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Entenda como os ladrões de carros agem no Japão e qual é o destino dos veículos roubados

 Os furtos de veículos da Toyota, como Lexus e Land Cruiser, estão aumentando em todo o Japão. Segundo dados da Agência Nacional de Polícia, entre janeiro e setembro deste ano, o número de roubos de carros no país superou o do mesmo período de 2024.

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O motivo: dispositivos eletrônicos sofisticados que permitem destravar e ligar veículos em poucos minutos — sem danificá-los. Uma reportagem do jornal Sankei mostrou, nesta segunda-feira (27), como agem os ladrões e qual é o provável destino dos carros roubados.

As autoridades acreditam que muitos desses veículos roubados são desmontados e exportados ilegalmente, com participação de estrangeiros em redes criminosas organizadas. A polícia intensifica as investigações para identificar como essas quadrilhas operam.

Mais de 20 carros de luxo encontrados em galpão

Em julho, a Polícia Metropolitana de Tóquio encontrou um Lexus avaliado em cerca de 10 milhões de ienes dentro de um galpão em Shimotsuma, província de Ibaraki. O veículo constava como roubado, e três suspeitos — incluindo um homem de nacionalidade nepalesa — foram presos em flagrante por posse de bem furtado.

Desde maio, mais de 20 carros de luxo da Toyota haviam sido levados para o local. Durante a busca, os agentes encontraram veículos com motores removidos e placas falsas cortadas à mão. Segundo os investigadores, as peças eram desmontadas e enviadas ao exterior para revenda.

“CAN Invader” e “Game Boy”: crimes em poucos minutos

Após anos de queda, o número de furtos de automóveis no Japão voltou a subir. De janeiro a setembro de 2025, foram registrados 5.193 casos, um aumento de 733 em relação ao mesmo período do ano anterior.

O modelo Land Cruiser lidera a lista de furtos, com 765 casos no primeiro semestre. Em seguida vêm o Prius e o Alphard — todos da Toyota.

“Os carros da Toyota são valorizados no mercado internacional de usados. Mesmo o motor, isoladamente, tem grande valor”, explicou um investigador.

Entre os métodos mais usados está o “CAN Invader”, um equipamento que invade o sistema eletrônico do veículo. Vendido em sites estrangeiros por menos de 50 mil ienes, ele é pequeno, portátil e compatível com vários modelos. Ao ser conectado à fiação interna, permite destravar as portas e ligar o motor em minutos.

A Toyota vem tentando reagir. A empresa desenvolveu sistemas de segurança que bloqueiam sinais irregulares, mas novos dispositivos continuam surgindo.

Um deles, conhecido como “Game Boy”, copia o sinal do carro para criar uma chave reserva. O ladrão não precisa nem tocar no veículo para abrir e dar partida — motivo pelo qual o aparelho vem sendo chamado de “a ferramenta de roubo mais assustadora da história”.

Quadrilhas dividem funções e recrutam membros pelas redes sociais

As investigações revelam que as quadrilhas atuam de forma organizada e compartimentada, dificultando a prisão dos líderes.

Os executores são recrutados via redes sociais, onde recebem instruções para furtar veículos específicos. Após o roubo, os carros são deixados em estacionamentos temporários, onde ficam sob observação para verificar se há rastreamento policial.

Depois de alguns dias, outros membros transportam os veículos até galpões conhecidos como “yards”, onde são desmontados.

Muitas das pessoas que foram recrutadas para o crime nem sabem onde ficam esses locais. As peças seguem para o Oriente Médio e outros destinos, mas o trajeto completo ainda é desconhecido.

Brasileiros envolvidos

A Polícia Metropolitana prendeu este mês dois brasileiros suspeitos de integrar uma quadrilha responsável por mais de 50 furtos de carros de luxo nas regiões de Kanto e Tokai. O prejuízo total passa de 230 milhões de ienes.

As autoridades continuam investigando as conexões internacionais do grupo e alertam os motoristas a reforçar a segurança dos veículos — instalando rastreador GPS, travas de volante ou pedal e alarmes adicionais.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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