COM VOLUNTÁRIOS NA FAIXA DE RISCO, PROJETO “AMOR SOLIDÁRIO” PARALISOU ATIVIDADES.

Por Célia Ribeiro

O ano de 2020 prometia: além da ampliação da cozinha, novos itens foram introduzidos ao cardápio para fidelizar a clientela. No entanto, a pandemia do Covid-19 não deixou alternativa que não a suspensão das atividades da padaria “Delícias do Amor Solidário” que, desde 2010, gerava renda em prol do Hospital Espírita de Marília (HEM).

Um grupo de voluntárias e voluntários madrugava, toda quinta-feira, para abrir a padaria, localizada ao lado do hospital. Com a lista de pedidos recebidos pelo grupo de WhatsApp, todos se empenhavam para produzir, embalar e entregar as encomendas que rendiam entre mil e 1,2 mil reais por semana. Outros se encarregavam da limpeza do local.

Segundo uma das integrantes do grupo, Sílvia Schauer, dois fatores foram determinantes para a suspensão das atividades: com a decretação do estado de calamidade pública que imprimiu medidas rigorosas de isolamento social, os voluntários na faixa de risco, acima de 60 anos, não tinham como participar. Além disso, os clientes tradicionais (funcionários de empresas, escritórios de advocacia, comércio etc) também reduziram os pedidos porque muitos estabelecimentos estavam fechados.

Ela explicou que a entrega era realizada de porta em porta. Uma equipe de voluntários contribuía levando os pedidos, como pães, esfirras, bolos, tortas, rocamboles, entre outros, diretamente aos clientes. Com a pandemia e o risco de contaminação pelo Covid-19, esses voluntários também estavam receosos em circular pela cidade.

No grupo de voluntários da padaria “Delícias do Amor Solidário”, embora houvesse muitos profissionais da ativa, a maioria era formada por aposentados, alguns com até 80 anos. Por isso, o reflexo do isolamento social foi ainda mais impactante. “Trabalhamos até o início de março. Mas, quando surgiram as primeiras notícias de casos no Brasil, antes mesmo da quarentena, muitos já estavam muito preocupados e com medo”, comentou.

Sílvia disse que a pandemia chegou em uma fase que se esperava animadora. Foram introduzidas ao cardápio várias novidades como o pão mineiro que levava queijo na massa e no recheio, pão integral com batata doce e grãos, pão vegano, tortas de banana e de goiabada etc. Os mais pedidos, como esfirra, pães, tortas doces e salgadas, também eram oferecidos com vários recheios ampliando as opções, semanalmente.

ESPERA

Sílvia afirmou que a prioridade da renda da padaria era o atendimento aos pacientes SUS e moradores que recebiam enxovais, cobertores, roupas de inverno etc. Após contribuir com várias áreas do hospital, o projeto, ultimamente, auxiliava “no que eles estavam precisando”, citando o exemplo da aquisição de utensílios de cozinha que foram adquiridos com esse dinheiro e doados para o HEM.

Ela finalizou dizendo sentir-se impotente diante dessa situação: “É uma sensação muito estranha. Tínhamos o hábito de estar ali ajudando, socorrendo o hospital e agora estamos de mãos atadas, sem poder fazer nada”. Sílvia, assim como outros voluntários, espera que essa fase passe depressa para darem continuidade ao projeto.

Fonte: Reportagem publicada na edição de 28.06.2020 do Jornal da Manhã

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