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Novo governo do Japão adota tom mais conservador e deve endurecer políticas para estrangeiros, diz jornal

Especialistas alertam que medidas excessivamente restritivas podem estimular a discriminação e prejudicar a imagem do país no exterior

A primeira-ministra Sanae Takaichi concluiu oficialmente a formação do gabinete e deu início ao novo governo na terça-feira (21).

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Durante a eleição para a liderança do Partido Liberal Democrata (PLD), ela havia moderado o discurso para ampliar o apoio político, mas com a entrada do Partido da Inovação do Japão (Nippon Ishin no Kai) na coalizão — no lugar do Komeito —, o novo governo ganhou um perfil fortemente conservador e nacionalista, segundo o Tokyo Shimbun.

De acordo com analistas ouvidos pelo jornal, Takaichi busca conter o avanço do Sanseito, partido que tem crescido com pautas nacionalistas e anti-imigração, mas essa guinada à direita pode aprofundar divisões sociais e agravar tensões internacionais.

Política para estrangeiros

O ponto mais sensível da nova administração é a política para estrangeiros. A premiê nomeou Kimi Onoda, parlamentar conservadora e próxima de Takaichi, como ministra da Segurança Econômica e Política para Estrangeiros, cargo de grande influência.

Segundo o jornal, a escolha gerou polêmica porque Onoda já foi criticada por declarações consideradas discriminatórias. Em 2020, durante a pandemia, ela postou no antigo Twitter (atual X):

“Se a Covid-19 for classificada como doença infecciosa especial, o tratamento será custeado com dinheiro público. É fácil imaginar pessoas vindo ao Japão só por isso!”

A fala foi amplamente condenada por estimular preconceito contra estrangeiros. Ao chegar ao gabinete nesta segunda-feira, Onoda evitou responder às perguntas da imprensa.

Proposta de limitar número de estrangeiros no Japão

O novo governo Takaichi avalia impor um limite ao número total de estrangeiros que podem viver no país — uma espécie de “controle de volume”.

A medida foi inspirada em uma proposta recente do partido Nippon Ishin no Kai, que argumenta que, com base na experiência europeia, “quando a população estrangeira ultrapassa 10%, surgem tensões sociais evidentes”.

Críticas e riscos de discriminação

O gabinete também pretende endurecer regras contra abusos nos sistemas de visto e trabalho estrangeiro, priorizando a fiscalização e o controle, em vez da convivência e integração multicultural.

De acordo com a agência Kyodo, Takaichi ordenou ao ministro da Justiça que intensifique as medidas contra a permanência ilegal de estrangeiros e reforce o controle de entrada e saída do país. A informação foi confirmada por fontes do governo.

A nova primeira-ministra tenta reconquistar o eleitorado conservador que migrou para o Sanseito, que durante a campanha parlamentar em julho adotou o lema “japoneses em primeiro lugar” (nihonjin first/日本人ファースト).

No entanto, especialistas alertam que críticas infundadas e políticas excessivamente restritivas podem estimular a discriminação e prejudicar a imagem do Japão no exterior, num momento em que o país ainda depende fortemente da mão de obra estrangeira.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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