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Gorjetas de turistas estrangeiros geram confusão e debate no Japão

Turistas estrangeiros não conhecem essa prática e restaurantes buscam soluções para lidar com o hábito

O aumento no número de turistas estrangeiros trouxe com eles um hábito pouco familiar no Japão, a gorjeta. A prática, comum em países ocidentais, tem causado confusão em restaurantes, gerado inovações e até provocado críticas entre moradores locais.

Funcionários de uma rede de restaurantes de estilo japonês, que opera mais de 20 unidades, relataram não saber como reagir quando recebiam gorjetas. Em fevereiro do ano passado, a empresa decidiu instalar “caixas de coleta de gorjetas” próximas aos caixas.

Hoje, cada filial arrecada mensalmente dezenas de milhares de ienes, registrados como receitas diversas e revertidos em benefícios para os funcionários.

Segundo o The Asahi Shimbun , apesar disso, a iniciativa não passou sem críticas. Alguns clientes afirmam que não querem ver a cultura da gorjeta se enraizar no país. Nas redes sociais, houve questionamentos sobre a destinação do dinheiro.

Uma tradição esquecida, segundo o professor da Universidade Ritsumeikan  Yoshiyuki Ishizaki,o Japão já teve um costume semelhante, o chamado “dinheiro para o chá”, prática comum em pousadas antes da Segunda Guerra Mundial. Com a modernização, foi substituído por taxas de serviço fixas de 10% e 15%, tendência que permanece em alguns restaurantes sofisticados.

Já nos Estados Unidos, onde a gorjeta é a norma, o pagamento direto ao garçom funciona como motivação e parte essencial do salário. Tentativas de introduzir o sistema no Japão, como a feita pela rede Chibo nos anos 1990, fracassaram rapidamente.

Com a alta do turismo, novas soluções estão surgindo. A Dinii Inc., empresa de Tóquio especializada em sistemas de pedidos móveis, lançou em junho um recurso que permite acrescentar gorjetas de até 25% diretamente na conta pelo aplicativo. O serviço já está disponível em cerca de 900 estabelecimentos, principalmente em áreas turísticas como Shinjuku (Tóquio) e Namba (Osaka).

O empresário Takashi Waki, dono da rede Yakitori Smith, aprovou a novidade “Isso motiva nossa equipe e cria uma atmosfera mais animada em nossos restaurantes.”

Para Ishizaki, restaurantes que recebem turistas já não podem mais ignorar a questão. Ele lembra que os salários no setor de alimentação e hospedagem são os mais baixos do país, com média de 269.500 ienes mensais, segundo dados do Ministério do Trabalho.

No Ocidente, o serviço é considerado parte do que se paga. No Japão, há resistência em atribuir valor à hospitalidade. Mas, sem rever essa lógica, não será possível melhorar a produtividade, afirma o professor.

Ele defende que empresas incorporem os custos de serviço em seus preços e garantam distribuição justa dos lucros aos trabalhadores.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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