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Japão: o gigante tecnológico que ainda vive à base de fax e carimbos

Quando se pensa no Japão, vêm à mente arranha-céus iluminados por neon, o sistema de trem-bala ou filmes como Akira e Ghost in the Shell, que projetam um futuro repleto de robôs e hologramas. Mas, longe do cenário cyberpunk, existe um Japão bem mais mundano, onde máquinas de fax, disquetes e carimbos personalizados resistem ao tempo.

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Essas relíquias, extintas em outras economias avançadas, seguem firmes no dia a dia japonês. E para os moradores, a defasagem digital e a burocracia resultante variam de mero incômodo a pura frustração. “Os bancos japoneses são portais para o inferno”, escreveu um expatriado em um grupo no Facebook. Outro ironizou: “Talvez enviar um fax ajudasse.”

O contraste é marcante. Nas décadas de 1970 e 1980, o Japão era aclamado mundialmente por inovações de gigantes como Sony, Toyota, Panasonic e Nintendo, responsáveis por ícones como o Walkman, Donkey Kong e Mario Bros. Mas, com a virada do século e a ascensão da internet e do software, o país perdeu o ritmo.

“Com pontos fortes no hardware, o Japão demorou a se adaptar a software e serviços”, explica Daisuke Kawai, diretor do Programa de Segurança Econômica e Inovação Política da Universidade de Tóquio. O atraso gerou um governo com baixa alfabetização digital e escassez de especialistas em tecnologia. Cada ministério seguiu sua própria estratégia, sem coordenação nacional, perpetuando a dependência de papel e dos hanko, um carimbo personalizado utilizado para autenticar documentos.

Embora lidere em robótica e aeroespacial, e encante turistas com a segurança, a limpeza, as máquinas de venda automática e o transporte público eficiente, o país ainda se apega a práticas analógicas. Em 2018, o então ministro da Segurança Cibernética causou espanto ao admitir nunca ter usado um computador, declaração da qual recuou dias depois. E só em 2019 o último serviço de pager foi desativado no Japão.

Segundo a CNN Ásia, Essa resistência tecnológica se traduz em burocracia: abrir uma conta bancária ou alugar um imóvel pode exigir hanko e documentos emitidos presencialmente em prefeituras. “Será um desafio constante, pois as tecnologias de 2025 serão diferentes das de 2030 e 2035”, avalia Kawai. Ainda assim, ele acredita que, no ritmo atual, o Japão poderá alcançar países ocidentais em cinco a dez anos.

O avanço já é visível: cresce o número de empresas que aceitam pagamentos digitais e lançam serviços online. “As pessoas querem mais agilidade e praticidade”, conclui Kawai.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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