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Representantes do WWF na América Latina discutem estratégia de restauração na região

Entre os dias 26 e 30 de maio aconteceu em Brasília o encontro da Iniciativa Transformacional de Restauração de Paisagens da América Latina, reunindo representantes do WWF de 11 países da região. A atividade teve como objetivo revisar os avanços, consolidar aprendizados e fortalecer abordagens integradas para implementação da estratégia regional de restauração até 2030.  

A agenda incluiu sessões técnicas; diálogos com o governo brasileiro, com uma reunião no Ministério do Meio Ambiente (MMA); apresentações de casos emblemáticos; trocas com especialistas de outras regiões; e uma imersão territorial em áreas de restauração do Cerrado, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás.  

Segundo Taruhim Quadros, analista de conservação e líder de Restauração do WWF-Brasil, entre os assuntos mais discutidos estiveram a restauração inclusiva – de forma que promova a inclusão social, o bem-estar e a convivência harmoniosa das pessoas com o meio ambiente –; a importância da criação de plataformas de governança multi-atores e maneiras eficientes de se fazer incidência política, além de formas de fomentar ações com financiamento verde. 

“O Encontro demonstrou todo potencial que temos como rede colaborativa e a relevância da América Latina na agenda de restauração, clima, biodiversidade e pessoas”, avalia Taruhim Quadros. Foi também uma oportunidade de reforçar o protagonismo do WWF-Brasil na temática, mostrando como o país conecta política, prática e impacto territorial em restauração ecológica.  

Já a reunião no MMA, no dia 27, com o Diretor de Florestas, Thiago Belote, foi realizada com o objetivo de conhecer o trabalho do governo brasileiro na área de restauração. Na ocasião, ficou evidente que as políticas públicas e seus agentes, aliados à sociedade civil organizada, são peças-chave na cadeia da restauração em escala. “Os avanços em restauração que temos visto no Brasil têm como pilar o engajamento do governo. Esse empenho, em conjunto com outros setores sociais, é fundamental para que consigamos atingir as metas globais de biodiversidade e clima”, explica Taruhim. 

Protagonismo brasileiro 

De acordo com a analista, o desempenho do Brasil em restauração hoje é modelo para o mundo e tem influenciado iniciativas na América Latina. Um exemplo disso é a colaboração transfronteiriça que se conseguiu estabelecer com Paraguai, Argentina, por meio da Rede Trinacional de Restauração da Mata Atlântica, e também com esses países e a Bolívia, no bioma Chaco. “Entre os diferenciais do Brasil estão a capacidade de articulação das nossas universidades, instituições de pesquisa e ciência com diversos setores. Temos ainda grande conhecimento consolidado de comunidades tradicionais e povos indígenas em um território que cobre um terço da América Latina”, ressalta. 

Com o intuito de conhecer de perto experiências bem-sucedidas, os participantes visitaram, nos dias 29 e 30, a Chapada dos Veadeiros, referência em restauração inclusiva no Cerrado, liderada, conduzida e formulada por líderes locais. Na ocasião visitou-se coletivos comunitários que atuam na brigada contra incêndios e com a coleta de sementes, como a Associação Cerrado de Pé, formada por agricultores familiares, quilombolas e assentados. “O engajamento dessas comunidades é parte essencial da solução para restauração do bioma, e como WWF-Brasil somos catalisadores desse processo”, salienta a analista. 

Como saldo desses cinco dias de diálogos e trocas, Taruhim Quadros enxerga o fortalecimento da articulação regional entre pontos focais e parceiros da Iniciativa Transformacional de Restauração de Paisagens, além da ampliação da sua capacidade de incidência política e sua relevância como referência regional e global. “Nesta semana intensa conseguimos estabelecer uma visão coletiva, onde diferentes contextos nacionais se somaram, levando a estratégias comuns, ao intercâmbio de soluções, aprendizado técnico. Essa conexão entre países, territórios e experiências é o que torna possível gerar impacto sistêmico”, conclui. 

FONTE: WWF BRASIL

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