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Protagonismo feminino inédito na convenção dos nikkeis marca nova era de representatividade e liderança

Encontro internacional nikkei destaca intercâmbio e cooperação cultural

Pela primeira vez em sua história, a 65ª Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior abriu espaço exclusivo para um painel feminino. Sob o tema “A força da mulher influenciando a comunidade Nikkei”, o encontro reuniu nesta quinta-feira (18), em Tóquio, lideranças de diferentes países para debater os desafios e conquistas das mulheres nikkeis em um mundo de mudanças aceleradas e incertezas.

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Criada há mais de seis décadas, a Convenção é um dos mais importantes fóruns globais da diáspora japonesa. Realizada anualmente no Japão pela Kaigai Nikkeijin Kyokai, tem como objetivo fortalecer as conexões entre comunidades nikkeis de diferentes países, promover o intercâmbio cultural e discutir caminhos de cooperação em tempos de transformação social, política e econômica. O encontro deste ano começou dia 17 e termina nesta sexta-feira, dia 19.

Entre as painelistas do segundo dia, destacou-se a apresentação de Márcia Mitsuko Kishi, CEO da Taiyo Corporation, empresa que há quase 30 anos atua na integração de trabalhadores estrangeiros no Japão. Em sua fala, Márcia lembrou as barreiras que enfrentou ao chegar ao país nos anos 1990. “Transformei a dificuldade com a língua japonesa em motivação. Foi aprendendo a me expressar que encontrei autonomia e descobri meu propósito: ajudar outros imigrantes a terem dignidade e voz”

A empresária também ressaltou os desafios de ser mulher, nikkei e líder em um ambiente corporativo tradicionalmente masculino. “Já entrei em salas onde não esperavam que a ‘presidente’ fosse uma mulher – e brasileira. Mas é justamente por isso que precisamos ocupar esses espaços, não só por nós, mas por todas que virão depois”, afirmou.

Márcia defendeu maior incentivo ao empreendedorismo feminino imigrante e políticas que apoiem mulheres em situação de vulnerabilidade. Para ela, superar o sentimento de não pertencimento e as barreiras culturais é essencial. “No Brasil somos vistas como japonesas, no Japão como estrangeiras. Vivemos entre mundos, sem sermos plenamente aceitas em nenhum. Mas é justamente desse lugar que nasce a força para transformar a sociedade”, concluiu.

Além de Márcia, falaram também Hitomi Sekiguchi, diretora da Associação Central Nipo-Brasileira, Christine Kubota, Ines Yamanouchi Mallari e Kiyo Fujiki. Pela manhã, num painel coordenado pelo jornalista e sociólogo Angelo Ishi, os jovens Samy Kenji da Silva, Daniel Matsuda, Larissa Kaori Assahida e Yusuke Chinen discutiram “A nova geração de Nikkeis em busca de novas conexões”.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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