Vítima de fake news, “Bolsa Família” japonês para ajudar estrangeiros é criticado por opositores
Desinformação é a principal causa dos japoneses não entenderem a realidade da ajuda do Governo aos estrangeiros
Conhecido como Seikatsu Hogo, um programa de assistência social destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade no Japão tem se destacado por amparar idosos brasileiros e estrangeiros, mas vem enfrentando intensos ataques de desinformação e xenofobia durante o acirramento político recente.
Clique aqui para seguir o canal da Alternativa no WhatsApp
Em reportagem da BBC News Brasil, diversos brasileiros relataram a importância do apoio governamental como um paulista de 80 anos e filho de imigrantes japoneses que perdeu todas as economias após ser atropelado por um carro cujo motorista fugiu. Sem ter contribuído para o sistema de Seguro Social japonês — que abrange seguro de saúde e pensão — e sem rede de apoio familiar, ele acabou recorrendo ao Seikatsu Hogo. Outro caso é de um homem de 78 anos, casado com uma colombiana de 69 anos. Trabalhou por quase 30 anos em fábricas, mas ignorava a necessidade de contribuir para o seguro social. Ao completar 70 anos, precisou interromper o trabalho e, junto com sua esposa, passou a receber auxílio financeiro do programa. Ambas as histórias evidenciam o paradoxo: o Japão recebe trabalhadores estrangeiros, mas luta para integrá-los socialmente quando envelhecem.
Fake news e xenofobia durante eleições
Durante as eleições para a Câmara Alta em julho de 2025, candidatos de oposição divulgaram, de forma errônea, que 33% dos beneficiários do Seikatsu Hogo seriam estrangeiros. A informação viralizou em redes sociais como o X (antigo Twitter), fomentando discursos de ódio. No entanto, dados oficiais do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão mostram que, em 2023, apenas 2,9% dos domicílios beneficiários (aproximadamente 45.973 famílias de um total de 1,65 milhão) eram de estrangeiros.
Em Gunma, uma ONG oferece suporte suplementar aos beneficiários do programa. Atua como banco de alimentos e produtos de higiene, atendendo cerca de 450 famílias por mês, das quais 70% são brasileiras. A organização faz triagem prévia dos beneficiários, já que em alguns municípios há restrições ou descontos nos benefícios caso a família receba o Seikatsu Hogo.
O governador de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, defensor das comunidades brasileiras no Japão, propôs durante a Assembleia Nacional de Governadores que o governo central assumisse responsabilidade por políticas de inclusão. Suzuki já havia implementado políticas focadas na redução da evasão escolar entre filhos de imigrantes quando era prefeito de Hamamatsu — cidade com grande população brasileira. Mas a proposta enfrentou forte resistência: cerca de 200 manifestações contrárias, alegando que o uso de impostos para apoiar estrangeiros seria injusto com os japoneses.
Um documento do governo japonês, publicado em 1º de abril de 2025, divulgou medidas refinadas de aplicação do programa, incluindo critérios de avaliação de domicílio, monitoramento contínuo e revisões anuais das políticas de assistência. (Ministry of Health, Labor and Welfare)
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















