“Um beijo que veio do céu”, diz mãe de menino brasileiro abençoado pelo papa em Tóquio

O papa Francisco deixou o Japão na terça-feira (26) rumo ao Vaticano, encerrando sua visita de quatro dias ao país. Bispos católicos se despediram do pontífice no aeroporto de Haneda, em Tóquio. A visita de Francisco ao Japão foi a primeira de um chefe da igreja católica em 38 anos.

O pontífice passou por províncias como Hiroshima, Nagasaki e Tóquio, falando com sobreviventes da bomba atômica de 1945 e do desastre natural de 2011 em Tohoku.

O papa também teve encontros com o primeiro-ministro Shinzo Abe e com o imperador Naruhito, passando mensagens de paz, união e esperança para o mundo.

Na Santa Missa em Tóquio, realizada na segunda-feira (25), mais de 50 mil japoneses e estrangeiros se reuniram no estádio Tokyo Dome para prestigiar a presença do líder religioso e deixaram se encantar com a sua mensagem, força e bondade.

Muitos brasileiros também se organizaram para estar presentes na missa papal. Foram cerca de 100 brasileiros de Hamamatsu (Shizuoka) em ônibus de viagem, de acordo com a Comunidade Católica local. Um dos pontos mais marcantes foi quando o papa beijou um menino brasileiro, que veio com a família de Hamamatsu para a missa.

Karina D’Amelio foi com o marido Andrei, a mãe Elisabete e os filhos Julia, de 7 anos, e Miguel, de 3 anos. Ela conta que estava ao fundo, podia acompanhar a missa mais pelo telão, mas teve a sorte de ver o filho Miguel sendo abençoado pelo papa.

“Aconteceu logo na entrada. Nós estávamos no início do tapete vermelho, perto dos fotógrafos. Um rapaz ao nosso lado disse que tinha que gritar para chamar a atenção dos seguranças. Mas eu nem imaginava, só levantei o meu filho para que ele visse o papa. Mas o rapaz gritou e apontou e um segurança veio e pegou ele. Fiquei muito emocionada que nem consegui ver direito. Ainda estou em estado de graça, nunca esquecerei essa experiência”, relatou.

A brasileira conta que foi agraciada com mensagens de parabéns e comoção de outros brasileiros, familiares, amigos e colegas da igreja. “Eu digo que foi a mão de Deus. Um beijo que veio do céu. Meu filho representou a nossa comunidade, ficamos muito felizes. Minha filha mais velha também se emocionou, abraçou o irmão e chorou”, contou.

Gravidez abençoada

Outra brasileira agraciada foi a catequista Keila Kojima Omura, também de Hamamatsu. Grávida de 14 semanas, Keila e o marido Toshio Omura participaram de uma reunião particular com cerca de 900 jovens, na Catedral Santa Maria em Tóquio, na manhã de segunda-feira. Na ocasião, a brasileira teve a oportunidade de falar com o papa e teve a barriga abençoada pelo pontífice.

“Ainda estou muito emocionada. Nunca poderia imaginar conhecer o papa pessoalmente, ainda mais tão de perto. Toda a bênção de Deus é especial, mas vinda das mãos do papa Francisco foi emocionante. Eu e meu esposo não conseguimos conter as lágrimas”, contou.

Japoneses emocionados

Mario Aoki, de 46 anos, também foi um dos brasileiros a vir de Hamamatsu e conta que ficou emocionado, não apenas com a presença do papa, mas também com a gloriosa recepção dos japoneses.

“Fiquei muito surpreso, pois apesar de apenas 1% dos japoneses ser católico, a recepção foi incrível. O estádio lotou, acredito que mais de 60 mil pessoas. Vi japoneses emocionados, chorando. A força da palavra que o papa tem passado para o mundo é surpreendente”, comentou.

Mario contou ainda que o momento mais marcante foi a entrada do pontífice. “Quando ele entrou de papa móvel, a música tocando, foi muito bonito, emocionante. Ele é um exemplo, não diferencia ninguém, acolhe todos como família. Acredito que ele abriu o coração dos japoneses, que costumam ser conservadores e fechados, mas se deixaram contagiar pela presença do papa”, ressaltou.

Mario teve a oportunidade de ver o papa há três anos, em uma visita ao Vaticano, quando participou de uma audiência papal. Porém, no Japão, foi outra experiência. “Foi diferente ver ele aqui, onde eu moro. Ver ele passando uma mensagem de esperança e a palavra de Jesus Cristo mesmo em um país sem valores cristãos. Ele falou sobre a ganância, a ambição. Disse que é o valor espiritual que realmente importa, o resto é acréscimo”, disse.

Para o brasileiro, a visita da autoridade máxima da Igreja Católica vem a somar na sociedade japonesa. “Acredito que, como seguidor de Cristo, a presença do papa é importante para mostrar o exemplo dele ao mundo. Agrega os valores humanos do cristianismo, valores espirituais, divinos e morais”, concluiu.

Ansiedade
Logo que chegou ao Tokyo Dome, Roberto Akio Faustino Mazuki, 53 anos, sentiu o coração balançar mais forte. “Foi emoção o tempo todo, desde a partida dos dois ônibus de Tajimi (Gifu). Para falar a verdade, não consegui dormir de ansiedade por este dia”, contou.

Nos arredores do estádio onde o papa iria rezar uma missa, havia uma multidão composta por japoneses, brasileiros, peruanos, filipinos, indianos, que foram os que Roberto conseguiu identificar, todos em busca de seus lugares para acompanhar a missa a ser rezada pelo papa Francisco.

Roberto é católico há cerca de 30 anos e conta que jamais pensou que poderia ver um papa tão perto. “Quando ele entrou, foi em seu papa móvel, e passou a uns 50 metros de nós. Nessa hora foi arrepiante, pois o estádio inteiro ficou em pé, com as pessoas balançando bandeirinhas. Foi uma energia fora de série”, conta.

Nesse momento, porém, muita gente não conseguiu conter as lágrimas. “Até uma moça que não frequenta a igreja e foi como convidada de outra, chorou. Não chorei, mas fiquei arrepiado”, conta Roberto.

Durante a missa, foram feitas leituras em vários idiomas, como espanhol, inglês, português e também japonês. “O sermão dele foi em espanhol (havia tradução para o japonês em um telão). Ele falou que como o Japão é um país desenvolvido, alertou as pessoas para que não pensassem somente em ganhar dinheiro, se esquecendo do lado humano. Claro que a parte material é importante, mas devemos valorizar também o nosso lado humano e as pessoas que estão ao redor.”

Um detalhe, entre tantos, porém, impactou Roberto. “Acredito que no estádio havia umas 50 mil pessoas. Quando o papa desceu do papa móvel e se dirigiu ao altar, o silêncio foi completo. E o curioso é que ninguém pediu para que ficassem em silêncio. Foi um momento fantástico”, relata.

“Posso dizer que na minha vida há dois momentos marcantes, a primeira vez que vi o padre Marcelo Rossi em um show no interior de São Paulo e agora, ao ver o papa. Seu coração bate mais forte. É impressionante ver um homem movimentar tanta gente”, finalizou.

FONTE : ALTERNATIVA ON LINE

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