França busca carvalhos centenários para Notre-Dame

Especialistas franceses vasculham as florestas do país em busca de árvores centenárias de carvalho para a reconstrução do pináculo da Catedral de Notre-Dame, em Paris.

O edifício histórico sofreu enormes danos durante um incêndio de grandes proporções em abril de 2019, que derrubou o pináculo de 96 metros, feito de madeira e chumbo. Após cair, ele se fundiu com a estrutura de pedra da igreja.

Logo após o incêndio, o presidente francês, Emmanuel Macron, se comprometeu a reconstruir a catedral até 2024. A substituição do pináculo, projetado pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc e instalado em 1859, foi bastante discutida no país.

Macron chegou a especular que a nova cúpula da catedral poderia ser reproduzida com um “toque contemporâneo”. Mas, em julho do ano passado, foi finalmente decidido que ela será reconstruída exatamente como era antes.

Mas, para tal, serão necessários mais de mil carvalhos de 150 a 200 anos de idade. As árvores devem ser retas, com diâmetro entre 50 e 90 centímetros e de alturas de entre 8 e 14 metros.

Elas devem ser cortadas até o final de março – início da primavera na Europa – antes que a seiva possa vir à superfície, o que deixaria a madeira úmida demais. Antes de serem cortados em toras, os troncos devem passar por um período de secagem de entre 12 e 18 meses.

Reconstrução requer 1,5 mil árvores
O trabalho para restaurar a catedral deve começar somente no início de 2022. Especialistas em carpintaria afirmam que serão necessários 2 mil metros quadrados de madeira, o que exigiria o corte de 1,5 mil carvalhos. A quantidade de madeira utilizada para compor o teto da catedral era tão grande que a estrutura recebeu o apelido de la forét (“a floresta”).

Alguns proprietários de florestas particulares ofereceram para doar carvalhos para a reconstrução do pináculo. Especialistas afirmam que há árvores suficientes que se encaixem nos requisitos para a reconstrução da Notre-Dame, tanto nas florestas públicas quanto privadas.

“Além dessas árvores, deixaremos outras crescerem por um tempo muito longo e plantaremos outras para que as próximas gerações possam também criar trabalhos excepcionais”, afirmou o vice-diretor do Departamento Nacional de Florestas da França (ONF), Dominique de Villebonne. Ele diz que algumas desses árvores estão em plantações antigas criadas por ordem de reis do passado para a construção de navios da frota naval francesa.

Desde 2019, os trabalhos de restauro se concentram na estabilização da estrutura e na remoção dos andaimes em torno do pináculo, que estava sendo reformado na época do incêndio.

FONTE : AMBIENTE BRASIL (Deutsche Welle)

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