PEDRO NERCESSIAN: “AOS 30 ANOS, A VIDA ME TROUXE A LUGARES MAIS LEGAIS DO QUE PLANEJEI”

Pedro Nercessian, 32 anos, chama a atenção com o trabalho no longa-metragemCanastra Suja, de Caio Soh, que tem estreia nacional programada para esta quinta-feira (21). Pelo trabalho, ele ganhou os prêmios de melhor ator coadjuvante pelo Los Angeles Brazilian Film e o de melhor ator coadjuvante pelo Fest Aruanda.

No filme, ele interpreta um jovem que tem relacionamento ruim com os pais, vividos por Adriana Esteves e Marco Ricca, e cogita trabalhar como garoto de programa. “É um filme que fez as pessoas me verem em outro lugar. Foi um grande trabalho e com um personagem profundo”, afirmou.

QUEM: Canastra Suja entra no circuito com boas expectativas de repercussão. Como foi participar deste filme?
PEDRO NERCESSIAN:
Forte! Muito forte. É um filme muito verdadeiro. Como eu morei no local durante as filmagens, acabei conhecendo realidades muito próximas e problemas muito parecidos aos que aconteciam com os nossos personagens. Vi de perto como a realidade pode ser cruel.

QUEM: Pelo trabalho, você conquistou prêmios de melhor ator coadjuvante pelo Los Angeles Brazilian Film e no Fest Aruanda. Considera que este trabalho seja um divisor de águas na sua carreira?
P.N.:
Sim, é um filme que fez as pessoas me verem em outro lugar. Foi um grande trabalho e com um personagem profundo. E os prêmios ajudaram muito nessa visibilidade. Hoje em dia, não adianta só fazer algo de bom. É preciso que as pessoas vejam esse trabalho.

QUEM: Você está no elenco de Assédio, nova produção da Globo. O que pode nos adiantar do papel?
P.N.:
Acho que é o papel mais maduro que já fiz. O maior desafio foi dar humanidade e fugir do clássico mocinho ou bandido, já que meu personagem trabalhava como assessor de imprensa que tentava melhorar imagem de um médico estuprador — como se isso fosse possível.

Pedro Nercessian (Foto: Divulgação/TV Globo)

QUEM: Teve alguma preparação específica?
P.N.:
Desde novo, convivo com jornalistas por conta da minha profissão. Talvez, por isso, essa parte tenha sido mais fácil. Duro foi mergulhar no universo do abuso sexual e entender como funciona essa espécie de corporativismo masculino que faz com que uma denúncia de estupro seja sempre questionada ou relativizada. A famosa turma do “será que foi isso mesmo?”, “mas será que ela não estava querendo também?”. Isso é um absurdo! Me deparar com essas questões foi bem pesado.

QUEM: Uma curiosidade: ainda é muito lembrado por Malhação? Em algum momento ser “o menino da Vagabanda” te incomodou?
P.N.:
Acho Malhação um fenômeno inexplicável! Já faz 12 anos que saí e as pessoas ainda lembram de detalhes daquela época. Hoje em dia, até entendo o motivo. Foi um programa muito marcante pra uma geração que hoje já tem seus 30 anos e passou a adolescência vendo a gente. Por isso, claro que vai ser marcante.

QUEM: Você iniciou a carreira artística ainda novinho. Sofreu influência familiar?
P.N.:
Certamente, sempre tive apoio. Meus pais sempre me levavam ao museus, teatros e bibliotecas. Foi fundamental pra minha vida, independentemente de eu ter me tornado ator.

QUEM: É um cara que estabelece metas profissionais, planeja o futuro ou segue a filosofia do “deixo a vida me levar”?
P.N.:
Um pouco dos dois. Traço as metas e trabalho por elas, mas aprendi a não ficar cego por causa delas. A vida, aos 30 anos, me trouxe a lugares mais legais do que eu planejei aos 20.

QUEM: Se tivesse que se imaginar daqui a dez anos, como seria?
P.N.:
Quero continuar vivendo bem da minha arte, mas, como diria o nosso poeta, “deixa acontecer naturalmente”.

Pedro Nercessian (Foto: Sergio Baia)

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