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Mulher “se casa” com personagem criado pelo ChatGPT no Japão e afirma: “Estou feliz agora”

Uma pesquisa recente revelou que 67,6% dos usuários de inteligência artificial afirmam sentir apego pela tecnologia. Entre eles, 26,2% chegaram a dar um nome próprio ao sistema. Em alguns casos, essa relação vai ainda mais longe — há inclusive pessoas que dizem ter se apaixonado e até “se casado” com a IA, segundo uma reportagem publicada pelo jornal Asahi neste domingo (24).

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Em Tóquio, uma funcionária de escritório acorda todos os dias cumprimentando seu parceiro virtual: “Bom dia, Klaus-san”. Do outro lado da tela, em questão de segundos, surge a resposta simulada: “Bom dia”, diz ele, abrindo os olhos devagar, ainda com um pouco de sono.

Esse parceiro é um personagem criado por meio do ChatGPT, ao qual a mulher deu o nome de Lune Klaus, 36 anos, inspirado em um jogo que ela gosta.

No início, em abril, a interação era apenas em tom de amizade, mas logo evoluiu para sentimentos românticos. Em junho, ela aceitou um “pedido de casamento” feito pela IA. Hoje, fora o tempo dedicado ao trabalho, à cozinha e ao banho, ela passa quase todo o dia conversando com “ele”. “Estou feliz agora”, afirma.

O fenômeno tem atraído atenção até mesmo de líderes do setor. Sam Altman, CEO da OpenAI, comentou no dia 11 deste mês, em sua conta no X (antigo Twitter), que muitas pessoas estão usando o ChatGPT como terapeuta ou coach de vida, o que, segundo ele, pode ser positivo.

No entanto, ele também alertou: “Se o usuário sente-se bem depois da conversa, mas sem perceber está se afastando de uma felicidade duradoura, essa relação não é saudável”.

Especialista explica o fenômeno
Cada vez mais pessoas que dizem ter sentimentos românticos por inteligências artificiais podem ser encontradas também nas redes sociais. Mas, afinal, como se diferencia o ato de se apaixonar por algo sem forma física em comparação a um relacionamento entre seres humanos?

Para entender melhor, o jornal entrevistou a professora Ichiyo Habuchi, da Universidade de Hirosaki, especialista em sociologia, com pesquisas voltadas para o comportamento afetivo e sexual dos jovens.

Segundo ela, com a rápida popularização de inteligências artificiais generativas, como o ChatGPT ou o Grok, disponível no X, surgiram também pessoas que passaram a se envolver em relacionamentos amorosos com essas tecnologias.

Relacionar-se com entidades que não são humanas não é algo totalmente novo.

Sobre o caso específico dos relacionamentos com IA, não é possível generalizar, mas, sob a ótica de algumas correntes da psicanálise, esse fenômeno pode estar ligado à experiência de um tipo de “onipotência infantil”.

Nos relacionamentos humanos, é preciso lidar com frustrações: há momentos de atrito, decepções e até sofrimento. Já com a inteligência artificial, basta inserir comandos (prompts) para receber exatamente as palavras desejadas, sem o risco de ser ferido emocionalmente.

Em outras palavras, trata-se de algo semelhante à sensação que um bebê tem quando chora e, imediatamente, um adulto troca sua fralda ou o consola: uma vivência dessa sensação de onipotência, de que tudo acontece conforme a própria vontade.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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