NA QUARENTENA, SEMENTES DA SOLIDARIEDADE BROTAM EM SOLO FÉRTIL DE ENTIDADE.

Por Célia Ribeiro

Desde o início da pandemia, o maior impacto da quarentena recaiu sobre as famílias de baixa renda em que predominam trabalhadores informais e desempregados. Para essa expressiva parcela da população, a mão estendida da sociedade pode ser a diferença entre ter ou não ter o que colocar no prato. Por isso, a atuação de ONGs como o Projeto Semear, em Marília, está contribuindo para socorrer as famílias em um momento aterrador da história mundial.

Com cerca de 200 voluntários, o Projeto Semear é referência em organização e transparência. Em seu SITE, a prestação de contas detalha tudo o que recebe e como investe os recursos doados pela comunidade. Não é à toa que a entidade conta com a adesão de empresas, clubes de serviço e cidadãos comuns que querem ajudar de alguma maneira.
O Projeto Semear possui 125 famílias cadastradas e atende 173 crianças e adolescentes na zona oeste, com o desenvolvimento de inúmeras atividades educacionais, culturais e esportivas. Com a sede própria inaugurada em fevereiro, foi preciso pensar em alternativas.
Em entrevista por WhatsApp, a diretoria informou que, “nos adaptamos a esta nova realidade e tomamos as precauções necessárias. Suspendemos de imediato as atividades com a participação de crianças e adolescentes fazendo o devido resguardo e isolamento. Porém é importante não perder os vínculos com os atendidos, vínculo social, afetivo e emocional, sendo este último o mais importante neste momento de fragilidade coletiva em que a solidão, na suas variadas formas de expressão, pode causar mais problemas”.

Utilizando mensagens por aplicativo de celular, dirigentes, voluntários e as mães e famílias atendidas, estão em contato permanente, o que facilita na hora de socorrer quando surge uma situação emergencial: “Muitas famílias precisam da continuidade no trabalho de conjunto de orientação que fazemos e toda vez que surge uma necessidade maior, mesmo material, procuramos sanar de imediato”, explicou a nota.

Um dos grandes parceiros da ONG é o Tauste Ação Social. Dos 125 cartões recarregáveis doados às famílias, com crédito de 70 reais, a empresa doou 10 reais. Por três meses, as famílias contarão com esse reforço que não permite compra de cigarros ou bebidas alcoólicas. Através da conta do Semear em que a comunidade e empresários têm feito doações da campanha “Marília Contra o Covid-19”, foram carregados 350 cartões com 70 reais e doados a entidades para distribuição a famílias carentes cadastradas, além de adquiridos dois respiradores doados ao Hospital de Clínicas de Marília.

ORIENTAÇÃO
“A ONG Semear só está com as portas físicas fechadas, porém os trabalhos continuam e todo o dia tem novas situações que demandam nossa atenção e soluções. São muitas famílias com histórico e realidades diferentes. Educar para que tenham mais autonomia, para que aprendam a utilizar os recursos assistenciais oferecidos pelos governos, contribuir para a formação de um núcleo familiar mais integrado, entre si, e com a sociedade em que estão inseridos é trabalho contínuo”, informou a direção.

Segundo a presidente Sônia Mara Mattar, “apesar de estarmos sem atividades, não poderíamos deixar as crianças sem chocolate na Páscoa. Prezamos muito na ONG em fazer para as crianças e adolescentes o mesmo que fazemos para os nossos filhos. No mesmo dia que entregamos os chocolates, foram entregues sabonetes arrecadados pelo Projeto Semeando Amor formado por jovens”.

Além disso, com a queda da temperatura, a ONG está doando 180 cobertores para crianças e adolescente assistidos. E, através de ação solidária do Bugga Pizzaria, semanalmente, as famílias estão recebendo uma pizza quentinha: de segunda a quinta-feira, a cada pizza vendida ao público, outra é destinada à ONG. Na primeira semana, foram sorteadas 50 famílias entre as 125. E, assim, a cada semana, quem não recebeu a pizza entra no sorteio da sexta-feira seguinte.
A parceria com o SESI é outro reforço: “Recebemos as marmitas e por iniciativa de uma das funcionárias, que conhece bem a realidade de cada célula familiar, conseguimos direcionar um número de marmitas por residência que satisfaça a fome do grupo, e não enviar apenas uma por família, o que seria incoerente da nossa parte. Fazemos assim um rodízio das famílias que recebem, em determinado dia, as marmitas prontas e nos dias em que não contam com as marmitas podem se socorrer da cesta básica recebida”, explicou a diretoria.

A ONG recebeu a doação de 200 cestas básicas do Fundo Social de Solidariedade, além de doações da live do Programa “Arena de Ouro” junto com a loja JJ Ranch. Por sua vez, uma voluntária confeccionou e doou 200 máscaras de tecido para as famílias.

VOLUNTÁRIOS
A diretoria destacou a importância do trabalho voluntário: “Sem ele não se faz nada, as atividades correm o risco de não se realizarem porque um, ou outro, deixou de fazer a parte que lhe cabia, deixou por exemplo de enviar aquele ofício na data prevista, deixou de comparecer no horário combinado, deixou seu posto, sua missão. Ser voluntário é algo que requer disponibilidade, organização do tempo e disciplina, para com você mesmo e para com os outros”.

E prosseguiu: “Na ONG Semear ninguém é dono de nada, não tem chefe, porém temos a consciência da formação de lideranças para garantir a continuidade do projeto e a sua ampliação quando assim for possível. Lembramos sempre da parábola dos voo dos gansos em que os líderes do grupo se revezam continuamente na ponta e emitem sons que entusiasmam os que estão atrás a continuar batendo as asas e voando mais alto e mais longe”.

Para ajudar, acesse:http://www.projetosemearmarilia.org.br/como-ajudar/ 

São bem-vindos: alimentos, ingredientes para compor as cestas básicas, material de limpeza, material de higiene pessoal, fraldas geriátricas, temperos, farinha de trigo, leite, pães, achocolatados e sucos, entre outros.  

Fonte: Reportagem publicada na edição de 17.05.2020 do Jornal da Manhã

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