Homem que perdeu família critica revogação da pena de morte de peruano no Japão

Um homem que teve a família assassinada pelo peruano Vayron Jonathan Nakada Ludeña criticou a decisão do Tribunal Superior de Tóquio de revogar a sentença de pena de morte do autor dos crimes, informou a agência de notícias Kyodo.

Ele perdeu a esposa e duas filhas.

“Quero falar para o juiz: ‘Você aceitaria isso se estivesse no meu lugar?'”, disse o homem de 46 anos em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (5), após o tribunal ter anunciado a sentença de prisão por tempo indeterminado (equivalente à prisão perpétua) no lugar da pena de morte.

Masato Takahashi, advogado do homem, disse que ficou “perplexo” com a redução da pena. “Pela primeira vez vi uma decisão sem nenhuma base em evidências”, afirmou.

O peruano, 34 anos, tinha sido condenado à pena de morte no ano passado por assassinar seis pessoas em três casas diferentes na cidade de Kumagaya (Saitama), em 2015.

O julgamento em primeira instância, que tramitou na Justiça por mais de dois anos, teve uma disputa entre o advogado de defesa e a Promotoria sobre o estado mental do peruano e se ele teria condições psicológicas de ser responsabilizado pelos crimes.

O advogado do peruano apelou dizendo que o réu tinha esquizofrenia e o caso foi julgado agora em segunda instância.

O juiz Kazuyuki Okuma, do Tribunal Superior de Tóquio, decidiu revogar a pena de morte alegando que “houve erros em uma avaliação psiquiátrica” na qual foi constatado que o peruano não tinha distúrbios psicológicos. “Reduzimos (a sentença) nos termos da lei devido à sua capacidade mental reduzida”, disse.

No julgamento em primeira instância, o Tribunal Regional de Saitama havia concluído que os esforços do peruano para esconder os corpos e limpar o sangue demonstraram que ele sabia que suas ações eram criminais.

O advogado do homem que perdeu a família disse que pediu à Promotoria para levar o caso até a Suprema Corte, em terceira e última instância.

A prisão por tempo indeterminado (mukichoueki / 無期懲役), que não estipula o período de detenção, é a condenação mais severa antes da pena de morte. No Japão, não existe a chamada prisão perpétua (shuushinkei / 終身刑).

COMO FORAM OS CRIMES
De acordo com as investigações, o primeiro crime ocorreu no dia 14 de setembro de 2015, quando o casal Minoru, 55, e Misae Tasaki, 53, foi encontrado esfaqueado dentro da própria casa em Kumagaya (Saitama).

Dois dias depois, uma idosa de 84 anos, Kazuyo Shiraishi, também foi achada morta em sua casa.

Ao mesmo tempo, a polícia encontrou o peruano portando uma faca em outra residência, onde mais três pessoas morreram esfaqueadas: Miwako Kato, 41 anos, e as filhas Misaki, 10, e Haruka, 7.

Antes de pular do segunda andar da casa, Nakada cortou os próprios braços com a faca que segurava, em um gesto que foi interpretado pela polícia como tentativa de suicídio.

FONTE : ALTERNATIVA ON LINE

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