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AMAZÔNIA OCIDENTAL 2º Finiamo busca fortalecer associações nikkeis da Amazônia Ocidental

 Finiamo busca fortalecer associações nikkeis da Amazônia Ocidental

Com o intuito de compartilhar experiências e discutir estratégias para a manutenção, o desenvolvimento e o fortalecimento das associações nikkeis da Amazônia Ocidental, a Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nippaku), com apoio do Consulado Geral do Japão em Manaus, realizou, no dia 15 de março, na sede da Nippaku, em Manaus (AM), a segunda edição do Fórum de Integração Nikkei da Amazônia Ocidental (Finiamo).

Realizada de forma presencial na sede da Nippaku, 2° Finiamo contou com a participação de oito associações.

O encontro, que contou com a participação do cônsul geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa; do cônsul adjunto Hiroaki Aizawa; do presidente da associação anfitriã, Hajime Hattori; do vice-presidente e do diretor de Educação da Nippaku, respectivamente, Jorge Higa e Ken Nishikido; do presidente da Associação Koutaku do Amazonas, Valdir Sato e do presidente da REN Brasil (Rede de Empreendedores Nikkeis) da Amazônia, Rodrigo Fugii, teve como convidado especial o presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Renato Ishikawa, acompanhado de sua esposa, a artista plástica Olga Ishida, da Comissão de Arte Koguei.

Além de Hajime Hattori, da Nippaku, o Finiamo reuniu presidentes de sete associações nikkeis da Amazônia Ocidental: Aniely Hideshima, da Associação Nipo-Brasileira de Roraima (Anir); Mariela Tamada, da Associação Nipo-Brasileira de Rondônia; Eduardo Kawada, da Associação Nipo-Brasileira do Acre; Amilton Trindade Neo, da Associação Nipo-Brasileira de Maués; José Elizeu Sena Inomata, da Associação Nipo-Brasileira de Parintins; Hifumi Sato, da Associação Nipo-Brasileira de Efigênio Sales e Mitiko Takahashi, da Associação Asahi.

Evento contou com a participação do cônsul do Japão em Manaus e do presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa

Temas – Apresentado por Lié Shishido e Tsuyoshi Yokota, o evento teve três eixos principais: o que mudou do primeiro Finiamo, realizado em 2024, em cada associação; principais dificuldades para as execuções das atividades locais e os desafios para a expansão de suas respectivas associações.

Presidente da Nippaku, Hajime Hattori ressaltou que o objetivo do fórum é integrar as associações nikkeis da Amazônia Ocidental através da união, da cooperação e do esforço mútuo para que cada associação consiga crescer e fortalecer cada vez mais a divulgação da cultura japonesa, da língua japonesa, da prática esportiva e o lazer em suas comunidades e também visando o ensinamento para a continuidade nas realizações futuras.

Novo impulso – Mitiko Takahashi, da Sol Nascente (Asahi), destacou que “a troca de experiências e o diálogo são essenciais para a preservação de nossas tradições e para o desenvolvimento de iniciativas que garantam a continuidade de nossa cultura”. “Após o primeiro Finiamo, constatamos uma melhoria expressiva na comunicação interna e externa, fortalecendo a troca de informações entre os membros e promovendo o maior engajamento da comunidade”, disse ela.

Além disso, Mitiko explicou que o desenvolvimento cultural ganhou um novo impulso, especialmente em atividades tradicionais como o bon odori, que passou a contar com uma participação mais ativa e entusiasmada dos membros. Ela afirmou que que o Finiamo “reforçou a importância da preservação e valorização das tradições, incentivando mais pessoas a se envolverem e contribuírem para o fortalecimento da cultura japonesa na Asahi.”. “Com essas mudanças, a associação se tornou mais estruturada e preparada para continuar promovendo a cultura a integração da comunidade, garantindo que as tradições se mantenham vivas para as futuras gerações”, afirmou.

Para Hifumi Sato, de Efigênio de Sales, a primeira edição do Finiamo serviu para elucidar pontos importantes sobre seu próprio desempenho como presidente, além de definir focos de atuação.

Hifumi Sato (Efigênio de Sales), Aniely Hideshima (Roraima), Amilton Neo (Maués) e Hajime Hattori (Nippaku)

Formiguinha – Presidente da Associação Nipo-Brasileira de Roraima, Aniely Hideshima disse que, o que mudou nesse período de um ano “foi o desenvolvimento da própria associação”. Segundo ela, foi um trabalho de “formiguinha”. “Em 2023 tínhamos, por exemplo, apenas sete estudantes da aula de Nihongo. Em 2024 iniciamos um trabalho através das redes sociais divulgando o trabalho da associação, e hoje estamos com 50 alunos”, frisou Aniely, acrescentando que a primeira edição do Finiamo foi uma espécie de “divisor de águas” em que teve oportunidade de compartilhar pontos que já havia vivenciado na associação como voluntária e “também pude aprender com os demais presidentes várias outras alternativas e novas possibilidades para que pudesse implementar na associação”. “Hoje considero que a Anir é uma associação que está em ascensão, que está em crescimento e expansão”, afirmou Aniely.

Associação ‘de verdade’ – Amilton Neo, que enfrentou 16 horas de barco entre Maués e Manaus para participar do Fórum, disse que a principal mudança foi ter o “reconhecimento como uma associação de verdade”. “Após o Finiamo e a visita do cônsul adjunto Hiroaki Aizawa, houve uma mudança de mentalidade significativa e a comunidade teve a chance de se envolver e a participar de atividades que tínhamos proposto na edição anterior do Finiamo”, disse Amilton Neo, lembrando que Maués foi a porta de entrada da imigração japonesa no Amazonas, em 1930.

Nascida na Argentina, Mariela Tamada, presidente da Associação de Rondônia, informou que, como principal conquista, a associação conseguiu reformar a cozinha, primordial para a manipulação de alimentos, principal fonte de recursos da ANBR.

Mitiko Takahashi (Asahi), Elizeu Inomata (Parintins), Eduardo Kawada (Acre) e Mariela Tamada (Rondônia)

Dificuldades – Quanto ao segundo tópico, praticamente todas as associações apontaram o recurso financeiro como principal dificuldade para a manutenção de suas atividades.

Mitiko Takahashi citou ainda como dificuldades “a comunicação e a falta de tempo”. Sobre a falta de tempo, ela disse que “muitos dos envolvidos na associação conciliam suas responsabilidades com compromissos profissionais e pessoais, tornando difícil a dedicação plena das atividades”. “Isso impacta no planejamento e a execução dos eventos, exigindo uma melhor divisão de tarefa e estratégia para otimizar o tempo disponível”, comentou.

Eduardo Kawada, da Associação Nipo-Brasileira do Acre, bem como a Associação Nipo-Brasileira de Maués, agregaram outra dificuldade: a falta de uma sede própria. “Como a gente ainda não tem uma sede própria, utilizamos os espaços cedidos pela escola e por outros parceiros, mas a gente cai ainda na incompatibilidade de datas, porque muitas vezes a gente não consegue realizar um evento por já ter outro evento marcado para aquele local, por mais que seja agendado”, lamenta Amilton Neo, de Maués.

“Assim como a de Maués, nossa associação também é bastante recente, vamos completar três anos agora. E o começo é sempre mais complicado”, explica Eduardo Kawada, do Acre, que costuma improvisar uma sala do hospital em que trabalha como local de reunião. Para a realização de eventos a associação utiliza espaços de parceiros como o Sesc.

Localizada na zona rural de Manaus, a Associação Nipo-Brasileira de Efigênio de Sales conta com cerca de 30 famílias associadas. Segundo o presidente Hifumi Sato, há ainda outras 30 que não são associadas. Para realizar eventos, o presidente explica que costuma mobilizar todos os associados e seus familiares.

Expansão – Quanto à expansão das associações e os planos para 2025, Elizeu Imomata destacou que, para fortalecer e expandir a associação, é essencial a criação de novas atividades culturais e educativas. “Há grande interesse da nossa associação em desenvolver disciplinas como taikô, bon odori e cursos de culinária japonesa, que ajudariam a engajar mais público”, destacou Inomata.

Mitiko Takahashi explicou que a expansão da associação é essencial para fortalecer a comunidade e ampliar as atividades, mas para isso é preciso enfrentar os desafios que dificultam esse crescimento. Entre os principais obstáculos ela citou, novamente, a escassez de recursos e de mão de obra, a localidade e disponibilidade dos envolvidos.

Ao longo deste ano, conta Mitiko Takahashi, estão programados eventos como o bon odori, que já se tornou tradicional na comunidade local.

Já a Associação Nipo-Brasileira de Rondônia vê a celebração dos 130 Anos do tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão como uma oportunidade para inovar.

Como desafios para 2025, a presidente Mariela Tamada destacou a criação de um acervo digital com as famílias dos imigrantes, a expansão das redes sociais e a construção de uma nova cobertura.

Conclusão – Falando em nome dos participantes, Aniely Hideshima chegou a conclusão que, do primeiro Finiamo para esta segunda edição, “foi notório que todas as associações, de algum modo, evoluíram”. Citando uma frase do presidente da Nippaku, Hajime Hattori, segundo o qual, “não importa que seja pouco, o importante é avançar dia após dia”, ela  destacou que “nesse sentido, acredito que estamos no caminho correto”. E reafirmou que a continuidade da Finiamo é essencial para o fortalecimento da comunidade nikkei em suas respectivas localidades.

“Mesmo diante de todas as dificuldades relatadas, é importante ressaltar, mais uma vez, o quão é importante e necessário estreitar os laços entre as associações, a Nippaku, o Bunkyo e o Consulado”, disse Aniely, acrescentando a necessidade de todos “caminharem de mãos dadas” para o fortalecimento e expansão das comunidades nikeis em suas respectivas localidades.

Jovens e mulheres – Como presidente da principal entidade representativa da comunidade nikkei no Brasil, Renato Ishikawa considerou a realização da segunda edição do Finiamo “extremamente importante e atual” para a preservação e fortalecimento da cultura japonesa no país. O presidente do Bunkyo comentou também sobre o fato de a maioria dos participantes do fórum serem jovens e entre os oito presidentes três serem mulheres.

Oito valores – O presidente do Bunkyo lembrou que, desde que assumiu seu primeiro mandato à frente da entidade, em 2019, duas de suas principais bandeiras têm sido oferecer protagonismo aos jovens e incrementar os relacionamentos, sejam, eles pessoais ou entre associações. E incluiu uma terceira preocupação: promover cada vez mais o engajamento de não nikkeis nas atividades das associações.

Indagado pelo presidente da REN da Amazônia, Rodrigo Fugii, Renato Ishikawa falou também sobre a importância de manter parcerias com a classe política, seja na esfera municipal, estadual ou federal.  Por fim, Renato Ishikawa destacou os oito valores da comunidade nikkei identificados pelo Projeto Geração: Responsabilidade, Aprendizado, Integridade, Coletividade, Perseverança, Gentileza, Gratidão e Respeito.

Já o cônsul geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa fez um balanço positivo do 2º Finiamo. “Pude sentir a intensa dedicação de cada umas das associações participantes e fiquei muito feliz e esperançoso em ver seus esforços. Vocês são a grande esperança da comunidade nikkei do Brasil”, frisou o cônsul, que à noite recepcionou, em sua Residência Oficial, os convidados – já com a presença das delegações do Peru, Colômbia, Bolívia, Venezuela e Cuba – que participaram da 1ª Reunião Internacional Nikkei, assunto que será abordado na próxima edição (10/04) do jornal Brasil Nikkei.

(Aldo Shiguti)

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