Exigência de idioma japonês está dificultando visto para yonsei, diz deputado

Em vigor desde 1º de julho, o tão aguardado visto para a quarta geração parece estar longe do sucesso previsto. Com a imposição de restrições e requisitos, apenas dois vistos foram emitidos até meados de outubro, sendo que o governo japonês esperava receber cerca de 4 mil yonseis por ano.

“Um dos pontos que estão dificultando os yonseis, em minha opinião, é a proficiência do N4 da língua japonesa”, analisou o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP). “Falo e entendo sobre a cultura japonesa, mas acho que eu não teria condições de passar nesse teste.”

O deputado esteve no Japão na última semana em missão oficial ao lado do prefeito de Marília, Daniel Alonso (PSDB), e do presidente do Nikkey Clube de Marília, Keniti Mizuno, para a assinatura do convênio de cooperação da cidade do centro-oeste paulista com Izumisano (Osaka).

Ihoshi aproveitou a vinda ao país para encontrar-se com o ministro das finanças do Japão, Taro Aso. “O deputado Takeo Kawamura, muito ligado ao Brasil, estava presente e disse que irá pessoalmente acompanhar a situação. Foi uma conversa rápida, mas fiz questão de tocar no assunto”, revelou.

O parlamentar também se reuniu com o diretor-geral do escritório de assuntos da América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Japão, Takahiro Nakamae, que também acompanha de perto a situação do visto para os yonseis.

“Vejo uma perspectiva de uma análise e de uma flexibilização mais adiante, mas não em curto prazo porque tudo isso mexe com o orçamento”, afirmou Ihoshi. “É importante que a comunidade também acompanhe a situação.”

Em Hamamatsu (Shizuoka), o deputado federal atualizou-se sobre a comunidade brasileira e restabeleceu as demandas da visita anterior, ocorrida em janeiro de 2017.

“No ano passado, uma das solicitações foi a questão do Espaço do Trabalhador Brasileiro. Houve uma mudança nos objetivos, hoje funciona o Espaço do Empreendedor Brasileiro, mas coloquei à disposição para também colaborar e incentivar o empreendedorismo no Japão.”

A educação das crianças brasileiras foi o principal assunto da pauta do encontro com o Conselho de Cidadãos de Hamamatsu.

Um dos problemas apresentados, segundo o deputado, foi a questão do histórico escolar dos estudantes de escolas brasileiras que fecham as portas no Japão.

“As escolas fecham e ficam ali também o histórico escolar, que muitas vezes os pais dos alunos não têm acesso. Há uma série de problemas, inclusive para aqueles que já se formaram e precisam do documento para dar sequência nos estudos”, explicou o deputado, que prometeu levar o assunto ao Ministério da Educação (MEC).

Outra questão que também esteve na pauta foi o acompanhamento das escolas brasileiras pelo MEC. Depois da audiência pública no ano passado, Ihoshi lembrou que levou o assunto ao então ministro da Educação, Mendonça Filho, que enviou duas técnicas para o Japão para realizar as visitas. “Elas vieram, por uma cobrança nossa, mas depois não houve mais um acompanhamento”, lamentou.

Ihoshi, que encerra o mandato em janeiro, planeja elaborar um relatório com o tema educação aos próximos parlamentares para que eles possam colaborar nas relações bilaterais entre Brasil e Japão e tenham o assunto na agenda. “É como se eu pudesse colaborar deixando esse legado para o pessoal que está chegando”, finalizou.

FONTE ; ALTERNATIVA ON LINE

   

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