Primeira-ministra do Japão promete aumentar renda e consumo da população sem elevar impostos
Sanae Takaichi afirmou que o combate à alta dos preços será sua prioridade máxima, com foco em subsídios para combustíveis e energia
A nova primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, fez na sexta-feira (24) seu primeiro discurso desde que assumiu o cargo no início da semana.
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Ela afirmou que o combate à alta dos preços será sua prioridade máxima, com foco em medidas como subsídios para combustíveis e energia, além de apoio a hospitais e lares de idosos.
“Transformar a incerteza em esperança”
No início do discurso, a premiê declarou: “Quero transformar a incerteza de hoje e o medo do futuro em esperança. Vamos construir uma economia forte e recuperar a diplomacia do Japão, que floresce no centro do mundo.”
Ela defendeu ainda que a estabilidade política, incluindo a aliança com o partido Nippon Ishin no Kai, é essencial para avançar em políticas econômicas e de segurança nacional.
Economia e custo de vida
Takaichi destacou que seu governo adotará uma política de “fiscalização responsável e ativa”, usando investimentos estratégicos para aumentar a renda e o consumo da população sem elevar impostos.
O objetivo é criar um ciclo virtuoso de crescimento e reduzir a proporção da dívida em relação ao PIB.
O governo vai reunir rapidamente um pacote econômico e apresentar um orçamento suplementar ao Parlamento.
Entre as medidas, estão:
- Eliminação gradual do imposto provisório sobre gasolina e diesel.
- Subsídios para conter os preços dos combustíveis até que a reforma seja concluída.
- Apoio financeiro a hospitais e casas de repouso em déficit.
- Aumento do teto de isenção para que funcionários de meio período possam trabalhar mais sem precisar pagar imposto de renda e shakai hoken.
- Ampliação dos repasses a prefeituras e ajuda nas tarifas de energia e gás.
Por outro lado, Takaichi confirmou que não implementará o pagamento único de 20 mil ienes prometido em campanhas anteriores do Partido Liberal Democrata (PLD).
A premiê também anunciou a criação de um novo órgão: o “Conselho de Estratégia de Crescimento do Japão”, que buscará impulsionar a produtividade e inovação.
Reforma social e sistema de bem-estar
Takaichi afirmou que proteger a vida e a saúde dos cidadãos é parte da segurança nacional.
Ela pretende criar uma comissão multipartidária com especialistas para revisar o equilíbrio entre benefícios e contribuições sociais, incluindo uma possível reforma tributária e previdenciária integrada.
Durante essa reforma, o governo buscará conter o aumento dos encargos sobre a geração ativa.
Política para estrangeiros
A primeira-ministra reconheceu que o Japão precisa de trabalhadores estrangeiros em várias áreas e destacou a importância do setor de turismo internacional.
No entanto, afirmou que alguns estrangeiros têm causado preocupações com comportamentos ilegais ou fora das regras, o que gera sensação de insegurança e injustiça entre os japoneses.
“Nos manteremos distantes de qualquer forma de xenofobia, mas o governo responderá com firmeza”, disse.
Ela também mencionou que o governo avaliará as regras sobre aquisição de terras por estrangeiros.
Diplomacia e defesa
A premiê expressou profunda preocupação com as ações militares da China, Coreia do Norte e Rússia. Reforçou que a aliança Japão-EUA é o pilar central da política externa e de segurança.
Takaichi pretende estreitar laços com o presidente Donald Trump e levar as relações bilaterais a um novo patamar.
O Japão também vai aprofundar a cooperação trilateral com EUA e Coreia do Sul, além de fóruns multilaterais como EUA-Filipinas e Quad (Japão, EUA, Austrália e Índia).
Sobre a Coreia do Sul, disse que é um vizinho importante e que buscará aproximar os países por meio do diálogo entre líderes.
Em relação à China, afirmou que é necessário manter relações construtivas e estáveis, embora o Japão permaneça atento às questões de segurança econômica.
Constituição
O governo iniciará estudos para revisar os três principais documentos de segurança nacional até o final de 2026.
A meta é elevar o orçamento de defesa para 2% do PIB até 2027, adiantando recursos no orçamento deste ano.
Por fim, Takaichi reafirmou o desejo de promover uma emenda constitucional durante seu mandato, e expressou esperança de avanço nas discussões sobre a sucessão imperial.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















