Ibovespa quebra recorde pela 6ª vez seguida e tem maior sequência de altas desde 2018; dólar fica estável

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (7), a oitava consecutiva do índice, que se aproxima da marca de nove dias positivos seguidos entre os dias 14 e 26 de fevereiro de 2018. Foi também a sexta vez em sequência em que o benchmark renovou máxima histórica, sendo que na máxima intradiária a Bolsa chegou a superar os 131 mil pontos.

Esse desempenho positivo foi puxado por bancos como Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), que ofuscaram o desempenho negativo de blue chips ligadas a commodities tais quais Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3).

O ganho de força da Bolsa, porém, ocorreu após declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que afirmou que o ideal seria não prorrogar mais os pagamentos do auxílio emergencial e que gostaria de aprovar o novo programa social que substituirá o Bolsa Família antes do recesso, para que ele posa ter validade ainda este ano.

“O auxílio deve ficar até julho/agosto, não acho que a melhor solução seja postergá-lo”, afirmou

Além disso, Lira também comentou sobre as reformas, dizendo que espera que o governo apresente seu “kit completo” sobre a reforma tributária para que ele possa definir o quadro e iniciar a tramitação do projeto de lei que cria a CBS — trecho da proposta que unifica PIS e Cofins, o único que já foi encaminhado pelo governo.

O deputado disse que irá se reunir com Rodrigo Pacheco mais uma vez esta semana para dar o início na tramitação das propostas. Segundo a XP Política, a CBS será o primeiro passo, com possível diminuição da alíquota para o setor de serviços — essa é a saída possível para vencer resistências, já que a desoneração da folha para aliviar o setor dependeria de outra fonte de recursos (o imposto sobre transações), o que enfrenta resistência entre parlamentares.

Enquanto isso, lá fora, as bolsas internacionais terminaram o pregão entre perdas e ganhos diante das incertezas sobre como as gigantes de tecnologia irão reagir ao novo imposto corporativo global mínimo aprovado pelos países do G7.

Também no radar, as exportações da China em dólares subiram 27,9% no mês em comparação com o ano anterior, abaixo da expectativa de alta de 32,1%, segundo analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Já as importações aumentaram 51,1% em maio sobre o ano anterior em dólares, crescimento mais forte desde janeiro de 2011 porém abaixo da alta de 51,5% esperada na pesquisa da Reuters.

Nesta semana, depois do Relatório de Emprego frustrar e mostrar a criação de 559 mil empregos nos Estados Unidos em maio, agora os investidores ficaram atentos aos dados de inflação. Na quinta, será divulgado o CPI (sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor) relativo a maio.

Em abril, o índice subiu 4,2% em comparação com o patamar do ano anterior, a maior alta desde 2008. Se os preços continuarem a subir neste patamar, podem fazer com que o Federal Reserve altere suas políticas.

Sobre o mercado de trabalho americano, Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, destaca que o número de vagas criadas, apesar de ter sido menor que os 650 mil projetados pelos economistas, ainda assim foi muito forte e a estabilidade nos ganhos por hora trabalhada tira do radar parte das preocupações com a pressão inflacionária.

“Estamos em um cenário ideal para o mercado de renda variável, nem tão quente e nem tão frio, pois a economia americana está caminhando em direção ao pleno emprego, mas com espaço ainda para a política monetária do Federal Reserve continuar acomodativa”, avaliou Attuch em áudio para o canal do Telegram do InfoMoney.

O Ibovespa teve alta de 0,5%, a 130.776 pontos com volume financeiro negociado de R$ 33,796 bilhões. Na máxima, o benchmark atingiu 131.190 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial terminou o dia em leve variação positiva de 0,03% a R$ 5,036 na compra e a R$ 5,037 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em julho registra perdas de 0,28% a R$ 5,048.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu três pontos-base a 5,10%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de seis pontos-base a 6,71%, o DI para janeiro de 2025 avançou seis pontos-base a 7,80% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de seis pontos-base a 8,33%.

Relatório Focus
Os economistas do mercado financeiro elevaram bruscamente suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2021, revelou o Relatório Focus do Banco Central. De uma expansão de 3,96% no ano, agora os economistas enxergam um avanço de 4,36%. Já para 2022 as previsões foram revisadas de 2,25% para 2,31%.

Em relação ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – medidor oficial de inflação – as projeções foram elevadas de 5,31% para 5,44% em 2021 e de 3,68% para 3,70% em 2022.

Sobre o dólar, a expectativa mediana dos economistas manteve-se em R$ 5,30 ao fim de 2021 e em R$ 5,30 ao fim de 2022.

Por fim, as estimativas para a taxa básica de juros, Selic, mantiveram-se em 5,75% ao ano para o final de 2021 e em 6,50% ao cabo de 2022.

Covid no Brasil
No domingo (6), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.629, queda de 13% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 866 mortes.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h. Não foram contabilizados dados do estado de Roraima onde, de acordo com a Secretaria de Saúde local, os municípios não atualizam o sistema de registro aos finais de semana.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 61.912, queda de 6% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.114 casos.

Chegou a 48.977.254 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 23,13% da população. A segunda dose foi aplicada em 22.930.114 pessoas, ou 10,83% da população.

Sob intensa pressão para aprovar a vacina russa Sputnik V e, em menor grau, a indiana Covaxin, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) chegou na sexta (4) a uma solução de meio termo. A agência autorizou a importação de quantidades menores dos imunizantes do que aquelas compradas pelos governos estaduais e pelo governo federal, sob uma série de condicionantes.

Os estados compraram 37 milhões de doses da vacina russa, mas poderão importar menos de 1 milhão de doses, um número considerado pela Anvisa capaz de ser controlado e rastreado para acompanhar eventuais eventos adversos e eficácia da vacina.

As mesmas condições foram impostas para a importação da Covaxin. O Ministério da Saúde, que havia pedido a importação de 20 milhões de doses, poderá comprar apenas 4 milhões de doses, equivalente a 1% da população brasileira.

Entre as exigências da Anvisa estão o acompanhamento de vacinados, restrição de quantidade e público a ser imunizado, acompanhamento rígido de efeitos, além da necessidade de todos os lotes que forem entregues no país serem analisado pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde), ligado à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Desde o dia 26 de abril, quando negou a primeira autorização de importação para a Sputnik, a Anvisa foi alvo de ameaças de processo por parte do RFDI (sigla em inglês para Fundo Russo de Investimento Direto) e uma pressão intensa de governadores do Consórcio Nordeste, que haviam acertado a importação de até 37 milhões de doses da vacina russa, e tiveram de adiar seus planos.

O voto do relator, o diretor da Anvisa Alex Campos, reconhece que os documentos apresentados pelos governadores e pelo Instituto Gamaleya avançaram em alguns pontos, mas não garantiram o nível de segurança normalmente exigido pela Anvisa.

Com novos contratos assinados e previsão de uma quantidade razoável de vacinas da Pfizer, Janssen e Astrazeneca os próximos meses, o interesse pela vacina indiana diminuiu consideravelmente.

Segundo foi noticiado no domingo, a União Química, parceira no Brasil do Instituto Gamaleya para a fabricação da Sputnik V, fechou um novo acordo de cooperação técnica com a russa Geropharma para produzir insulina e uma outra vacina contra a Covid-19, chamada EpiVacCorona.

O presidente do laboratório brasileiro, Fernando de Castro Marques, afirma que a empresa deverá investir entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões para ampliar a capacidade de produção dos produtos. A empresa deve iniciar com a importação da vacina, para depois obter a transferência de tecnologia. Para tanto, é necessária aprovação da Anvisa.

Temos seis meses para entrar com o pedido de registro usando os resultados dos estudos feitos na Rússia. Se analisarmos a legislação brasileira, a agência russa é considerada de primeiro mundo, como as do Estados Unidos e Europa. Acredito que será mais fácil do que a Sputnik V”, afirmou o executivo ao jornal Valor Econômico.

Além disso, a equipe técnica da CPI da Covid-19 no Senado Federal afirmou em carta à Comissão Técnica da Seleção Brasileira e aos atletas do país que a realização da Copa América no Brasil seria um “mau exemplo”, diante da iminência de uma terceira onda da pandemia, e defende o seu adiamento.

A carta vem após o capitão da seleção brasileira de futebol ter afirmado que os jogadores vão esperar até a próxima semana para comentar as notícias de que se opõem a que o Brasil sedie a Copa América, com Casemiro afirmando que qualquer decisão será tomada em conjunto pelos jogadores e pelo treinador.

Dentre os argumentos enviados aos jogadores, a equipe da CPI da Covid-19 cita que o Brasil havia vacinado até sexta-feira apenas 10,77% do total da população, estando “muito distante da cobertura vacinal mínima para pensar em retomadas da vida normal”.

“O Brasil não oferece segurança sanitária de acordo com dados objetivos para a realização de um torneio internacional dessa magnitude no país. Além de transmitir a falsa sensação de segurança e normalidade, oposta à realidade que os brasileiros vivem, teria o efeito reprovável de estimular aglomerações e transmitir um péssimo exemplo (…) Não somos contra a Copa América no Brasil ou em qualquer outro lugar. Mas acreditamos que o torneio pode esperar até que o país esteja preparado para recebê-lo, assim como já aconteceu pela primeira vez na história com uma competição muito mais importante, as Olimpíadas do Japão”, afirmou a equipe da CPI, destacando os mais de 470 mil mortos no Brasil.

A carta afirma ainda que “não realizar e não participar da Copa América no Brasil não é um ato político, é um gesto de respeito à vida de milhões de famílias enlutadas pela morte e por cicatrizes incuráveis”.

O Brasil foi escolhido inesperadamente como sede do evento na semana passada, depois que a Colômbia foi descartada devido a uma onda de protestos motivados pela gestão da pandemia de Covid que dura mais de um mês no país, e a Argentina se retirou devido a uma disparada de casos de Covid-19.

No domingo, foi informado que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado do cargo por 30 dias pela comissão de ética da entidade. O anúncio ocorre após Caboclo ser acusado de assediar sexualmente uma funcionária.

Crise hídrica

Em nota técnica enviada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) à ANA (Agência Nacional de Águas), o operador afirma que ao menos oito grandes usinas hidrelétricas instaladas na região Sudeste devem ficar com os reservatórios perto do colapso total até 30 de novembro, fim do período de estiagem. Localizadas na bacia do rio Paraná, as usinas somam 10 mil megawatts de potência, e 53% de toda a capacidade de armazenamento de água do Brasil.

O documento é assinado por dois diretores da ONS, Alexandre Nunes Zucarato (planejamento) e Sinval Zaidan Gama (operação), e realiza projeções sobre o comportamento dos reservatórios no restante do período de estiagem. Segundo informações obtidas pelo jornal Valor Econômico, as projeções adotam como base a repetição do regime hidrológico de 2020, que já foi crítico e a manutenção das atuais regras de vazão nas usinas.

Neste cenário, as represas de Furnas, Nova Ponte, Itumbiara, Emborcação e São Simão devem esgotar seus volumes úteis antes do recomeço das chuvas. As hidrelétricas de Mascarenhas de Moraes, Água Vermelha e Marimbondo esgotam o período seco com menos de 2% de sua capacidade.

“Considerando-se as previsões de afluência obtidas com a chuva de 2020, prevê-se a perda do controle hidráulico de reservatórios da bacia do rio Paraná no segundo semestre de 2021 (…) A perda do controle hidráulico na bacia do Paraná implicaria restrições no atendimento energético nos subsistema”, diz o documento.

Os diretores recomendam uma série de flexibilizações visando impedir o esvaziamento completo dos reservatórios e minimizar o risco de falta de energia. Dentre elas, reduzir a cota (altura do espelho d’água) em Ilha Solteira (SP), o que inviabilizaria a navegabilidade na hidrovia, Tietê Paraná, e reduzir a vazão do maior reservatório de furnas, próximo à cabeceira do Rio Grande, para aumentar o fluxo de água das represas mais adiante.

Esta mudança poderia impactar a piscicultura, e já foi alvo de críticas do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que argumenta que ela deve ter impacto negativo na economia.

Apesar disso, no sábado, o ONS minimizou a crise e afirmou, por meio de nota, que medidas adotadas para lidar com a pior crise hidrológica desde 1930 devem garantir o abastecimento de energia no Brasil em 2021. O órgão foi consultado sobre eventuais riscos de déficit de oferta de geração.

O ONS afirmou que realiza estudos, análises e avaliações de cenários para um horizonte de até cinco anos. O órgão admitiu que uma nota técnica com projeções para o período de junho a novembro de 2021 chegou a apontar riscos, mas disse que o cenário deverá ser descartado com medidas que têm sido encaminhadas pelo governo.

“O único cenário em que há risco de déficit é o cenário de referência, utilizado para demonstrar que ações precisavam ser tomadas com o intuito de evitar essa ocorrência (…) Sendo assim, diversas medidas foram aprovadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE e já estão em curso, o que faz com que esse cenário não se concretize e se garanta o fornecimento de energia e potência em 2021”, disse.

Dentre as ações em curso, o ONS destacou a flexibilização das restrições hidráulicas dos aproveitamentos localizados nas bacias dos rios São Francisco e Paraná; aumento da geração térmica e da garantia do suprimento de combustível para essas usinas; importação de energia da Argentina e do Uruguai, além de campanha de uso consciente da água e da energia.

No comunicado, o ONS ressaltou ainda que o país passa por uma crise hídrica e que nos últimos sete anos os reservatórios das hidrelétricas receberam um volume de água inferior à média histórica. A crise pressiona sistema de geração do Brasil, fortemente dependente de hidrelétricas.

Radar corporativo

A Gol informou na última sexta-feira (4) a conclusão da transferência das ações da Smiles que possuía para a subsidiária Gol Linhas Aéreas (GLA). A troca das ações ordinárias dos acionistas da Smiles pelas ações preferenciais da aérea tem a seguinte relação:  44% das ações ordinárias da Smiles (SMLS3) serão trocadas por R$ 5,11 mais 0,6601 ação preferencial da Gol e
56% das ações ordinárias da Smiles (SMLS3) serão trocadas por R$ 18,51 mais 0,1650 ação preferencial da Gol.

Maiores altas

ATIVOVARIAÇÃO %VALOR (R$)
AZUL45.5692247.2
NTCO34.4644556.86
ENGI114.2100849.01
GOLL43.9274927.52
TOTS33.6113536.15

Maiores baixas

ATIVOVARIAÇÃO %VALOR (R$)
PCAR3-4.0718640.05
PRIO3-3.9024419.7
BIDI11-3.7137763.78
CSNA3-2.9592344.27
MRFG3-2.2435918.3

A Petrobras iniciará no próximo dia 15 de agosto uma parada programada de 30 dias para manutenção da plataforma de Mexilhão e do gasoduto Rota 1, que escoa o gás natural produzido pelo ativo e por outras plataformas na Bacia de Santos, informou a empresa nesta sexta-feira. Segundo comunicado, a intervenção foi planejada com vários meses de antecedência, considerando a complexidade da operação e a necessidade de contratação de bens e serviços. A Petrobras disse ter comunicado a parada programada à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em outubro de 2020.

A companhia de açúcar, etanol e bioenergia Biosev encerrou a safra 2020/21 com lucro líquido de R$ 216,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,5 bilhão da temporada anterior, impulsionada por um cenário favorável de mercado e bom desempenho produtivo, informou a empresa na sexta-feira. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado teve um crescimento de 40,1% no período, para R$ 2,5 bilhões. O resultado exclui os efeitos contábeis (não caixa) do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira (HACC).

FONTE:INFOMONEY

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