HORTA CABOCLA: AMBIENTALISTA CULTIVA PLANTAS MEDICINAIS E SUBSTITUI, COM SUCESSO, MEDICAMENTOS CONVENCIONAIS.

Por Célia Ribeiro

Viver em harmonia com a natureza foi a escolha da família ao se mudar para um condomínio de alto padrão na zona oeste de Marília, próximo ao Distrito de Padre Nóbrega. A área verde, que inclui nascentes d’água, tornou-se o local de experimentos que começou despretensiosamente e hoje abriga a “Horta Cabocla” com ervas aromáticas, verduras e legumes orgânicos, frutíferas e, principalmente, plantas medicinais utilizadas em substituição a vários medicamentos alopáticos.

À frente da farmácia natural está o respeitado ambientalista Antônio Luiz Carvalho Leme. Formado em Gestão Ambiental com especializações em “Educação Ambiental e Recursos Hídricos” e “Meio Ambiente e Sociedade”, aposentado do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ele é mais conhecido pela militância ambiental com destaque para a luta contra os agrotóxicos.

Ele contou que bebeu da fonte de publicações voltadas à cura natural (quatro livros) e uma enciclopédia de plantas medicinais publicada há 25 anos. Na verdade, o interesse pelo tema o motivou a pesquisar sobre o assunto em fontes que considera confiáveis como o site: https://www.autordapropriasaude.com/.  Leme observou que, como ex-servidor do IBGE, tem um apreço especial aos números, indicadores e pesquisas sérias.

Leme e o filho Gustavo na propriedade da família

“Um dia comecei a ler melhor as bulas de remédio”, disse, acrescentando que se surpreendeu com a quantidade de matérias primas que “consertam uma coisa e prejudicam outra”. Ele contou que por conta de uma gastrite e refluxo fez uso de Magnésia Bisurada por 20 anos e que, ao substitui-la pelas plantas teve uma melhora acentuada. E nunca mais voltou ao remédio de antes.

O mesmo ocorreu com o diabetes. Leme ingeria dois medicamentos, diariamente. Com chá de folha seca de mamão, folha seca de mangueira e batata doce, a glicemia está sob controle. Bem humorado, ele ressaltou que “é claro que eu meço a glicose e a pressão arterial. Não ia trocar os remédios sem fazer esse acompanhamento”.

“Tenho acompanhado um grupo sério na internet, que apresenta pesquisa de laboratório sobre toxidade, que inspira confiança. Estou fazendo um curso e, devagar, estou aprendendo um pouco mais”, frisou.  O ambientalista destacou que a medicina natural e o uso de plantas medicinais devem ser divulgados “porque a poderosa indústria farmacêutica não está nem aí”.

Leme afirmou que na medicina convencional os especialistas receitam medicamentos que tratam uma doença, mas provocam tantos efeitos colaterais que prejudicam outros órgãos. “Não se vê o paciente como um todo. O médico resolve o problema do qual ele é especialista”, acrescentou.

Leme e a esposa Shirley Schorr

PRIMAVERA

“No quintal de muita gente tem um santo remédio, que é a Primavera. Se usar a raiz e a casca não tem contraindicação nenhuma, não tem toxidade. Mas, se usar as folhas tem contraindicação para pessoas com anemia”, ilustrou. Leme observou que as plantas medicinais são usadas há milhares de anos e as pessoas mais antigas guardam o conhecimento do uso de chás que são úteis para o tratamento de várias doenças.

Ele citou que o picão preto, tão popular, por exemplo, é muito eficaz no controle da diabetes e é um mato que cresce em todo lugar. Não se recomenda o consumo do picão que cresce na rua por conta da poluição. Trata-se de uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) e possui longa história de uso na medicina dos povos indígenas da Amazônia. É indicada para diabetes, hepatite, aftosa, angina, verminose, laringite etc.

Segundo publicações especializadas, o picão preto é uma planta considerada na medicina tradicional brasileira como diurética e emoliente, sendo utilizada, principalmente, contra febres, blenorragia, leucorreia, diabetes, icterícia, problemas no fígado e infecções urinarias e vaginais.

A “Horta Cabocla” tem até irrigação artificial que ele construiu junto com o filho, o gestor de Políticas Públicas e ambientalista Gustavo Schorr Carvalho Leme. Entre as inúmeras espécies, a família cultiva: açafrão, alecrim, alecrim do campo,  aroeira vermelha, arruda, babosa, bálsamo, canela, capuchinha, chapéu de sol, coentro do mato, melão de são caetano, costela de adão, dormideira, guaco, hortelã pimenta, ingá, jurubeba, lavanda, melissa, moringa, ora pro nobis, gengibre, erva doce, picão preto, pitangueira, poejo, quebra pedra, taioba, boldo, louro, além de frutíferas como acerola, amora, manga, uva,  romã, caju, banana, nêspera, mexerica, e ervas como salsa, manjericão, sálvia, tomilho etc.  Para entrar em contato com o ambientalista, o e-mail é luizlemepesquisa@gmail.com

Fonte: Reportagem publicada na edição de 26.01.2020 do Jornal da Manhã
Crédito: Fotos Antônio Luiz Carvalho Leme

(eliza@conexaomarilia.com.br)

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