Lojistas se unem para revitalizar quadra 1 da Batista de Carvalho

Eles não têm a caneta na mão, não legislam, suas vozes nem sempre são ouvidas como nas quadras de cima, mas os próprios comerciantes arregaçam as mangas e vão à luta para revitalizar a quadra 1 do Calçadão da Batista de Carvalho. O local não tem sido, há anos, o “point” de quem vai batistar. Há ali 28 endereços comerciais, sendo que 16 seguem ativos e 12 já fecharam as portas. Objetivo é, por contra própria, atrair novamente grande público, recuperar prejuízos e recolocar o local no mapa do comércio central de Bauru.

Na rua Monsenhor Claro, entre a base da PM e a Batista, há outros sete pontos de lojas, dos quais apenas três sobrevivem. A situação é difícil, ainda mais depois do tombo financeiro que levaram no fechamento da pandemia, mas vai melhorar, acreditam os lojistas.

A liderança é exercida por Moisés de Jesus, 48 anos, que abriu ali a sua loja de roupas e acessórios há menos de dois meses e divide o seu tempo entre vendas, gestão e cuidados com o Calçadão. Ele arranca o mato que nasce entre as pedras, poda árvores e até tapou um buraco com concreto. Tudo isso com energia e investimento próprio. Sábado passado ele limpou o local novamente e deixou a quadra 1 pronta para o evento que “caçou” público, o “Sábado das Crianças da quadra 1 da Batista”, que contou com a ajuda dos vizinhos comerciantes.

“Muitos acham que aqui é o final da Batista, mas não. Aqui é o começo. E está abandonado. Eu abracei a causa e fui atrás de um por um dos lojistas, organizei agenda, fizemos rateio e promovemos carrinho de pipoca e algodão-doce a tarde inteira. Vamos ter periodicamente um carro de som chamando as pessoas das demais quadras para virem visitar a nossa também. Eu mesmo me vesti de Superman para brincar e alegrar as crianças, convidando os pais para virem à quadra 1. A roupa do herói é emprestada da loja de fantasias que fica aqui ao lado. O servidor municipal que atua na limpeza desta quadra também trabalha bastante e atuamos juntos muitas vezes”, detalha Moisés.

“ATENÇÃO AQUI” 

A dona de um salão de beleza da quadra 1, Gislaine de Quadros Pereira, 30 anos, teve ponto por 13 anos na Rodrigues Alves, em frente à Câmara, e está no Calçadão há 2 anos. Ela recorda que viu as lojas ao lado fechando neste período. “Precisamos de mais atenção aqui. Está um pouco abandonado. A praça (Machado de Mello) também. Nos sentimos inseguras aqui, apesar de ter base da PM ao lado”, comenta.

Gislaine também não vê a hora do retorno da feirinha. “Ela era promovida por iniciativa da prefeitura, com pastel, verduras, sucos e atraía público. Tinha até música ao vivo. Mas veio a pandemia e acabou. Precisava retornar. O Moisés trouxe também uma porção de ideias legais e começou a implantar, ele mesmo, com a nossa ajuda”, disse a cabeleireira.

Em nota, a prefeitura recorda que já realizou eventos no local com o intuito de atrair público e movimentar o comércio, como encontros de food trucks, que levou mais de 6 mil pessoas até o Calçadão (em todas as quadras, não especificamente na 1), além de feiras livres, projeto “Ruas de Lazer” além de retomar a Comissão de Revitalização do Calçadão. Isso antes do advento da pandemia e os decretos que fecharam o comércio por meses.

FONTE : JC NET

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