Economia e conservação da natureza: estudo investiga o potencial turístico do Sul do Amazonas

O turismo é uma das atividades econômicas mais afinadas com a conservação da natureza – com o propósito de gerar lucros, mas mantendo a integridade das paisagens, a visitação organizada de pessoas é uma das possibilidades mais interessantes de uso sustentável de recursos naturais como rios, cachoeiras, serras e montanhas.

Segundo dados oficiais do Ministério do Turismo (MTur), o turismo de natureza cresceu 27,3% nos últimos anos em nosso País. Além disso o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estima que visitantes gastem cerca de R$ 2 bilhões e gerem cerca de 80 mil empregos diretos nos municípios que ficam no entorno de Unidades de Conservação e trabalham o turismo dentro de áreas protegidas.

Por conta disso, desde maio de 2019 o WWF-Brasil vem conduzindo um estudo que visa identificar o potencial turístico da região Sul do Amazonas.

O estudo tem o objetivo de verificar quais atrativos existem naquele território, qual seria a infraestrutura necessária para sua exploração adequada e que problemas impedem o usufruto econômico desses recursos.

Oficinas participativas

Foram mapeados atrativos naturais (cachoeiras, lagos, formações montanhosas, áreas de vegetação) e culturais (como festividades e lugares de interesse religioso, étnico e cultural). A empresa especializada Cactus da Amazônia, de Manaus (AM), vem apoiando este processo. Nesta primeira etapa, o estudo contemplou 5 cidades: Apuí, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Lábrea.

Para o levantamento de informações, foram considerados dados primários, retirados de entrevistas, visitas in loco; e informações secundárias, por meio de pesquisas em documentos.

Além disso, foram realizadas oficinas que reuniram os atores sociais do setor turístico – como profissionais da hotelaria, bares, balneários, restaurantes, universidades, sindicatos e cooperativas. Nessas oficinas, ocorreram discussões sobre o assunto, que possibilitaram um diagnóstico participativo do potencial de turismo nestes municípios. A previsão é de que o estudo fique pronto no início de 2020.

A região

O Sul do Amazonas é uma área bastante sensível. Situada no Arco do Desmatamento e com indicadores sociais muito baixos, aquela região sofre uma série de pressões ambientais, como exploração predatória, grilagem, mineração e invasão de áreas protegidas.

Seus índices de desmatamento são sempre muito altos – e, no episódio recente das queimadas na Amazônia, cidades como Apuí, Lábrea e Boca do Acre estiveram entre as cidades que mais queimaram suas florestas.

O turismo é uma possibilidade, frente à falta de alternativas econômicas da região, para promover o uso de recursos naturais e gerar lucros para aquelas populações.

Geração de empregos

De acordo com o secretário de Cultura, Turismo e Juventude da cidade de Humaitá, Ronald Siqueira, este tipo de trabalho é muito importante. “Nosso município tem um enorme potencial que está oculto. Temos os lagos do seringal Vila Paraíso, as praias do distrito de Ipixuna e a festa de aniversário da cidade, que atrai muitos visitantes”, afirmou.
Para a analista de conservação do WWF-Brasil Karen Pacheco, o mapeamento das potencialidades turísticas do Sul do Amazonas representa uma possibillidade para a geração de empregos qualificados e uso responsável de recursos.

“Faltam opções econômicas robustas, que dinamizem a economia desses municípios e tragam oportunidades. Trabalhando de maneira conjunta e organizada, é possível posicionar o turismo como uma possibilidade econômica viável e que ajude a diminuir os índices de desmatamento dessas cidades”, contou a especialista.

Projetos de conservação

O WWF-Brasil trabalha há mais de uma década no Sul do Amazonas, desenvolvendo uma série de projetos de conservação da natureza. Entre as ações mais recentes desenvolvidas naquela área estão o apoio à formação da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas e o fomento a atividades produtivas sustentáveis como a produção de castanha-do-Brasil e o turismo de base comunitária.

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FONTE : WWF BRASIL

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