Famosas quebram silêncio sobre João de Deus: ‘essas mulheres não são loucas’

Quase uma semana após as denúncias de abuso sexual contra João de Deus virem à tona, famosas como Alinne Moraes, Alice Wegmann, Carolinie Figueiredo, Eliane Giardini, Gisele Itié, Julia Lemmertez, Leandra Leal, Leticia Colin, Maria Ribeiro, Samara Felippo, Paula Lavigne e Xuxa se manifestaram nas redes sociais e reiteraram mais uma vez as hashtags mexeucomumamexeucomtodas e #chegadeabuso.

“A maior quebra de silêncio da história. Até hoje, 330 mulheres se uniram para denunciar o mesmo homem. Por assédio, estupro, pedofilia, incesto praticados há décadas. Décadas em que cada uma delas silenciou, foi desacreditada ou ameaçada de morte. Essas 330 mulheres não são loucas, mentirosas, invejosas. Elas são vítimas. Vítimas de um homem poderoso que usa Deus como sobrenome. Elas são vítimas de séculos de silenciamento. Mas o tempo das mulheres chegou”.

“Empoderadas por todas as denúncias que vieram antes, no Brasil e no mundo, elas decidiram se unir e falar. É hora de investigar e punir quem tiver que ser punido. É hora de justiça. Parabéns pela coragem de todas as mulheres envolvidas nesta histórica quebra de silêncio. Nós estamos com vocês”, diz o texto compartilhado nas redes sociais.

Outro trecho do discurso empoderador compartilhado pela atriz e escritora Maria Ribeiro, cita a frase do presidente Jair Bolsonaro para deputada Maria do Rosário, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e lembra o assassinato da vereadora Marielle Franco, assassinada com quatro tiros na cabeça.

“Um homem que se auto proclama ‘de Deus’ é acusado de abuso sexual por mais de duzentas mulheres. O atual/futuro/deprimente presidente do Brasil foi eleito mesmo tendo em sua biografia o fato de ter dito à uma parlamentar que ela não ‘merecia’ ser estuprada. O governador do Rio de Janeiro foi escolhido pela maioria do estado apesar de estar em uma foto comemorando a quebra de uma placa que homenageava Marielle Franco, vereadora brutalmente executada em março. Mais do que nunca, ninguém solta a mão de ninguém”.

“Precisamos ser muitas – e fortes – pra apoiar cada mulher vítima do machismo, da violência, do patriarcado. E precisamos ser grandes, pra – quando possível – explicar para os caras que o mundo mudou. Que a gente merece respeito. Que filho não é dever – apesar do imenso prazer – somente ‘de mãe’. Que nenhum homem é maior ou mais importante que nenhuma mulher – não interessa o cargo, a grana, a relação de poder. Minha solidariedade imensa às minas que tiveram coragem de contar suas histórias essa semana. Vocês não estão sozinhas.”

A atriz e diretora Suzana Pires, frequentadora da Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia em Goiás, foi uma das primeiras celebridades– vários famosos já foram atendidos pelo médium — a se manifestar publicamente por meio de sua coluna na revista “Marie Claire”.

“Eu vi as curas, eu vivi as cirurgias, eu recebi as graças e hoje eu luto para não deixar adoecer o que dentro de mim conseguiu se tornar saudável. Hoje, eu luto para manter minha FÉ em DEUS inabalável. Pergunto-me como é possível um homem trabalhar com uma energia tão iluminada, ser acusado de atitudes tão sombrias. E por tantas mulheres! Penso nas mulheres denunciantes e nas situações que elas reportam e me solidarizo com a dor delas. Percebo meu coração desiludido, em real decepção, em dor. Não só por mim, mas por elas. E me apego a minha FÉ. Na minha fé de que DEUS é quem sabe de tudo e confio na justiça. Sou e serei, sempre, grata, do fundo do meu coração, ao trabalho que João Teixeira de Faria realizou sendo o mediador entre nós e as divindades, facilitando nosso diálogo com entidades de luz. Sou grata. Mas não sou cega ou surda. Escuto as mulheres denunciantes e exijo justiça”, afirma Suzana em seu texto.

As vítimas de João de Deus criaram um grupo de acolhimento que está sendo gerenciado pela ativista Sabrina Bittencourt — Combate ao Abuso no Meio Espiritual (Coame). Além disso, alguns Ministérios Públicos criaram uma força-tarefa para colherem depoimentos e auxiliarem juridicamente as vítimas de abuso. As vítimas de São Paulo podem entrar em contato com a promotoria pelo e-mail somosmuitas@mpsp.mp.br. Ou no Ministério Público de Goiás – (62) 3243-8000 – ou pelo e-mail denuncias@mpgo.mp.br.

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