Ministro italiano renuncia em protesto contra falta de recursos para Educação

O ministro da Educação da Itália, Lorenzo Fioramonti, apresentou nesta quinta-feira a renúncia ao primeiro-ministro, Giuseppe Conte, devido à falta de recursos para a lei de orçamentos para 2020, aprovada na segunda-feira passada.

Fioramonti explicou as razões para a demissão nas redes sociais. O ministro afirmou que ainda pretendia esperar alguns dias para realizar o anúncio, mas o fez nesta manhã porque a notícia já havia vazado.

“Todos sabem as razões: aceitei a minha tarefa com o único objetivo de reverter radicalmente a tendência que durante décadas colocou a escola, o ensino superior e a pesquisa italiana em condições de grande sofrimento”, escreveu.

Fioramonti, membro do Movimento 5 Estrelas (M5S), já tinha adiantado há algumas semanas que se demitiria caso não ficasse satisfeito com o orçamento. A pretensão era que a verba para a educação chegasse a pelo menos 3 bilhões de euros em 2020 e que o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) fosse mantido, o que não aconteceu.

O ministro disse que tinha o compromisso de “colocar a educação, que é fundamental para a sobrevivência e o futuro de cada sociedade, no centro do debate público” e que sempre destacou que “sem recursos adequados era impossível lidar com as emergências que afetam as escolas públicas e as universidades”.

“Contudo, a verdade é que o governo precisaria de mais coragem para garantir aquela ‘linha de flutuação’ financeira da qual sempre falei, especialmente numa área tão crucial como a universidade e a pesquisa”, lamentou.

Segundo Fioramonti, “nunca são encontrados recursos quando se trata de escola e pesquisa, mas centenas de milhões de euros são recuperados em poucas horas para serem utilizados para outros fins quando há vontade política”.

A verdadeira crise econômica na Itália, acrescentou, é “a perda de talento e a falta de valorização da excelência, o que gera uma hemorragia constante de conhecimentos e habilidades preciosas, que acaba por contribuir com o crescimento de outras nações”.

De acordo com a imprensa local, o ministro pretende deixar o partido para formar um grupo parlamentar autônomo com outros membros insatisfeitos, mas continuará a apoiar o governo que foi formado em agosto passado entre M5S, Partido Democrático e outras forças progressistas. Fioramonti não confirmou nem desmentiu a hipótese até agora.

O ministro, de 42 anos e ex-professor de economia política da Universidade de Pretória, na África do Sul, tinha anunciado a introdução de uma disciplina obrigatória sobre a crise climática no currículo escolar.

Além disso, propôs o aumento dos impostos sobre confeitarias e bebidas açucaradas para proteger a saúde das crianças, o que acabou sendo incluído, embora com muita polêmica, na lei dos orçamentos.

FONTE : EFE BRASIL

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