Roberto Carlos tem obra analisada sob perspectiva sociológica no livro ‘A simplicidade de um rei’
♪ Festejados em 19 de abril de 2021, os 80 anos de nascimento de Roberto Carlos motivaram edições de livros sobre o cantor mais popular do Brasil ao longo do ano passado.
Em abril, mês do aniversário do artista, chegaram ao mercado editorial Querem acabar comigo – Da Jovem Guarda ao trono, a trajetória de Roberto Carlos na visão da crítica musical – livro em que Tito Guedes historia a recepção e a percepção da obra do cantor na visão dos jornalistas da década de 1960 aos anos 2010 – e a biografia Roberto Carlos – Por isso essa voz tamanha, escrita por Jotabê Medeiros.
Em dezembro, foi a vez do monumental primeiro volume de Roberto Carlos outra vez – 1941 – 1970, parte inicial da (nova) biografia em que Paulo Cesar de Araújo reconta a vida do artista com ênfase em detalhes sobre as gravações realizadas pelo cantor a partir de 1959.
Ainda em dezembro, no dia 27, quase ao apagar das luzes de 2021, um quarto livro sobre Roberto Carlos chegou às livrarias via Paco Editorial.
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Capa do livro ‘A simplicidade de um rei’, de Marcos Henrique da Silva Amaral — Foto: Divulgação
Escrito pelo sociólogo e pesquisador Marcos Henrique da Silva Amaral, o livro A simplicidade de um rei – Trânsitos de Roberto Carlos em meio à cultura popular de massa analisa o impacto da obra do artista no Brasil sob perspectiva sociológica com texto escrito sob os cânones da linguagem acadêmica. Até porque o livro descende da homônima dissertação de mestrado defendida pelo autor em 2012.
Se todo menino é um rei, como sentencia o título de samba dos anos 1970, Marcos Henrique da Silva Amaral disserta no livro sobre a transformação do menino Roberto – apelidado Zunga na infância vivida na cidade natal de Cachoeiro de Itapemirim (ES) – no rei da canção popular brasileira.
O título do livro reproduz o nome do samba-enredo com o qual a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis celebrou a vida e obra de Roberto Carlos no Carnaval carioca de 2011. Na época do desfile, Amaral já levantava dados para a pesquisa que embasou a tese de mestrado ora perpetuada em livro caracterizado pelo autor como “sociobiografia”.
Ao longo de 308 páginas, Amaral expõe o conceito de cultura popular de massa e discute as tênues fronteiras entre a MPB e a música dita brega. Na tese do livro, o autor defende que o processo de construção e consolidação da figura mítica de Roberto Carlos coincide com a industrialização da cultura de massa no Brasil através da expansão da TV, do cinema e do mercado fonográfico.
Repleta de citações e gráficos, por seguir o modelo das dissertações acadêmicas, a narrativa do livro A simplicidade um rei procura explicar a obra de Roberto Carlos para público elitizado que, em maior ou menor grau, sempre minimizou a entronização do cantor no reino da música popular do Brasil a partir de 1965.
FONTE: G1 ( POR MAURO FERREIRA)