Treinamento em Hamamatsu prepara brasileiros para atuar como voluntários em desastres

A prevenção de desastres naturais é uma atividade essencial no Japão e os treinamentos, que visam preparar a população e salvar vidas em situações emergenciais, também procuram incluir as comunidades estrangeiras.
No domingo (24), 39 estrangeiros se reuniram no prédio da Fundação Internacional de Hamamatsu (HICE, em inglês), para participar de um treinamento de voluntários para casos de calamidade. Além de 15 brasileiros, o treinamento também contou com a participação de cidadãos de outros oito países como Peru, China, Filipinas, Vietnã e Estados Unidos.
O treinamento foi o primeiro de uma série de três atividades práticas, agendadas para o mês de outubro e dezembro. Os estrangeiros que participarem dos três eventos serão cadastrados no sistema da HICE e serão convocados para atuar na assistência das comunidades estrangeiras no caso de um grande terremoto atingir a região.
Antes do inicio das atividades, o diretor administrativo da HICE, Tomoharu Kato, lembrou que a cidade não é afetada por grande terremoto há mais de 70 anos. “Autoridades acreditam que esta é uma região que enfrentará um forte tremor, talvez com tsunami, em algum momento em um futuro próximo”, comentou, lembrando o terremoto Showa Tonankai Jishin de 1944, que atingiu magnitude 7.9 e deixou mais de mil mortos.
As atividades foram conduzidas por dois funcionários do Departamento de Administração de Crise da prefeitura de Hamamatsu, Naruaki Ito e Masamitsu Fujita. Separados em grupos, os estrangeiros estudaram o mapa da cidade e foram orientados a marcar os rios, lagos e rotas de fluxo de água, as avenidas onde haverá circulação de ambulâncias e as áreas amplas, como parques e templos, que servirão de fuga no caso de incêndios.
Os grupos também estudaram as rotas de refúgio e as escolas primárias e ginasiais que servem como abrigos em situações de perigo, além dos pontos de refúgio para tsunami, espalhados nas áreas mais próximas ao litoral.
Logo em seguida, os voluntários puderam discutir em grupos o que aprenderam no dia, trocar experiências, dúvidas e dividir conhecimento. Os representantes da prefeitura também apresentaram produtos úteis para casos de calamidade, como mantimentos de longa duração, lanternas e panos umedecidos. No final, foram dadas algumas orientações para manter a casa e a família preparada em caso de desastres (veja abaixo).
ORIENTAÇÃO DE ESTRANGEIROS
Durante um desastre natural, são as comunidades estrangeiras que se tornam mais vulneráveis na sociedade, devido às dificuldades de entender o idioma local, o noticiário e as instruções de segurança. Nos locais de abrigo, os estrangeiros também sofrem com a dificuldade de entender as regras e a falta de informações sobre o que está acontecendo.
A cidade de Hamamatsu, que hoje é a casa de quase 10 mil brasileiros e também de comunidades crescentes de outros países, como vietnamitas, chineses e filipinos, tomou providências para garantir o máximo de auxilio aos estrangeiros que não possuem domínio do idioma local.
Desde 2015, a prefeitura colocou nas mãos da HICE a responsabilidade de orientar os residentes estrangeiros e a organização iniciou os treinamentos, com o objetivo de deixar voluntários preparados para esta importante tarefa. “Temos 46 estrangeiros voluntários cadastrados atualmente e o número pode subir para 66 no fim do ano, se todos os novos voluntários participarem dos três treinamentos”, explicou Lissa Kikuyama, coordenadora da HICE.
Os interessados em se tornar voluntários devem entrar em contato com a HICE pelo telefone 053-458-2170 ou e-mail infohi-hice.jp. Para se voluntariar, é necessário ter domínio do idioma japonês, ser morador da cidade ou trabalhar em Hamamatsu. Os novos interessados só poderão participar dos treinamentos a partir do próximo ano.
VOLUNTÁRIOS BRASILEIROS
A comunidade brasileira é a mais expressiva entre os estrangeiros de Hamamatsu, com 9.062 residentes, de acordo com os dados da prefeitura. Durante um desastre natural, o papel dos voluntários nativos do Brasil será de extrema importância na orientação da comunidade para medidas de segurança, rotas de refúgio e instruções durante o tempo que for necessário ficar em um abrigo.
O brasileiro Eber Toyohashi, de 50 anos, já participou dos treinamentos do ano passado e está pronto para atuar em benefício da comunidade se um desastre natural atingir a cidade. Eber, que mora no Japão há 30 anos e se mudou com a família de Aichi para Hamamatsu no ano passado, contou o quanto os treinamentos têm sido importantes para ter uma noção de como agir.
“Hoje pude aprender alguns pontos de perigo e percebi que não estou totalmente seguro. Decidi ser voluntário pela vontade de ajudar os outros, fazer algo pela sociedade. Como falo japonês desde pequeno, sei que posso ser útil quando acontecer um desastre natural”, comentou.
O mesmo sentimento também está presente na brasileira Harumi Hatakeyama, que está há 7 anos no Japão, todos vividos na cidade de Hamamatsu. Harumi aperfeiçoou o japonês nos últimos anos e decidiu se voluntariar para ajudar a reduzir os estresses muitas vezes gerados por problemas de comunicação.
“Há muitas brigas nos abrigos por que as pessoas não entendem o idioma e não conhecem as regras. Se eu conseguir ajudar de alguma forma, explicando as coisas, sei que poderei ajudar a aliviar a dor e o sufoco na hora da tragédia”, comentou.
PREPARO PARA TERREMOTOS
– Utilize suportes para fixar os móveis nas paredes, principalmente as estantes, que podem cair durante um forte terremoto.
– Não deixa estantes ou armários no quarto de dormir, para evitar que o móvel caia na cama se um tremor ocorrer durante a madrugada.
– Evite também colocar estantes ou armários próximos as portas dos quartos ou a entrada de casa, pois uma possível queda de móveis pesados poderá dificultar a locomoção e a saída.
– Discuta sobre a prevenção de desastres com a sua família e guarde em casa um estoque de garrafas de água e mantimentos de longa duração :
FONTE : ALTERNATIVA ON LINE

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *