É FAKE : É falso que médico paraense descobriu a cloroquina

Circula pelas redes sociais uma montagem com a foto do médico paraense Gaspar de Oliveira Vianna (1885-1914) e o desenho de uma caixa de cloroquina. De acordo com o texto da imagem, o pesquisador brasileiro descobriu o remédio para curar pacientes com malária. A legenda da imagem diz, ainda, que ele não quis patentear o medicamento e “deixou esse legado para a humanidade”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Você sabia que foi um paraense que descobriu a cloroquina? Dr. Gaspar Viana”Texto de imagem em post do Facebook que, até as 18h de 21 de maio de 2020, tinha 170 compartilhamentosFALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A cloroquina não foi descoberta pelo brasileiro Gaspar de Oliveira Vianna, mas pelo cientista austríaco Hans Andersag, que trabalhava para a empresa alemã Bayer. Ele sintetizou a droga em 1934, ou seja, 20 anos depois da morte do médico paraense. Andersag chegou à fórmula com o objetivo de desenvolver um tratamento mais eficaz contra a malária. Até então, o tratamento da doença era feito com quinino. O medicamento, no entanto, foi considerado muito tóxico na época. Apenas em 1945, a droga passou a ser recomendada no combate à doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A hidroxicloroquina surgiu naquele mesmo ano, como um derivado menos tóxico da cloroquina.

O médico patologista Gaspar Vianna tornou-se conhecido por ter descoberto um tratamento para a leishmaniose e para o granuloma venéreo, com injeções de tártaro emético. Ele também foi um dos primeiros cientistas que estudaram a doença de Chagas, estabelecendo quais são as características da enfermidade. Dedicou-se ainda a análises de vários tripanosomas e micoses. Não foram encontrados registros de que ele tenha se dedicado à malária ou proposto qualquer tipo de droga para a doença. Vianna morreu com apenas 29 anos, depois de contrair uma forma grave de tuberculose ao fazer uma autópsia.

FONTE : AGENCIA LUPA (UOL)

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