Zagueiro do Braga, mariliense fala sobre volta do Campeonato Português

Zagueiro do Sporting Clube de Braga, que disputa a 1ª Divisão do Campeonato Português, o zagueiro mariliense Vitor Tormena, de 24 anos, conversou com a reportagem JM sobre o retorno do futebol na “terrinha”. A bola voltou a rolar em Portugal no dia 3 de junho e já foram realizadas três rodadas, sendo que o complemento desta 3ª ocorre até domingo.

Tormena explicou que os treinamentos em Portugal recomeçaram no dia 27 de abril. “Foram trabalhos individuais no início. Éramos separados em grupos e horários diferentes. O medo foi um pouco natural no começo por conta de todo o alarde sobre a doença. O pessoal estava um pouco assustado sim”.

No entanto, o zagueiro do Braga disse que atualmente os treinos são praticamente iguais a antes da pandemia.

“A única diferença é a utilização do álcool em gel, que está espalhado por todo o Centro de Treinamento. Porém, a parte mais importante acontece fora do CT. Todo mundo do elenco está se cuidando, tentando ficar o máximo possível dentro de casa com os familiares, para tentar evitar a contaminação, apesar da pandemia estar muito bem controlada aqui. Portugal foi um dos países da Europa que mais soube lidar com a situação de proliferação de casos”, frisou.

Parte física e testagem – O mariliense comentou que mesmo a volta dos treinos com mais de um mês antes do reinício do Campeonato Português, a questão física dos atletas está bastante comprometida.

“Se você pegar o Campeonato Alemão, um dos primeiros que retornou, já na 1ª rodada foram oito lesões. Mesmo com os treinos em casa durante a pandemia, não é a mesma coisa. Já voltamos há três rodadas e sentimos uma diferença muito grande de intensidade nas partidas. O jogo ficou um pouco mais feio de se assistir. Isso agora leva tempo para voltar ao normal na parte física. Acredito até que somente na próxima temporada a intensidade de todos os atletas votará ao que era”, opinou.

Vitor Tormena afirmou que os testes para o coronavirus são realizados duas vezes por semana no Braga.

“Tem o teste obrigatório, que é realizado pela organização do campeonato e ocorre 24 horas antes dos jogos para todos os atletas que forem relacionados, e nosso grupo todo faz o teste uma vez por semana no clube”. O zagueiro lembrou que até o momento ninguém do time foi diagnosticado com a doença. “Graças a Deus nem jogador e nem funcionário pegou, diferentemente de outras agremiações”.

O mariliense citou o procedimento do Braga antes das partidas. “Quando jogamos fora de casa, vamos todos no mesmo ônibus e quando atuamos como mandante, a concentração no hotel ocorre dois dias antes”.

Jogo sem torcida – Outro ponto de modificação do futebol com a pandemia são os jogos sem torcida.

“Nenhum jogador gosta de jogar assim, fica uma situação meio sem clima. É a torcida que incentiva e deixa a partida mais interessante, empurra o time quando está precisando, mas nesse momento é um sacrifício necessário ficar sem o apoio deles. Porém, é óbvio que sem o torcedor, o espetáculo perde uma parte de seu brilho”, declarou Tormena.

No Brasil a bola ainda não voltou a rolar, mas alguns estaduais do País já têm data para retornar. O mariliense se mostrou preocupado.

“Pelo que eu tenho acompanhado, acho que por agora seria um pouco complicado voltar. Acredito que nesse momento o risco seria muito grande dos jogadores pegarem o coronavirus. Aqui em Portugal, por mais que a doença esteja bem controlada, tanto que os jogos da Liga dos Campeões vão acontecer aqui, na volta do Campeonato Português um atleta foi diagnosticado com a Covid-19 em um exame realizado 24 horas antes do jogo e precisou ser cortado da delegação. Acho que seria muito cedo uma volta agora do futebol no Brasil. Tem que se pensar primeiro na saúde de jogadores e seus familiares”, avaliou.

Braga joga hoje – O clube do zagueiro mariliense entra em campo hoje (dia 19), às 17h15 (Horário de Brasília), fora de casa, diante do Famalicão. O time de Vitor Tormena está na 3ª colocação do Campeonato Português, com 46 pontos – 18 a menos dos líderes Benfica e Porto. O defensor falou que desde o início da pandemia ficou em Portugal.

“Pensei em voltar ao Brasil, mas tivemos problemas com aeroporto, voo e talvez eu teria problemas para retornar a Portugal. Estou aqui sozinho, sem ninguém da família. Fui me cuidando, com todo o apoio do pessoal do clube. Pelo fato do País estar controlando bem o coronavirus, bares, shoppings e o futebol voltaram a funcionar normalmente, mas lógico que todos estão se cuidando com álcool em gel e máscaras. Devagar as coisas vão voltar ao que eram”

Braga é uma cidade no extremo norte de Portugal, que possui aproximadamente 140 mil habitantes e fica a cerca de 360 quilômetros da capital Lisboa. “Felizmente aqui está indo muito bem no combate ao vírus. Novos casos confirmados sempre têm, mas apesar de aproximadamente 70 mortes registradas, estamos há 26 dias sem um óbito”, finalizou.

Vitor Tormena saiu da escolinhas de futebol mariliense Stadium BR para a base do São Paulo, onde ficou de 2011 a 2016. Seu primeiro ano como profissional foi em 2017 no Grêmio Novorizontino, emprestado pelo Tricolor. No segundo semestre se transferiu para o Gil Vicente-POR e na temporada passada atuou pelo Portimonense-POR, antes de se transferia para o atual clube.

FONTE : JORNAL DA MANHÃ

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