Proprietários de RPPNs trocam experiências em São Paulo

A Mata Atlântica é um dos biomas brasileiros que mais perdeu a vegetação natural e com ela espécies da fauna e flora importantes para todos. E 12 proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), em São Paulo, reuniram-se para trocar experiências sobre os planos de manejo de suas áreas e debater formas de atuação que estimulem o ecoturismo, educação ambiental e pesquisa em áreas de proteção.

O II Encontro Planos de Manejo para RPPN com Visão Empreendedora foi promovido pela WWF-Brasil em parceria com o Instituto Ecofuturo, criado e mantido pela Suzano Papel e Celulose, a Federação das Reservas Ecológicas Particulares do Estado de São Paulo (Frepesp), a Fundação Florestal (órgão do governo do Estado de São Paulo para conservação florestal) e aconteceu no Parque das Neblinas, área protegida e gerida pelo Instituto Ecofuturo.

Durante as dinâmicas os proprietários de RPPNs apontaram, em grupo, quais os objetivos de cada unidade, principais ameaças e quais ações pretendem realizar. Com isso, foi montado um grande painel mostrando os pontos em comum entre os proprietários.

“Essa aproximação é importante para que se crie um ambiente de troca e colaboração capaz de proporcionar um crescimento coletivo aos proprietários, turistas e principalmente para o equilíbrio dos ecossistemas”, explica Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil.

Um dos pontos do encontro foi sobre a elaboração dos Planos de Manejo, que são norteadores dentro das áreas protegidas. “O plano ajuda a despertar as vocações dentro das RPPNs para termos áreas cada vez mais desenvolvidas e adequadas às características de cada reserva. É gratificante ver que as RPPNs no Estado de São Paulo buscam evoluir e melhorar cada vez mais os processos de suas unidades”, disse Felipe Feliciani.

Segundo João Yuasa, 76, proprietário da RPPN Águas Claras, localizada em São Luís do Paraitinga, o encontro foi fundamental para desenvolver estratégias de negócios ao mesmo tempo que asseguram a proteção e o equilíbrio do ecossistema.

“Saímos do Workshop com muita lição de casa e cheios de possibilidades de ações com os nossos recursos atuais e adequados para a nossa realidade de hoje. Todo dia levanto e agradeço por viver em um lugar como aquele. Mas temos muito para fazer ainda, já vemos os sinais do que acontece, essa depredação é um câncer na terra. Vamos salvar o que está bem enquanto ainda há tempo”, afirma Yuasa, que administra uma pousada com chalés na propriedade do entorno da RPPN. “Entre as atividades que iremos desenvolver está o aprimoramento das nossas trilhas e vamos explorar mais a nossa gastronomia”, disse Yuasa.

Na Fazenda Renópolis, localizada em Santo Antônio do Pinhal, no alto da Serra da Mantiqueira, 80% dos mais de 120ha da propriedade são RPPN. O espaço é gerido por Denise Murgel, 83, e a filha Débora Murgel, 60, e é considerada uma das áreas mais bem preservadas da região. Na fazenda, a dupla composta por mãe e filha administram uma casa de chás, que são plantados de forma orgânica na propriedade, produzem artesanato com sementes e folhas e também realizam pesquisas científicas. Além disso, a fazenda Renópolis é considerada um hospital da vida silvestre e serve como área de recuperação para aves, repteis e pequenos mamíferos. Nos últimos 10 anos, foram recuperados e reintroduzidos na natureza mais de 1.000 animais na região reserva.

“Meu sogro comprou a fazenda em 1923, mas me mudei para lá apenas em 1995. E foi então que comecei a viver de fato, eu já tinha 60 anos, com netos. Mas só quando comecei a viver na Renópolis que comecei a dar valor a outras coisas na vida e viver muito melhor e mais feliz e tranquila. Não consigo imaginar como alguém consegue prejudicar a natureza, desmatar é como tirar alimento da boca de uma criança com fome”, comenta Denise após realizar uma trilha na beira do rio no Parque das Neblinas.

Para Débora Murgel, a troca de experiências do workshop foi importante para aprimorarmos nossas técnicas de baixo impacto. “Não imagino minha vida sem ter contato com a natureza, as plantas e os animais. Tudo que produzimos em Renópolis é ecológica e orgânica, assim o ecossistema fica equilibrado. E podemos trocar um pouco da nossa experiência me deixa muito feliz”, disse.

O que são RPPNs
Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é um tipo de unidade de conservação criada pela vontade do proprietário rural. São um sinal de compromisso com a conservação da natureza. Além de preservar as paisagens e ambientes históricos, as RPPNs assumem objetivos de proteção de recursos hídricos, manejo de recursos naturais, desenvolvimento de pesquisas cientificas, manutenção do equilíbrio ecológico entre várias outras funções.

FONTE : WWF BRASIL

  

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