Drones ajudam a monitorar áreas remotas da Amazônia

O uso de novas tecnologias para a conservação da natureza é uma tendência irreversível, presente no mundo inteiro. A utilização de armadilhas fotográficas, big data, sensores de ruído, fotos de satélites e tagueamento de animais ameaçados tem facilitado o trabalho de diversos defensores da natureza, que se valem desses recursos para proteger e gerar informações sobre animais, plantas, populações e territórios.

O WWF-Brasil aposta nesta tendência: desde o ano passado, com o registro de altas taxas de desmatamento e queimadas na Amazônia brasileira, a organização deu início a um projeto de utilização de veículos aéreos não tripulados – popularmente conhecidos como drones – para monitorar territórios e tentar antecipar problemas.

Desde então, foram doados 19 drones para 18 organizações diferentes, espalhadas em 6 estados do Norte do Brasil – num investimento que, apenas em equipamentos, soma cerca de R$ 300 mil. Essas organizações recebem ainda capacitações e outras ferramentas que otimizam o uso dos dados gerados pelos drones, como GPS, telefones celulares e notebooks.

Aumento nas queimadas

Entre as organizações que estão recebendo este apoio estão o Batalhão de Policiamento Ambiental do Acre; a Associação do Povo Indígena Tenharim Morõgwitá (Apitem), no Sul do Amazonas; a Associação dos Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri (Amoprex), no Acre; o Instituto Kabu, no Pará; e as prefeituras das cidades amazonenses de Boca do Acre, Apuí e Humaitá.

O WWF-Brasil trabalha com drones desde 2016; primeiro na contagem de populações de botos na Bacia Amazônica, depois como reforço para monitoramento territorial na Amazônia e no Cerrado. Desde o ano passado, o objetivo é que eles ajudem na proteção contra o desmatamento e as queimadas.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), julho de 2020 registrou um aumento de 28% nos índices de queimadas na Amazônia em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 6.803 focos em 2020 contra 5.318 em 2019.

Monitoramento

Uma das experiências mais bem-sucedidas deste projeto acontece hoje em Rondônia, na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, que possui 1.867.117 hectares. Por ali, os indígenas têm utilizado um drone para vigiar seu território, dar mais consistência às denúncias de crimes ambientais e monitorar a biodiversidade naquela região.

A manutenção de Terras Indígenas são um dos instrumentos mais poderosos de conservação do Meio Ambiente – nos últimos 40 anos, apenas 2% das Terras Indígenas perderam suas florestas originais. Esses territórios mantêm estoques de recursos naturais, promovem serviços ecossistêmicos e ajudam na regulação climática do planeta. Mesmo assim, são regiões bastante ameaçadas, que vários problemas, como ocorrência de garimpo, roubo de madeira e invasão de terras.

“Com a chegada dos drones, o trabalho de monitorar nossa região ficou muito mais fácil”, disse o coordenador da Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, de 20 anos.

FONTE : WWF BRASIL

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