Governo recolhe água de praias atingidas por óleo no litoral para análise

Amostras de água das praias atingidas por óleo no litoral pernambucano começaram a ser coletadas, nesta quinta-feira (24), como parte de uma pesquisa que busca entender os riscos para o meio ambiente e para a população. O trabalho de coleta é feito pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) e a análise, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
“A capacidade tóxica [da substância], a gente sabe que existe. A gente precisa saber é se essa concentração [existente na água] oferece risco”, afirmou a professora do Departamento de Oceanografia da UFPE, Eliete Zanard Lamarto.

O primeiro local visitado pelas equipes foi a Praia do Paiva, localidade atingida na segunda (21), no Cabo de Santo Agostinho. Os pesquisadores orientaram sobre como a coleta deve ser feita. “Os técnicos da CPRH fazem a coleta e nós, da UFPE, vamos fazer a análise química da água”, afirmou a professora. Em cada uma das praias, os técnicos coletam quatro amostras, de 1 litro cada, em vidros escuros.

Lamarto explicou que, após a retirada da parte visível do óleo, há uma porção que fica “invisível aos olhos”. A partir da análise da água, vai ser possível saber a quantidade dessas moléculas que permaneceram no ambiente.

“Quando você tem a concentração desses compostos na água, você consegue saber se oferece risco à população e aos animais, meio ambiente. Quanto maior for a concentração, maior o risco”, disse.

A expectativa é de que o resultado da análise da água saia em até duas semanas. Dois professores, além de uma equipe de técnicos e alunos, auxiliam nas análises no laboratório da UFPE. “Tanto quanto a sociedade, nós também queremos essa resposta sobre os riscos. Para saber como proceder, como orientar a população, como remediar”, apontou a professora.

O governo de Pernambuco lançou, na quarta-feira (23), um edital com R$ 2,5 milhões para 12 projetos de pesquisa sobre os atuais e futuros impactos do óleo no litoral para o meio ambiente e a economia. No mesmo dia, representantes de 15 prefeituras se reuniram com o governo estadual para planejar ações de prevenção e contenção do óleo.

Óleo em Pernambuco

Com o registro de óleo entre as praias do Pilar e de Jaguaribe, em Itamaracá, nesta quinta-feira (24), subiu para dez o número de cidades atingidas pelas manchas desde o dia 17 de outubro, quando a substância voltou a ser registrada no estado. Em sete dias, foram 958 toneladas recolhidas de resíduos do litoral pernambucano.

O primeiro município atingido foi São José da Coroa Grande, no Litoral Sul, que, na quarta-feira (23), teve o decreto de situação de emergência reconhecido pelo governo federal. No município, 17 pessoas que tiveram contato com o petróleo foram ao hospital com sintomas provocados por reação à substância.

Além de Itamaracá e São José da Coroa Grande, também foram atingidos pelo óleo Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Barreiros, Tamandaré, Rio Formoso, Sirinhaém, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. O Recife montou barreiras para evitar a chegada do óleo aos estuários.

Especialistas afirmam que o impacto do óleo no meio ambiente vai durar décadas, com prejuízo para espécies marinhas, para toda a cadeia alimentar e para os seres humanos. Além do recobrimento de praias, arrecifes, mangues e solos rochosos, que são difíceis de serem limpos, os fragmentos se decompõem e há moléculas nocivas ao ecossistema e à fauna.

Na quarta (23), o governo federal anunciou que vai solicitar formalmente à Organização dos Estados Americanos para que a Venezuela se manifeste oficialmente sobre o óleo.

MANCHAS DE ÓLEO NO NORDESTE

O que se sabe sobre o problema
Óleo atingiu mais de 200 pontos em 9 estados

FONTE : G1

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