acho que não sou uma pessoa muito boa (risos), pois nunca me chamaram para nada. Claro que nunca me ofereci, mas no fundo eu queria fazer parte de algo e nunca tive a oportunidade. Hoje eu não penso e nem quero mais nada no futebol, tenho outros planos, mas sempre que posso vou ao estádio ver o Marília jogar”.

Jorge Antônio Putinatti tem 60 anos, atualmente trabalha como representante comercial e disse que o MAC sempre será o clube do coração. “O MAC para mim e acredito que para todo o mariliense, sempre vai estar em 1º lugar. Fiz história no Palmeiras, mas meu primeiro time é o Marília. Lembro que quando já estava no Palmeiras, vinha pouco à cidade enfrentar o MAC. O Rubens Minelli (técnico) sabia da minha identificação com o clube e sempre me liberava dos jogos e isso fazia eu me sentir melhor. Não queria ser o responsável por uma eventual derrota do MAC”, finalizou.

FONTE : JORNAL DA MANHÃ

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