Governador de Tottori valoriza trabalhadores estrangeiros e diz que, sem eles, “o Japão pararia de funcionar”
O governador da província de Tottori, Shinji Hirai, manifestou preocupação com o avanço de movimentos xenófobos ao redor do mundo. Durante sessão da Assembleia Legislativa na terça-feira (16), ele afirmou que tais tendências colocam em risco “os fundamentos da democracia e da autonomia local”, informou o jornal Yomiuri.
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Ao analisar o crescimento do nacionalismo e do discurso de “primeiro o meu país” nos Estados Unidos e na Europa, Hirai observou que se trata de uma onda que ultrapassa fronteiras.
No Japão, ele destacou que setores como agricultura, pesca e assistência a idosos dependem fortemente da mão de obra estrangeira. “Se houver tentativas de excluir trabalhadores estrangeiros, o Japão pararia de funcionar. A indústria e a economia simplesmente não conseguiriam se manter”, advertiu.
O governador também comentou a polêmica envolvendo a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Em agosto, a instituição reconheceu quatro cidades japonesas como “hometowns” africanos, iniciativa que gerou desinformação nas redes sociais, com rumores falsos sobre “aceitação massiva de imigrantes”. Para Hirai, esse tipo de debate é “completamente descabido”.
Ele alertou ainda para os riscos das fake news, que chegaram a alimentar movimentos pedindo a dissolução da própria JICA, considerada um símbolo do pacifismo e do internacionalismo japoneses. “Podemos simplesmente ignorar isso?”, questionou, reforçando sua preocupação com o impacto da desinformação na sociedade.
Japão não deve depender da mão de obra estrangeira
Na semana passada, o ex-secretário-geral do Partido Liberal Democrata (PLD), Toshimitsu Motegi, anunciou sua candidatura para a sucessão do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que decidiu pedir renúncia.
Durante uma coletiva, ao responder sobre políticas de enfrentamento ao declínio populacional, Motegi destacou a questão dos trabalhadores estrangeiros, tema que também foi discutido nas últimas eleições para a Câmara Alta do Parlamento.
Ele afirmou que, embora a população ativa esteja diminuindo cerca de 0,5% ao ano, é possível compensar esse quadro aumentando a produtividade em 1% por meio da digitalização e da redução de custos operacionais, informou o jornal Sankei.
Segundo Motegi, mesmo em setores onde a falta de mão de obra é grave, será possível lidar com a situação sem depender ainda mais da contratação de estrangeiros.
“Queremos identificar com clareza os desafios e as necessidades de cada setor, e adotar medidas que permitam enfrentar a queda populacional e a escassez de trabalhadores sem aumentar a dependência de mão de obra estrangeira”, destacou.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















