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Japão pode lidar com falta de mão de obra sem depender de estrangeiros, diz candidato à sucessão de Ishiba

“Queremos identificar com clareza os desafios e as necessidades de cada setor de trabalho”, afirmou Toshimitsu Motegi

O ex-secretário-geral do Partido Liberal Democrata (PLD), Toshimitsu Motegi, anunciou na quarta-feira (10) sua candidatura para a sucessão do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que anunciou sua renúncia no último domingo.

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Durante uma coletiva, ao responder sobre políticas de enfrentamento ao declínio populacional, Motegi destacou a questão dos trabalhadores estrangeiros, tema que também foi discutido nas últimas eleições para a Câmara Alta do Parlamento.

Ele afirmou que, embora a população ativa esteja diminuindo cerca de 0,5% ao ano, é possível compensar esse quadro aumentando a produtividade em 1% por meio da digitalização e da redução de custos operacionais, informou o jornal Sankei.

Segundo Motegi, mesmo em setores onde a falta de mão de obra é grave, será possível lidar com a situação sem depender ainda mais da contratação de estrangeiros.

“Queremos identificar com clareza os desafios e as necessidades de cada setor, e adotar medidas que permitam enfrentar a queda populacional e a escassez de trabalhadores sem aumentar a dependência de mão de obra estrangeira”, destacou.

Motegi propôs uma ampla reforma do sistema de agências de emprego (Hello Work) para melhorar a compatibilidade entre vagas e candidatos. Também defendeu apoio total à mobilidade laboral para que os trabalhadores possam buscar salários mais altos e uma revisão das reformas trabalhistas, adaptadas à realidade dos locais de trabalho.

Perfil de Toshimitsu Motegi
(segundo a emissora NHK)

Idade: 69 anos
Carreira parlamentar: 11 mandatos pela 5ª região eleitoral de Tochigi
Candidatura: Esta é sua segunda participação consecutiva em uma eleição para a liderança do PLD.

Formado pela Universidade de Tóquio, Motegi trabalhou em uma trading, em jornal e em uma consultoria estrangeira antes de ser eleito parlamentar pela primeira vez em 1993.

Em 2003, no governo de Junichiro Koizumi, ingressou no gabinete como ministro encarregado de Okinawa e dos Territórios do Norte, além da pasta de Ciência e Tecnologia.

Nos governos de Shinzo Abe, ocupou cargos como ministro da Economia, Comércio e Indústria, ministro responsável pela revitalização econômica e ministro das Relações Exteriores. Dentro do partido, já foi presidente do Conselho de Pesquisa em Políticas e chefe do Comitê de Estratégia Eleitoral.

Durante as negociações do acordo comercial Japão–EUA, no primeiro mandato do presidente Donald Trump, foi chamado pelo próprio presidente de “tough negotiator” (negociador duro).

No governo Kishida, atuou como secretário-geral do partido, em estreita coordenação com o então primeiro-ministro Fumio Kishida e o vice-primeiro-ministro Taro Aso. O trio chegou a ser apelidado de “governo de três cabeças” devido à frequência e intensidade de suas reuniões.

Na eleição interna de setembro do ano passado, Motegi se candidatou pela primeira vez, mas terminou em 6º lugar entre 9 concorrentes, sendo eliminado no primeiro turno. No atual governo Ishiba, não assumiu cargos de destaque, passando a investir na divulgação de suas propostas por meio de redes sociais como YouTube e TikTok.

Motegi presidia uma ala no PLD chamada “Heisei Kenkyukai”, que foi dissolvida em janeiro deste ano em meio ao escândalo de financiamento político no partido.

Seu lema político é: “O passado e a natureza não podem ser mudados. Mas o futuro e a sociedade, sim.”

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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