Governador de Shizuoka defende estrangeiros: “São seres humanos, e não apenas força de trabalho”
Durante um seminário da Keizai Doyukai (Associação de Executivos Empresariais do Japão), realizado neste fim de semana na cidade de Karuizawa (Nagano), o governador de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, foi um dos convidados a participar dos debates sobre política de imigração — tema que também esteve em destaque na campanha das eleições para a Câmara Alta do Parlamento.
Suzuki, que atuou como prefeito de Hamamatsu e implementou políticas para zerar a evasão escolar entre filhos de imigrantes, criticou visões preconceituosas contra estrangeiros em discursos de alguns candidatos, incluindo informações equivocadas sobre criminalidade.
“Tanto pelas estatísticas quanto pela experiência prática, não há base para dizer que estrangeiros cometem mais crimes do que japoneses”, disse, segundo a agência Jiji Press.
Ele enfatizou a necessidade de enxergar os estrangeiros como seres humanos, e não apenas como força de trabalho. “As crianças estrangeiras também precisam de educação”, declarou, cobrando mais recursos do governo central para esse setor.
Também presente no evento, o presidente do grupo Royal Holdings, Tadao Kikuchi, falou sobre a inclusão de estrangeiros no mercado de trabalho e afirmou que as empresas japonesas devem oferecer planos de carreira mais claros, especialmente para aqueles que desejam permanecer no país de forma definitiva.
O seminário da Keizai Doyukai reuniu empresários e especialistas para debater os rumos da política de imigração no Japão. Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de adaptar a sociedade ao envelhecimento populacional.
O presidente da entidade, Takeshi Niinami, destacou que sem convivência com estrangeiros, o país não conseguirá se sustentar, principalmente em áreas como o cuidado de idosos.
“Precisamos de um sistema de convivência com estrangeiros. Do contrário, nossa sociedade não terá futuro”, disse. Ele também demonstrou preocupação com o avanço do discurso de ‘japoneses em primeiro lugar’, que considera um risco para a coesão social.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa em Seguridade Social e População, até 2070, os estrangeiros poderão representar cerca de 10% da população japonesa.
Apesar do reconhecimento de sua importância econômica, a campanha eleitoral foi marcada por propostas como restrições à compra de imóveis por estrangeiros, além da disseminação de boatos nas redes sociais, associando imigrantes a aumento da criminalidade e de acidentes — alegações que carecem de fundamento, segundo especialistas.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















