Martinho da Vila se mostra atual entre as reflexões, tomadas de posição e exaltações feitas no politizado álbum ‘Bandeira da fé’

Não esmoreçam e fiquem de pé / Pra mostrar que há força no amor”, convoca Martinho da Vila no samba antigo, mas atualíssimo, que dá nome ao álbum, Bandeira da fé, que o cantor, compositor e ritmista fluminense lança hoje, 26 de outubro, com produção assinada pelo próprio artista.

Aos 80 anos, Martinho da Vila toma partido e manda recado explícito em cinco das 12 músicas de Bandeira da fé, álbum que apresenta dez meses após Alô Vila Isabeeeel!!!, disco de aura carnavalesca editado pelo artista em janeiro deste ano de 2018.

O próprio resgate do samba-título Bandeira da fé simboliza o tom político de disco que não foge à luta, como simboliza a ilustração criada por Elifas Andreato para a capa do álbum. Bandeira da fé é parceria de Martinho com Zé Katimba lançada em 1983 por Luiz Carlos da Vila (1949 – 2008), regravada em 1984 por Agepê (1942 – 1995) e até então nunca registrada em disco pelo próprio Martinho.

Capa da edição em CD do álbum 'Bandeira da fé', de Martinho da Vila — Foto: Ilustração de Elifas Andreato

Capa da edição em CD do álbum ‘Bandeira da fé’, de Martinho da Vila — Foto: Ilustração de Elifas Andreato

O compositor hasteia o samba Bandeira da fé na hora certa para propagar resistência e defender valores humanistas. Ao discorrer sobre a natureza feminina, Martinho dá voz à apresentadora e jornalista da TV Globo, Glória Maria, convidada a recitar os versos de Ser mulher(Martinho da Vila), poesia falada que se ajusta à ideologia de disco que cativa mais pela palavras do que pela música. Tanto que o canto de Martinho muitas vezes adquire a forma do discurso falado.

Para protestar contra o racismo e exaltar o orgulho negro, o cantor convoca Rappin’ Hood para misturar samba com rap (com direito a som de guitarra roqueira ao fim) em O sonho continua (Martinho da Vila, Rappin’ Hood e Jujuh Ferreira).

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