Longevidade vai depender cada vez mais da tecnologia

Em dezembro, escrevi uma coluna sobre livro que prevê que centenários se tornarão algo corriqueiro nos próximos anos. Para o fim de janeiro, uma outra obra pretende chacoalhar certezas: “The future is faster than you think” (“O futuro é mais rápido do que você pensa”) trata de mudanças que vão acontecer na década que se inicia ano que vem. Seu autor, Peter Diamandis, é cofundador da Singularity University, instituição do Vale do Silício mantida em parceria com a Nasa, e já tem dois best-sellers: “Abundância: o futuro é melhor do que você pensa” e “Bold: oportunidades exponenciais”. Segundo ele, as inovações se dão em tal ritmo que a aceleração alimenta mais aceleração e o mundo nunca mais será o mesmo.

Diamandis lista sete forças que alimentam as mudanças. Em primeiro lugar vem a abundância da tecnologia, que se multiplica e se aperfeiçoa em ritmo vertiginoso.
Como consequência, enfatiza, economizamos um tempo precioso, que nos dá oportunidades para criar e inovar. Numa palestra de 2018, disponível em vídeo e que já antecipava as linhas gerais do livro, cita o seguinte exemplo: em 1790, a luz de uma vela equivalia a seis horas de trabalho de um homem; hoje, meio segundo de trabalho produz uma hora de luz.

A terceira força é a quantidade de capital disponível para financiar ideias: só de crowdfunding, foram levantados 34 bilhões de dólares em 2017 (o equivalente a quase 140 bilhões de reais) – e a previsão é de essa quantia chegar a 300 bi em 2025. Quarta força: o barateamento da tecnologia. Quinta: a abundância de comunicação, atrelada ao baixo custo: em 1975, um minuto de conversa entre os EUA e a Índia custava dez dólares; hoje sai por 0,01 de dólar. Entre 2022 e 2025, Diamandis prevê o planeta todo conectado, com acesso à informação. O que dá origem à sexta força, o “increasing genius”, ou seja, teremos mais gênios produzindo porque o mundo interligado não desperdiçará talentos, mesmo que estejam em lugares remotos.

Deixei a parte que me toca por último. A sétima força é o aumento da expectativa de vida. “Os cuidados com a saúde representam o maior negócio do mundo e o sistema está quebrado. Então, acho que Apple, Google e Amazon poderão fazer um trabalho muito melhor”, provocou, em entrevista à revista “Fast Company”. Ele se refere aos assistentes domésticos criados por essas empresas, que poderão vir a desempenhar papel relevante na manutenção do bem-estar das pessoas. No Reino Unido, a Amazon fez uma parceria com o Serviço Nacional de Saúde para que o dispositivo eletrônico responda a perguntas simples, como “o que fazer no caso de um resfriado”, ou “quais os sintomas de herpes”, mas isso é só o começo.

Sua avaliação é de que a tecnologia voltada para a saúde tem potencial para baixar custos porque conseguirá, através da coleta de dados, antecipar comportamentos e predisposições, podendo aconselhar e intervir antes de o problema ganhar proporções maiores. Talvez precisemos da ajuda de máquinas inteligentes para fazer o que até hoje se mostrou um desafio para todos os países: focar na prevenção de doenças.

FONTE : G1

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